Com aproximadamente três mil pessoas, no dia 15 de junho de 2012, em comemoração ao aniversário de 190 anos, o GOB homenageou os maçons mais velhos de cada estado da federação. A sessão foi presidida pelos veneráveis das três Lojas Maçônicas Comércio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Nictheroy, lojas fundadoras em 17 de junho de 1822, do Grande Oriente do Brasil.

Na mesa, o Grão-Mestre Geral do GOB, Sob∴ Ir∴ Marcos José da Silva, o Grão-Mestre Geral Adj∴ Sap∴ Ir∴ Claudio Roque Buono Ferreira, o Presidente da Soberana Assembleia Federal Legislativa Sap∴ Ir∴ Arnaldo Soter, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Ir∴ Dorival Lourenço da Cunha, o Sob∴ Grande Primaz Ir∴ Nei Inocencio dos Santos, o Sob∴ Gr∴ Inspetor Geral Ir∴ José Maria B. Batalla, o Grande Inspetor da Ordem do R∴E∴A∴ E A∴ Sob∴ Ir∴ Cid Ney Filardi Ramos. Na plateia, todos os Grão-Mestres estaduais, representantes de todos os Ritos, das Fraternidades Femininas, APJS e maçons de todos os graus e estados do Brasil.

O Grande Oriente do Brasil foi fundado no dia 17 de junho de 1822, na cidade do Rio de Janeiro, Capital do Império. Para que pudesse ter sua regularidade reconhecida por outras Potências (ou Obediências) Maçônicas, havia a necessidade da existência de, pelo menos, três Lojas Maçônicas sob sua jurisdição. Sob a inspiração de Joaquim Gonçalves Ledo, seu verdadeiro mentor, e José Clemente Pereira, membros da Loja Comércio e Artes que já existia desde 15 de novembro de 1815, foi acordado que esta última se dividiria em duas outras Lojas Maçônicas, dando assim origem às Lojas União e Tranquilidade e Esperança de Nictheroy. Surgiu assim, a Loja Esperança de Nictheroy n° 0003 e também o Grande Oriente do Brasil, que recebeu sua carta Constitutiva do Grande Oriente Lusitano.

Na 2ª Sessão do Grande Oriente do Brasil de 21 de junho de 1822, prepôs o 1º Grande Vigilante, que havendo-se já estabelecido o Grande Oriente do Brasil, cumpria agora dar execução ao Parágrafo 1º do Cap. 4º da 1ª parte da Constituição, que manda erigir três Lojas Metropolitanas e que essas lojas deviam ser compostas dos maçons atuantes – igualmente repetidos e extraídos por sorteio.

A História

Criado nos tempos libertários, que arrebatavam os brasileiros, nos primeiros anos do século XIX, o Grande Oriente do Brasil-GOB faz 190 anos de história este ano. Sua biografia está ligada à própria história brasileira e desde que se instalou no país, o ideal maçônico busca o desenvolvimento no sentido de influenciar no aprimoramento do homem. Seus ideais: ‘liberdade, igualdade e fraternidade’ crescem e acolhem aqueles que procuram por seus ensinamentos e suas condutas.

Segundo o Grão-Mestre Geral do GOB, Soberano Irmão Marcos José da Silva, a maçonaria sempre esteve presente na história do Brasil. “Para nós, maçons, a história do GOB em nosso país representa muito porque sempre exercitamos a ideia do sentimento de brasilidade, esse espírito é permanente dentro da maçonaria, seu nome e sua representação como país. A maçonaria sempre reverenciou e lutou para que fosse mantido em elevado grau esse sentimento e será sempre assim, porque o GOB é essencialmente cívico e brasileiro”, declara o soberano.

Fundado em 17 de junho de 1822, o GOB surgiu a partir das três lojas maçônicas Commércio e Artes, Esperança de Nicteroy, União e Tranquilidade que formaram a primeira obediência e lhe deu sustentação inicial. Assim, maçons com destaque em suas atuações no campo das letras, filosofia, artes, ciências entre tantas outras áreas fizeram parte da evolução da ordem e tiveram uma atuação marcante em episódios sociais e políticos do país.

A Independência Brasileira

“É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser homens possam consentir em tais absurdos e despotismos Vossa Alteza Real deve ficar no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para o nosso bem geral, mas até para a Independência e prosperidade futura do mesmo.” A fala proferida por José Bonifácio, em 1821, dá a dimensão do objetivo que os maçons tinham em conquistar uma nação livre da coroa portuguesa.

Assim, a primeira atitude desde o início das atividades foi a de influenciar na emancipação política do Brasil em curto prazo e conquistar o sentimento de soberania, um dos pilares que a maçonaria sempre defendeu.

O primeiro passo oficial neste sentido foi o Fico, em 09 de janeiro de 1822. O ato foi liderado pelos maçons, José Joaquim da Rocha e José Clemente Pereira, o que representou uma desobediência à corte portuguesa e tirou o Brasil da sua condição de colônia.

Ainda neste período, o primeiro grão-mestre do GOB, José Bonifácio de Andrada, o maçom e jornalista, Joaquim Gonçalves Ledo foram os líderes do movimento em favor da independência, e levaram para dentro da ordem, o príncipe regente Dom Pedro, iniciado na maçonaria no dia 02 de agosto de 1822 e três dias depois exaltado mestre maçom.

A Abolição da Escravatura

A atuação das lojas maçônicas teve um papel essencial na luta contra o período da escravidão brasileira. No campo teórico surgiam as leis feitas por maçons como: a lei que proibia o tráfico negreiro, em 1850, de autoria do maçom Eusébio de Queiroz; a Lei do Ventre Livre, em 1871, de autoria do grão-mestre Visconde do Rio Branco e a própria Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que teve forte participação e influência do maçom e mentor da Princesa Isabel, José do Patrocínio.

No campo das ações mais concretas, enquanto a abolição não ocorria plenamente, as lojas maçônicas foram responsáveis por decretos que minimizaram a crueldade do período, como a proibição da entrada de novos maçons que fossem senhores de escravos e que se mais tarde, viessem a possuí-los, seriam multados, àqueles senhores que já eram maçons estabeleceu-se a obrigatoriedade de alforriarem seus escravos. Com as importâncias arrecadadas pelas lojas maçônicas o objetivo era a compra do máximo número possível de escravas, para que fossem alforriadas e, em consequência, seus descendentes já nasceriam livres.

A República

O Brasil clamava pela República! Era uma questão de tempo, pois o regime monárquico não condizia mais com as transformações econômicas e sociais que o país atravessava. O ideal iluminista insuflado pelos grandes pensadores, que em sua maioria eram os maçons, dava sinais de que a campanha republicana iria empolgar o sentimento de nacionalidade do povo brasileiro.

Já nos idos de 1870, tem-se notícia documental de que ocorreu a Convenção Republicana de Itu, composta basicamente de maçons que preparavam o terreno para o que, futuramente, iria culminar na Proclamação da República.

Atentos a este cenário os maçons, através de várias lojas como a Vigilância e Fé, de São Borja – RS, Loja Independência e Regeneração III, ambas de Campinas – SP, aprovaram um manifesto contrário à continuação da monarquia e enviaram a todas as Lojas Maçônicas do Brasil, para que tomassem conhecimento e que apoiassem esta causa. E mais uma vez a maçonaria estava à frente para liderar um Movimento Democrático.

Uma semana antes da proclamação, um acontecimento importante foi a reunião na casa do maçom Benjamin Constant. Lá foi decidido que haveria a pressão pela queda do Império. Ao anfitrião ficou a incumbência de convencer o Marechal Deodoro da Fonseca a se juntar ao ideário republicano, e por fim, após êxito na ação, o Marechal assumiu o comando do movimento e proclamou, em 15 de novembro de 1889, a República no Brasil.

Durante o período republicano os maçons tiveram uma participação relevante, tanto no movimento para a Proclamação da República, como nos primeiros anos do governo, influenciando diretamente nos rumos político e econômico do país. Dos 14 presidentes da Primeira República que vai até 1930, no início do Governo Vargas, nove foram maçons refletindo a importância daquela elite pensante naquele momento.

Foram eles: Deodoro da Fonseca (1889 – 1891); Floriano Peixoto (1891 – 1894); Prudente de Morais (1894 – 1898); Campos Salles (1898 – 1902); Nilo Peçanha (1909 – 1910); Marechal Hermes da Fonseca (1910 – 1914); Venceslau Brás (1914 – 1918); Delfim Moreira (1918 – 1919); Washington Luis (1926 – 1930). Após o período de Getúlio Vargas, Café Filho (1954 – 1955); Nereu de Oliveira Ramos (1955 – 1956); Jânio da Silva Quadros (1961 – 1965) assumiram a presidência do Brasil.

Com a mudança da capital federal para Brasília foi somente em 1978 que o Grão-Mestre Osíris Teixeira, num de seus primeiros atos, transferiu a sede do Grande Oriente do Brasil do Rio de Janeiro, fazendo-se cumprir a legislação maçônica prevista. “Foi um processo muito complicado, pois, apesar da capital ter mudado em 1960, somente 18 anos depois é que veio efetivamente para Brasília, houve resistência, mas a legislação maçônica foi mantida acima de qualquer interesse.”, declara o curador do Museu Ariovaldo Vulcano, Sr.Luiz Alberto Chaves.

O GOB e a atualidade

Com mais de 2715 lojas, reconhecida por mais de 28 obediências e 300 maçonarias no mundo, o GOB, com seus cerca de 72 mil obreiros ativos, é hoje a maior obediência maçônica da América latina e se firma como uma secular instituição que – como é característico das instituições verdadeiramente relevantes e duradouras – se reinventa para responder aos desafios e às necessidades de um espaço de tradição e convivência sadia, com ações filantrópicas e de aprimoramento ético.

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