A Maçonaria na sociedade barrense
Desde 1888, que o solo das beiras do Rio Piraí ,recebeu a luz flamejante da Maçonaria, quando providencialmente aqui chegou o Padre José de Almeida Martins, precursor da chamada questão religiosa, que serviu para mostrar a inconveniência da ligação entre a Igreja e o Estado. No seu trabalho, “Questão Episcopo-Maçônaria, Felinto Pereira Lacerda, enfatiza que o “Regalismo não abriria mão do direito de se intrometer em assuntos de ordem espiritual, para reger os negócios de Estado, com maior segurança. Os governos consideravam o clero como uma classe de funcionários do Estado. Assim, julgavam-se no direito de dirigi-lo até na esfera estritamente espiritual.
O clero não via o fato com bons olhos. Como as concessões à Igreja eram inúmeras, visando fortalecer o poder temporal, ela consentia em ouvir o poder civil sobre os meios mais próprios de fazer cumprir as ordens pontificas.
Tinha assim, o Regalismo, a propriedade da autoridade civil sobre a eclesiástica, contida na Constituição de 1824 e resultou na causa do conflito religioso que abalou o Brasil nos anos de 1872 a 1875.
O Padre José Luis de Almeida Martins, nasceu em 14 de novembro de1838, em lugar chamado Rebordolo, província de Trás os Montes, em Portugal, filho de Francisco Manoel Martins, português e de Maria Rodrigues de Almeida brasileira e fluminense. Tendo ou não a vocação, seguiu a carreira eclesiástica. Mais tarde adotou a cidadania brasileira. Dedicou-se também ao magistério, como professor, diretor e proprietário de um colégio, fundou-o na década de 1860, no Rio de Janeiro, denominado Colégio Almeida Martins. Fez parte da Maçonaria, da qual chegou a ser uma das figuras mais expressivas. Era membro efetivo do Supremo Conselho do Brasil Grau 33 e Grande Oriente Unido do Brasil e exerceu, interinamente em 1872, o cargo de grande Orador, do Grande Oriente do Brasil. Foi agraciado pelo Rei de Portugal, com a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, no grau de cavaleiro. Durante algum tempo ocupou a atenção de toda a população do Império em virtude de suas atividades maçônicas, o que obrigou o Bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, a tomar uma providência energética, privando-o temporariamente da faculdade de confessar e pregar. Tudo começou em 02 de março de 1872, quando o Grande Oriente do Brasil, realizou uma grande festa em homenagem ao Visconde do Rio Branco, na qual discursou o Padre José Luis Almeida Martins, na qualidade de Orador Oficial. O Grande Oriente do Brasil, não permaneceu indiferente a punição sofrida pelo irmão-sacerdote e numa das sessões seguintes, protestou contra o ato do Bispo, lendo um manifesto ao Povo Maçônico. Foi o estopim da grave crise político e religiosa, conhecida pelo nome de Questão Religiosa, que tanto influiu para a queda do Trono. Agindo cautelosamente, tratou o Padre José Luis de Almeida Martins, resolver sua situação, conseguindo ser reinvestido das antigas prerrogativas que desfrutava na Igreja, como sacerdote. Mas sua carreira eclesiástica, daí por diante, haveria de ficar seriamente comprometida para o resto da vida. Depois desses acontecimentos de que foi a figura principal e, na fase inicial vai para Barra do Piraí, em 1888, como vigário da freguesia de São Benedito, cuja função acumulava com a de Capelão da Irmandade de São Benedito.

Instalação da primeira Loja Maçônica: Fé, Amor e Liberdade
Em Barra do Piraí, até o final de seus dias, o Padre Almeida Martins, foi fiel ao ideário, pregando contra o regalismo, quando afirmava que a Igreja Católica se tornava um mero apêndice do Estado, com os eclesiásticos transformados em simples funcionários civis. Defendia a Igreja separada do Estado e sua condição maçônica. Desde que chegou ao povoado barrense desenvolveu atividades religiosas paralelas e maçônicas. O prédio da Capela de São Benedito, por sua configuração retangular, foi escolhido como local das primeiras reuniões da Loja Maçônica “Fé, amor e Liberdade”. Dois de março de 1981, aniversário da “Questão Religiosa”, tendo como madrinha a “Loja Estrela do Oriente de Vassouras”, realizou-se a sessão magna de sagração da primeira oficina de obreiros filhos da viúva no interior de um templo cristão.
Em Barra do Piraí, a situação era muito tensa com a maioria dos paroquianos denunciando ao Bispo Dom José Pereira a Silva Barros, o uso do Templo de São Benedito para a realização das sessões dos filhos da viúva da Maçonaria. Na senda da noite, naquele ínterim, removeram todos os paramentos maçônicos, para a casa da irmã José Leandro Carota, no bairro Santo Cristo, chefe de Imigração Italiana, Rua Andrade Pinto, 40, onde até em um subterrâneo ao nível do Rio Piraí construíram a Câmara das Reflexões. Como a pressão eclesiástica prosseguia, a solução encontrada foi transferir aquela Augusta e Respeitável “Loja Capitular Fé, Amor e Liberdade”, para um ponto afastado de Mendes, onde abateria Colunas. Em 1985, ressurgia com o nome de José Bonifácio, quando retornaria definitivamente a Barra do Piraí.

O retorno da Loja Maçônica A Barra do Piraí
No dia 28 de setembro de 1901, reuniu-se com número legal e sob a abódoda do Templo os obreiros da Augusta e Respeitável Loja Capitular José Bonifácio do Oriente de Mendes e sob os auspícios do Grande Oriente do Brasil e Supremo Conselho do Brasil, celebrou aquela oficina uma sessão histórica, a qual foi presidida pelo seu Venerável Nicolau Maria Milani, grau 33, ocupando os lugares de 1º e 2 º Vigilantes, os irmãos Joaquim de Castro Oliveira Portugal, grau 17 e Cristiano Clemente, grau 30, Orador o irmão Júlio Fernandes Vieira, grau 30 e o Secretário, o irmão Virgílio Godinho da Silva, grau 18. Aberta a sessão foi concedida a palavra em bem geral da nossa Ordem e em particular do quadro e tomando a palavra o poderoso irmão Nicolau Milano, que declarou tendo que transferir a sua residência para Barra do Piraí, e, não podendo comparecer às sessões com assiduidade precisa, lembrou aos presentes a necessidade de sua demissão do cargo que exercia e que fosse eleito outro irmão para preencher o respectivo cargo, mas que antes de tomar esta resolução consultava a oficina a respeito.
No dia 12 de outubro de 1901, Alta nº 227, os obreiros da Augusta e Respeitável Loja Capitular José Bonifácio do Oriente de Mendes, sob os Auspícios do Grande Oriente do Brasil, em sessão extraordinária deliberou a mudança da Loja para a sede do Município na cidade de Barra do Piraí. A sessão Magna de inauguração deu-se em 18 de janeiro de 1902, num antigo prédio depois do Cine Teatro Speranza, onde se encontrava o BANERJ, tendo como 1º Venerável o IR Ildefonso Leite Falcão Dias, isto em 1985.

Implosão e incorporação das Lojas Maçônicas
A Maçonaria no Brasil, e, a exemplo de quase totalidade dos países democráticos (nos países sob o regime de força, a Maçonaria funciona clandestinamente, dirigida por duas entidades, dirigida por duas entidades. O Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas.
Maçonaria, no entanto, é ideal, é doutrina, é fraternidade, por conseguinte é uma indivisível em torno de seus ideais. O fato de existirem duas potências dirigindo a Maçonaria nos vários países, não quer dizer separação, estando dividido apenas o sistema de dirigir Lojas Maçônicas.
Em 17 de junho de 1822, fundou-se no Brasil, o Grande Oriente do Brasil, tendo como seu primeiro Grão Mestre o Eminente Irmão José Bonifácio de Andrade e Silva.
Ali foram iniciados os maiores vultos da História da Pátria dentre eles D. Pedro I, que também foi seu Grão Mestre.
E assim, viveu o Grande Oriente, como potência única até 1927.
Nesse ano, divergiram Mário Bering, Octávio Kelli Moreira Guimarães e outros eminentes Maçons, que se retiraram do GOB, fundando as Grandes Lojas, como segunda Potência Maçônica, porém só sob a égide dos mesmos princípios idealísticos.
Iniciaram, então, os fundadores dessa segunda Potência um trabalho de catequese, arregimentando algumas no interior.
Em 1948, era Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, o falecido Dr. Joaquim Rodrigues Neves, presidente da OAB, homem de muito valor. Entretanto, o seu modo de dirigir a vida Maçônica das Lojas do Interior, provocou descontentamento entre essas Lojas e dentre essas a Loja José Bonifácio, fundada sob os auspiciosos do GOB, em 23 de novembro de 1985, até que, em 29 de junho de 1948, sob o Malhete do falecido Irmão Daniel Baronto, está Loja se desligou do GOB, filiando-se às Grandes Lojas. Tal desligamento foi em obediência a um abaixo-assinado de vários irmãos que pediam essa medida em caráter transitório, pois por tal abaixo-assinado se comprometiam retornar ao Grande Oriente do Brasil, tão logo cessassem os motivos causadores do descontentamento existente.

Retorno da José Bonifácio ao Grande Oriente
E assim esteve Loja José Bonifácio, sob a jurisdição das Grandes Lojas, até 24 de agosto de 1964, quando tomou posse o Irmão Joaquim Francisco dos Santos, eleito Venerável desta Loja em maio deste ano.
O desligamento ocorreu em obediência a um segundo abaixo-assinado dirigido ao Venerável Joaquim Francisco dos Santos pedindo o retorno ao Grande Oriente do Brasil, em virtude de não mais existirem as causas que levaram a Loja a se desligar dessa potência Maçônica.
E em sessão especialmente convocada para aquele fim, com a presença de 97 Irmãos, o assunto foi discutido e votado com o que não concordava: Mário Moacyr Salgueiro e outros que se retiraram da sessão totalizando 9 irmãos que fundaram a extinta Loja Gonçalves Ledo nº 15 sob os auspícios das Grandes Lojas.
A Loja Maçônica Gonçalves Ledo nº15, fundada em 15 de outubro de 1964, regularizada em 15 de janeiro de 1965, sob os auspícios da Sereníssima Grande Loja Simbólica do Estado do Rio de Janeiro.
Primeira Diretoria: Venerável: José Cerqueira Júnior;
1º Vice Presidente: Eurico Quintanilha Filho; 2º Vice Presidente: Rômulo Neves Gonzaga; Orador: Paulo Celso Chaves Baronto; Secretário: Ed Salgueiro; Tesoureiro: José Simeão de Avellar e Chanceler: Ney Moacyr Salgueiro.
A Loja Maçônica Dez de Março, fundada em 10 de março de 1966, sob os auspícios do Grande Oriente do Brasil.
Primeira Diretoria: Venerável: Luiz Ferreira Maracajá; 1º Vice Presidente: Milton Aquino dos Prazeres; 2 º Vice Presidente: Manoel Viana e Silva; Orador: Mário da Costa Aragão; Secretário: Ary Marques Carolino; Tesoureiro: Isaac Waissman e Chanceler: Floriano Pereira Neves.
Pelo Ato Deliberativo 005/74-77, do Grão Mestrado das Grandes Lojas do Estado do Rio de Janeiro, em 27 de setembro de 1975, efetivou-se a fusão das Lojas Gonçalves Ledo, n º 15 e 10 de Março, sendo criada a atual Loja Maçônica Mário Moacyr Salgueiro nº 15, que teve sua Primeira Diretoria assim constituída: Venerável Mário da Costa Aragão; 1º Vice Presidente: Ney Moacyr Salgueiro;2 º Vice Presidente: Eustachio Joaquim Duarte Filho; Orador: Pedro Jacintho Ferreira Filho; Secretário: Alcy Lucas da Silva; Tesoureiro: Eurico Quintaninha Filho e Chanceler: Luiz Ferreira Maracajá.
Ao longo de sua história centenária de Barra do Piraí, a obra maçônica foi solidamente argamassada nos seus pilares quando em 25 de outubro de 1889, houve a sagração do prédio próprio e moderno da Loja Maçônica Mário Moacyr Salgueiro, pelos veneráveis Irmãos, Dr. Ney Moacyr Salgueiro, Estachio Joaquim Duarte Filho e de mais Irmãos, tendo convidado o Grão Mestre das Grandes Lojas do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Moreira.
Hoje a família maçônica barrense é agasalhada pela Loja José Bonifácio do Grande Oriente do Brasil e Mário Moacyr Salgueiro, das Grandes Lojas. Dentro dos festejos rumo ao cinqüentenário das Grandes Lojas do Estado Rio de Janeiro, segundo o Venerável Eustachio Joaquim Duarte, 300 maçons, aproximadamente estarão reunidos neste dia 27 em Barra do Piraí, tendo a frente o Grão Mestre Luiz Zweiter, Presidente da OAB, os astros da TV como o ator Milton Gonçalves. Como desde os primórdios barreasses, hoje, Barra do Piraí, recebe as luzes da maçonaria brasileira.

Este trabalho for transcrito do Jornal Centro Sul,
sessão “HISTÓRIA DE BARRA DO PIRAÍ”,
do Ir Diretor Gilson Braumgratz.

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