“No jardim do Paraíso, sob a Árvore da Sabedoria, crescia uma roseira. Em sua primeira rosa nasceu um pássaro. Seu voo era como um raio de luz, magníficas as suas cores, seu canto causava arroubo. Porém, quando Eva colheu o fruto da ciência do bem e do mal, e quando ela e Adão foram expulsos do Paraíso, da flamígera espada do anjo caiu uma chispa no ninho do pássaro e lhe ateou fogo. O animalzinho morreu abrasado, porém do avermelhado ovo saiu voando outra ave, única e sempre a mesma: a Ave Fênix. ” (A Ave Fênix – Um conto infantil de Hans Christian Andersen).

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie, pois chega a viver cerca de 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem de tomar uma séria e difícil decisão, tendo em vista que com tal idade estará com: a)- as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta; b)- o bico alongado e pontiagudo se curva apontando contra o peito; c)- estão as asas envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já está estupidamente difícil.

Então, a águia só tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar por volta de 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.

E só após cinco meses sai para o voo de renovação e viver, então, durante mais 30 anos.
Na simbologia Gnóstica a Ave Fênix é o símbolo da Ressurreição na Eternidade, na qual a noite segue ao dia e o dia à noite. É também uma alusão aos ciclos periódicos de ressurreição cósmica e reencarnação humana. Para os gnósticos gregos, a Fênix vive mil anos, e ao término dos quais, acendendo um fogo chamejante ela consome a si mesma. Renascida logo de suas cinzas, vive mais mil anos, e assim até sete vezes sete.

Essas “sete vezes sete”, ou 49 vezes, são uma transparente alegoria e uma alusão aos 49 Manus, às 7 Rondas, aos 49 níveis profundos da mente humana, e aos 49 ciclos humanos na Ronda verificada em cada Sistema de Globos. Na Alquimia Gnóstica, é o símbolo da Regeneração da Vida Universal. Pode, também, na sua simbologia invertida, representar o Eu Psicológico, que pode renascer em nossa mente.

Para a escola mística da Maçonaria, assim como a águia, em nossa vida maçônica também morremos simbolicamente e passamos pelo processo da paligenesia duas vezes. No momento de sua iniciação maçônica aquele antes reconhecido como profano morre para essa vida e se renova – assim como a fênix – com o escopo de iniciar o seu processo de transformação interior com vistas ao seu voo simbólico maçônico de 30 anos, que somente se iniciará quando atingir o Grau de Mestre Maçom, mediante a sua caminhada que se dirige do Leste em direção ao Oeste. Ou seja, das regiões em que se encontram as trevas em direção àquelas em que luz resplandece com todo o seu fulgor.

A segunda morte simbólica do iniciado ocorre somente com a sua chegada ao Grau da mestria. Nesse momento, a consciência individual do mundo físico já é um fato consumado para aquele que se torna um Mestre Maçom, sendo que em tal plano nada mais lhe resta a palmilhar dentro do Templo material e já estará pronto – assim como a fênix renovada – para os seus próximos 30 anos de voos no altiplano unicamente espiritual, pós sua completa renovação interior.

Não haverá dentro do Templo mais caminhada a ser feita do Ocidente para o Oriente, pois aí devidamente iluminado espiritualmente o Mestre Maçom já se encontra. Contudo, os seus olhos não deixarão de se voltar para o Ocidente com o escopo unicamente de guiar aqueles Irmãos Aprendizes e Companheiros que ainda se encontram – assim como a águia – se renovando mediante o exercício do desprendimento da matéria, o que lhes é ensinado quando em suas caminhadas na direção em que se encontra a região da luz espiritual, ou seja, o Oriente.

Ou seja, os Mestres Maçons dentro do Templo Maçônico são a interface entre os mundos físico e espiritual. O seu inconsciente individual, ao cabo e alfim, se encontra unicamente e totalmente no plano meramente metafísico em que o espírito supera a matéria, o Eu psicológico renascido em suas mentes.
Eis, destarte, a lição da Fênix remoçada!
Bons estudos!

REFERÊNCIAS
gnosisonline (acesso em 15.07.2015)
wikipedia (acesso em 15.07.2015)

Sobre o Autor

ARLS Aerópago Itabunense n° 9 GLMEBA/CMSB Oriente de Itabuna

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