Foi registrada em artigo pretérito a existência de um ramo da escola maçônica voltada, mormente, para o misticismo, a qual se reputa bastante necessária para o momento atual de carência espiritual que, por vezes, é preenchida por charlatães que prometem o céu na terra, sempre em troca de uma pequena compensação pecuniária, prática adotada no medievo pelas Igrejas Cristãs que desembocou no protesto religioso e na cisão antipapismo.

Essa escola de caráter eminentemente místico desencavou o termo místico-filosófico egrégora (do latim, egregora, proveniente da raiz grega, grÐgorsiv “egregorsis”, com o significado de vigilância, que resultou, dentre outros, nas palavras portuguesas: Gregório e egrégio), ou seja, o somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas reunidas com qualquer finalidade espiritualista.

Isso, aliás, pode ser tido como válido, uma vez que, quando duas ou mais pessoas comungam de um objetivo comum, a tendência dessa energia espiritual liberada pelo corpo é de se agrupar, conceituação muito próxima da teoria da forma-pensamento, mediante a qual todo pensamento e toda energia têm existência, podendo circular livremente pelo cosmo.

Em Loja, o instante exato do agrupamento dessas forças vibratórias não é, como se poder-se-ia ou deveria esperar, quando é aberto o Volume da Lei Sagrada, mas, antes, quando o Vigilante (grigory, em grego) desce de seu trono, por ordem do Venerável Mestre com a missão de dar cumprimento ao segundo de seus deveres, percorrendo ambas colunas, fixando seu olhar nos olhos dos Irmãos para tomar ciência de que todos os presentes são verdadeiros Maçons, ao passo que esses mantém-se na postura adequada, todos compenetrados no momento solene.

Para mim, egrégora é termo novo, pois, quando fui iniciado em 1976, no Oriente de Cabedelo, na Paraíba, jamais soubera dessa formação espiritual. Quando, por fim, deparei-me com a terminologia, de nada adiantou buscá- -la em dicionário, mesmo os mais especializados. Em um opúsculo sobre misticismo, cujo nome me foge à lembrança, encontrei a referência de que essa palavra havia se tornado popular entre os espiritualistas, significando a aura de um local onde há reuniões de grupo, e também a aura de um grupo de trabalho.

Espiritualista, no meu modo particular de ver as coisas do mundo, entendo que basta o trabalho templário regular, constante e harmônico para gerar um nível vibratório elevado de uma egrégora capacitada a gerar paz e evolução espiritual, tudo dentro da harmonia que deve reinar entre os verdadeiros Irmãos.

Se nosso olhar voltar-se ao passado, observaremos que a egrégora, como movimento de vigília, foi bastante utilizada nas sociedades caçadoras e agrícolas da antiguidade. Presidindo aquela cerimônia de vigilância, encontrava–se um mago ou um xamã, que orava pela plenitude de animais na caça e a adequada precipitação pluviométrica na plantação.

Esse trabalho de vigilância deve ter ressurgido com o Martinismo, que, como se sabe, não admite a negociação ou pagamento pelos graus de conhecimento, ou seja, em um grupo Martinista, teoricamente, o dinheiro não é preocupação ou objetivo, pois, segundo esse princípio, tais necessidades pecuniárias prejudicariam a energia potencialmente coletada (a egrégora).

Falando no plano espiritual, quando a egrégora cuida do espiritual ou esotérico, sua presença pode ser sentida com mais profundidade, pois, da mesma forma que a fé mexe com nossos neurônios, a meditação espiritual fornece a força mediúnica necessária à comunicação entre os espíritos.

Em resumo, mesmo que restrita a poucos estudiosos e curiosos da simbologia e dos segredos maçônicos, cujo conhecimento dá-se sempre de forma tênue, o fato é que a egrégora foi muito bem assimilada e entendida pelos fundadores da Escola Mística da Maçonaria.

Sobre o Autor

M∴ M∴ do Or∴ de Juazeiro (BA)

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