O conceito de holismo(o grego holos – inteiro ou todo) é a ideia de que um sistema não pode ser explicado apenas pela soma dos seus componentes. Ainda que seja amplamente explorado nos dias atuais, muitas vezes de forma errônea ou irresponsável, o princípio geral do holismo foi resumi- do da melhor maneira pelo lósofo grego Aristóteles. No conjunto de volumes que batizou de Metafísica, o funda- dor da loso a ocidental a rma: O todo é maior do que a simples soma das suas partes. Esse raciocínio genial vai além dos organismos vivos, ajudando-nos a compreender melhor as organizações sociais e correntes de pensamento.

Proponho realizarmos um breve exercício metafí- sico para entender como na maçonaria, na cidadania e na educação o todo é sempre maior que a soma de todas as suas partes. Comecemos pela educação, constituída por alunos, professores, escolas e outros formadores que podem ser vistos de forma individual. Se quisermos entender o processo educacional em toda sua essência e poten- cialidade, entretanto, temos que ir além. A união dessas partes é capaz de empreender profundas mudanças de mentalidade nos âmbitos local, estadual e nacional. Vale frisar que o mesmo é válido para um panorama geral em que há a ausência sistemática de educação, desencade- ando uma séria de problemas e di culdades.

Partindo para a cidadania – in uenciada pela edu- cação –, também temos direitos, deveres e atuações políticas individuais que, somadas, trazem resultados maiores em diferentes níveis. Essa união de pequenas partes constitui o Estado com todas as suas nuances e peculiaridades, sejam para o progresso (quando aparecem ativa e propositivamente) ou o retrocesso (quando estão ausentes ou distorcidas).
Finalmente, analisemos a Maçonaria, que não deixa de ser diferente. Ela é feita por nós maçons, nossas Lojas, Obras, Grupos de Ação, Orientes Estaduais e GOB. Entretanto, a união dessas estruturas transcen- de sua soma, constituindo a verdadeira Maçonaria, uma estrutura extremamente capilarizada que vai além de prédios e pessoas.

Nosso exercício metafísico de raciocínio aristoté- lico pode e deve ir além. Se dermos um passo para trás para observar esse quadro que montamos em sua totalidade, vemos que Educação, Cidadania e Maço- naria também podem ser encaradas como partes de um todo ainda maior. Essa é a grande Obra que to- dos buscamos realizar enquanto cidadãos e temos a responsabilidade de perseguir enquanto Maçons – a construção de uma sociedade melhor.

Essa constatação em que chegamos após nosso exercício holístico é apenas o começo de um proces- so, principalmente quando pensamos no tamanho da responsabilidade que assumimos como Maçons de ser a vanguarda das mudanças sociais. A construção desse mundo melhor, entretanto, não é operada em grandes escalas. É impossível in uenciar essa tota- lidade de uma vez. Para tanto, precisamos fazer o caminho inverso, focando nas pequenas partes que formam essa soma.

Minha busca como mais um dos integrantes da ges- tão que assumiu o Grande Oriente de São Paulo (GOSP) desde junho de 2015, é incentivar a participação dos Ir- mãos em todos os setores de gestão, seja público, pri- vado ou de classe. Para isso, conto com uma equipe repleta de líderes brilhantes, que ajudam na tarefa árdua de realizar nosso papel nas mudanças sociais. Isso passa por educação, empoderamento pela noção de cidadania e prática diária da maçonaria, saindo das reuniões e lo- jas e partindo para a vida cotidiana.

Costumo dizer que em duas horas semanais de Maçonaria você aprende sobre Filoso a Maçônica e a edi cação moral do homem, mas que a grande ação do Maçom está fora da Loja, na sociedade, nas 166 horas de semana que restam. É a hora dos Maçons se aliarem às outras pessoas de bem. Partindo disso, precisamos estimular as Lojas a atuarem como “centros de formação” de líderes sociais, aptos a trabalhar em benefício da coletividade com os Valores Maçônicos como plataforma, ampliando e difundindo es- ses princípios. Se lá atrás, há muitos anos, os Maçons cons- truíam igrejas, hoje os Maçons constroem homens. Cabe aos Orientes Estaduais e Nacional auxiliar nesse processo e ajudar os Irmãos a atuarem na formulação, implementação e monitoramento de Políticas Públicas, fortalecendo a prática da responsabilidade social. Isso deve ocorrer tanto na área política quando em organizações da sociedade civil.

O GOSP tem quase 800 Lojas e milhares de Ir- mãos, o que torna o desa o imenso. Ainda assim, com a união entre os Poderes Maçônicos e um tra- balho árduo e incessante, essa é uma realidade cada vez mais próxima. Afinal de contas, não temos outra opção. Trata-se de uma revolução pací ca, um movimento cívico e democrático, centrada em educação, cidadania e nos ideais Maçônicos. O único curso pos- sível é o de deixar a plateia para sermos protagonistas no processo de evolução da sociedade.

Fonte:
http://www.gosp.org.br/noticia/educacao-cida- dania-e-maconaria-um-exercicio-metafisico/

Sobre o Autor

Grão-Mestre Estadual do Grande Oriente de São Paulo (GOSP)

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