Não é a mais forte das espécies que sobrevivem,
nem as mais inteligentes,
mas as mais receptivas à mudança.

Charles Darwin

Este importante tema tem ocupado a mente de líderes maçônicos do mundo todo, desde que foram constatadas as influências das mudanças do atual mundo pós-moderno na maçonaria. O crescimento da Maçonaria foi exponencial nas últimas décadas, principalmente nos países que mantinham regimes totalitários, mesmo assim, ainda não está presente em todos os países. Podemos citar alguns em que por momentos existiu, instalou-se e foi adormecida, como: Arábia Saudita, Argélia, Iêmen, Indonésia e Irã. No entanto, uma pesquisa mais direcionada trará outros locais onde a maçonaria ainda não está presente.

Enquanto em alguns países ela se instala, em outros, onde tradicionalmente está inserida desde muito tempo, vê-se uma redução em sua influência e de seus quadros nas sociedades mais desenvolvidas economicamente e culturalmente. Isso não significa que a necessidade do propósito filosófico da Maçonaria seja descartável, mas que sua influência é menor do que no passado.

Só este ponto merece uma atenção de nossos dirigentes maçônicos, para que sejam implantadas mudanças importantes para que retomemos nossos objetivos como instituição progressista.

Enfrentar desafios e procurar soluções não é algo novo para a instituição. Os desafios para a nossa integridade fizeram parte da história maçônica, mesmo antes de 1717. Procuramos soluções por séculos, e ainda assim, os desafios permanecem. No entanto, nossa sobrevivência durante esse período é indicativa do nosso sucesso como instituição.

Ressaltamos que todo o desafio, seja ele do tamanho que for, é transitório, pois nossos princípios e propósitos filosóficos nunca foram esquecidos e descuidados. Prova que continuamos prosperando em todo o mundo, pois nossos objetivos são universais e eternos.

O que consideramos desafios atuais para a Maçonaria?

Creio que um dos principais problemas é a crise de valores que a nossa sociedade pós-moderna está enfrentando. O consumismo, a busca pelos objetos de desejo tem explodido nas identidades sociais e personalidades, criando indivíduos narcisistas, individualistas e inseguros diante da multiplicidade de escolhas que a vida lhe oferece, pressionando-os que nada e nunca está pronto, sempre há algo a adquirir, ou algo novo a aprender.

As relações sociais tornam-se superficiais e seus laços são facilmente desfeitos, os relacionamentos afetivos terminam sem motivo, tão rápido quanto começaram. Há um sentimento de vazio e desamor.

Outro ponto que devemos refletir é que muitas pessoas não desejam assumir compromissos semanais que possam lhe “roubar” o tempo livre para sair, beber com amigos, ir ao cinema, realizar um curso noturno ou até mesmo jogar futebol, já que o mundo moderno é exigente a tal ponto que devemos trabalhar para ter e viver as expectativas de adquirir um carro mais moderno, um apartamento em um bairro mais nobre. Ter é a palavra-chave. “Ser” um homem melhor deixou de ser prioridade.

É bem provável que nossas respostas não venham com tanta facilidade, pois ainda surgem mais perguntas:

É necessário que nos tornemos fundamentalmente diferentes do que nos últimos 300 anos?

As mudanças ambientais do mundo moderno são tão diferentes das do passado que a filosofia maçônica, com sua ênfase na moral e ética, não é mais aplicável?

Afirmo, que diante do afrouxamento dos preceitos éticos, não é a Maçonaria que deve mudar. Mesmo que a sociedade as tenha reduzido, não significa que devemos relaxar nossa vigilância ética e moral para nos adequarmos. Devemos, sim, é puxar os outros para os nossos padrões e não descer a nível mais baixo, para poder integrá-los à Ordem.

Eu penso que o problema não é conosco e nossa filosofia, mas sim com a sociedade e seus valores. Nossa preocupação, hoje, não deve tanto estar com o ambiente em mudança no qual operamos, mas sim nossa reação a tudo o que ocorre.

Tranquilizo-me ao ler a história da maçonaria e entender que ela sobreviveu e floresceu em ambiente em constantes mudanças nestes três séculos.

A Maçonaria não chegou até os nossos dias se inclinando aos desejos ou às exigências de uma sociedade carente de valores éticos e morais, constituído de atributos basilares de nossa Instituição. Também não prosperou subjugando o seu trabalho a regimes ditatoriais ou a poderes religiosos opressivos. Não se tornou a maior organização concebida pela mente humana, reduzindo nossos padrões e sacrificando nossos princípios para receber maiores números ou aceitação do mundo profano que não faz nenhuma tentativa de nos entender.

A Maçonaria tornou-se grande e com prestígio devido ao nosso cuidado e compromisso de reter as qualidades que a tornaram a Instituição que goza de prestígio e respeito.

Porém, se esse prestígio diminui nossa influência na evolução contínua da sociedade, essa é uma perda trágica para o mundo. Outro desafio a ser enfrentado.

Ao escolhermos um cidadão para ingressar na maçonaria devemos buscar aqueles que possuem atributos que irão contribuir para o fortalecimento dos valores éticos e morais. E os que não possuem? Muito bem, a minha resposta é a que dizem que para fazer porcelana fina não pode ser usado barro ruim. A maçonaria não é, e, nunca será, reformatório. Há instituições vocacionadas para este trabalho.

Historicamente, os maiores desafios enfrentados pela Maçonaria eram externos. Nossos maiores inimigos foram líderes de governos ditatoriais e de religiosos fundamentalistas.

Os desafios da maçonaria no século XXI não são mais os externos, infelizmente são internos, com questões que levam a dissensões e rupturas, enfraquecendo suas estruturas. Vaidades, egoísmo e busca de poder são mazelas que devem ser extirpadas na Instituição.

Desejamos legar uma Maçonaria que enfrente os desafios do século XXI e ingresse no século XXII com uma história de superação e ensinamentos para os nossos Irmãos do Futuro.

Sobre o Autor

ARLS Estrela do Sul, nº 84 Oriente de Bagé • GOB/RS ARLS Acácia das Lavras, nº 4512 Oriente de Lavras do Sul • GOB/RS

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