O bicentenário da Imprensa no Brasil foi comemorado em vários pontos do País, no dia 1º de junho de 2008. Em cada local, procedeu-se a exposição de seu jornal mais antigo, mostrando-se o exemplar mais remoto disponível, prensas, materiais gráficos, tudo que pudesse identificar um início da atividade jornalística na região. Em muitos lugares também foram realizadas mesas de estudos e de debates em que se revelasse a trajetória da imprensa nesses 200 anos no Brasil.

Recordo que até o início deste século, comemorava-se o Dia da Imprensa em 10 de setembro, por decisão do Governo Getúlio Vargas. Em 1808, naquela data, entrou em circulação A GAZETA, no Rio de Janeiro, jornal editado pelo frei Tibúrcio José da Rocha, como órgão oficial de divulgação dos feitos da Coroa portuguesa, cuja sede havia se transferido para a Colônia, com a família real fugindo dos soldados de Napoleão.

O engano (de 10 de setembro) se corrigiu a partir do ano 2000, quando o Congresso Nacional discutiu e aprovou projeto, depois convertido em Lei sancionada pelo Presidente Fernando Henrique, estabelecendo em 1º de junho O DIA NACIONAL DA IMPRENSA.

É que no dia 1º de junho de 1808 entrara em circulação o jornal CORREIO BRAZILIENSE, editado, em Londres, por Hipólito da Costa. Justa e verdadeira homenagem a Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça, considerado, a partir da Lei, Patrono da Imprensa Brasileira.

Antes da Gazeta, era proibida, na Colônia, a impressão de qualquer informativo e quem se atrevesse adquirir uma máquina tipográfica terminaria por vê-la confiscada de ordem da Coroa e seu proprietário seria punido com muito rigor. Mas, na América espanhola, era diferente e tal não acontecia.

O jornalista Xico Trolha, em seu livro “Itambé – berço heroico da maçonaria no Brasil” registra: “Um fato bem curioso que ilustra o que era o Brasil do começo do século XIX, não havia em todo o território pernambucano e adjacências uma só tipografia. Aqueles que se meteram a instalar Tipografias no Brasil, pagaram muito caro por essa temeridade por esse “crime infamante”. Ainda segundo seus registros, o comerciante Ricardo Fernandes chegou a importar, da Inglaterra, uma tipografia, em 1815, mas não teve condições de utilizá-la. Quando eclodiu a Revolução de 1817, descobriram-na escondida no fundo de um armazém, sendo ela então usada pelos revolucionários para a impressão de seus panfletos. “Com isso, conclui Xico Trolha, podemos afirmar que Itambé, por intermédio da Revolução Pernambucana, implantou a Imprensa Livre no Brasil”.

O Correio Braziliense chegava ao Brasil, transportado em navios, e, aqui, entrava de forma clandestina. Era um jornal engajado no movimento da independência do Brasil. Seu editor, Hipólito da Costa, era maçom que havia sido perseguido e preso pelos executivos da “santa inquisição”, em Lisboa, de onde fugiu para Londres com a ajuda da maçonaria. E, segundo consta, na qualidade de Grão-Mestre Provincial do Condado de Rutland, Inglaterra, (GLUI), participou da iniciação de Domingos José Martins, Presidente da República implantada em 6 de março de 1817, com a Capital em Pernambuco.

Com a mudança da Capital da República, do Rio para o Planalto Central, o Correio Braziliense voltou a circular, editado em Brasília pelo sistema dos Órgãos Associados, inspirado e dirigido pelo jornalista Assis Chateaubriand, paraibano de Umbuzeiro, que marcou época na Imprensa do Brasil pela sua inigualável competência gerencial e inovadora no setor.

Mas o DIA NACIONAL DA IMPRENSA, entre nós, é 1º de junho. Salve!

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