“No princípio, Deus criou o Céu e a Terra…Deus disse: Haja Luz! E houve Luz…Viu que a Luz era boa e separou a Luz das Trevas…Deus disse: Haja um firmamento…e chamou o firmamento de Céu.”

Platão já nos falava: “Para crer em Deus basta erguer o olhar para cima”.
O teto de uma Loja Maçônica, simbolicamente, representa o firmamento natural e se denomina de Abóbada Celeste.
O Templo Maçônico representa a oficina de nosso interior, com seus pontos cardeais e seus firmamentos, que se estende de norte a sul, do oriente ao ocidente. É o macrocosmo igual ao microcosmo, o que está em cima é igual ao que está embaixo. As duas colunas J∴ e B∴ situadas na entrada do Templo, simbolizam os trópicos de Câncer e Capricórnio, sendo a linha imaginária entre elas o Equador de nosso planeta, cortando o quadrilongo.

Hoje, conhecer os planetas e as constelações, seus mitos e estórias, é tão útil (ou inútil) quanto saber o que significaram na História. Assim pensa a maioria, seja ela citadina ou maçônica, e poucos cultuam a celeste tradição de milênios…
É preciso observar que todos os sistemas primitivos do Universo eram ao mesmo tempo astrológicos e astronômicos, sendo assim, a observação do céu tinha como objetivo a interpretação, da qual a presença do Sol resplandecente na parte oriental da abóbada, e a Lua em quarto crescente entre as nuvens e as trevas do ocidente, obrigando o adepto a meditar sobre o início de seu caminho das Trevas em direção à Luz.

Deploravelmente, isso levou a deformações na Abóbada Celeste escocesa. Em alguns Templos, as modificações foram tantas que o “painel celeste” desapareceu! E, absurdamente, o substituíram por um simulacro do céu astronômico – pretensiosamente atualizado, enxameado de ‘ene’ pontos luminosos distribuídos a esmo. Assim, embora artisticamente embelezado e provido de recursos técnicos, como se fora um planetário, ele nada aponta e nada acrescenta à busca do Iniciado, a não ser mostrar seu faiscante e simbólico mutismo.

Por outro lado, naquelas Lojas que conservaram os cânones celestes do Rito, a sóbria abóbada também está emudecendo, cujo simbolismo torna-se calado por falta de intérpretes!…
Outro exemplo que podemos citar é quando um Neófito penetra no Templo para ser iniciado, fazendo-o pelo Ocidente, onde simbolicamente não há luz. Em sua caminhada mística, purificar-se-á pelas viagens (ar, fogo, água e terra), passando pela parte menos atingida pelos raios solares (hemisfério norte – aprendizes), e posteriormente, recebendo mais luz (hemisfério sul – companheiros) até a chegada no Oriente.

Quando da criação do Rito Escocês Antigo e Aceito, colocou-se no céu da Loja 36 astros. Esses corpos celestes, cuidadosamente escolhidos entre mais de 5 mil outros, obedecem a uma disposição geométrica exata e são dos cargos e graus dos Irmãos em Loja, através da representação a saber:

O SOL

A Luz Maior do céu e da Loja, representando o V∴ M∴, colocado no Oriente e no eixo da Loja. Para os gregos, representava o deus Hélios percorrendo o céu numa carruagem de fogo puxada por quatro cavalos (as estações do ano);

A LUA

Selene rege o 1º Vig∴. Era filha de Hyperion e de Teia e irmã de Hélios. Mais tarde identificada como Ártemis pelos gregos e Diana pelos romanos, também percorria o céu numa carruagem, mas de prata.

MERCÚRIO

Símbolo da astúcia, protetor dos viajantes e dos comerciantes, identificado com o Hermes dos gregos, era filho de Maia e Zeus (Júpiter), de que recebeu o encargo de mensageiro dos deuses. Tinha um par de sapatos alados e um capacete também alado. Carregava um bastão com duas serpentes enroladas (caduceu), símbolo da paz (harmonia de forças opostas). É o mentor e mais rápido dos planetas. É também o mais próximo do Sol, e por isso representa o 1º Diác∴.

VÊNUS

É o segundo planeta mais perto da Terra. Para os gregos era Afrodite, a deusa da Beleza e do Amor. Surge sempre próxima á Lua e é o astro regente do 2º Diác∴. Conhecido ainda hoje como”Estrela Vesper”, a primeira a aparecer no céu. Vênus era o “mensageiro do dia”, anunciando a hora de começar e de encerrar o período de trabalho.

JÚPITER

Era Zeus para os gregos. O maior planeta do Sistema Solar, era o Deus Supremo do Universo, pais dos outros deuses e dos homens. Júpiter é o guardião do direito, o defensor do Estado, protetor das fronteiras e do matrimônio. Seu atributo é o raio, temido por todos os deuses e mortais. Júpiter é o astro regente do Past-Master e por isso fica no Oriente, à esquerda do Sol.

SATURNO

É o sexto planeta e o segundo em tamanho. Possui três anéis na altura do equador e 15 satélites, dos quais só nove eram conhecidos na época em que os Rituais foram escritos. Saturno é Cronos para os gregos, senhor do Tempo e da Eternidade, Pai de Zeus, por ele destronado. Na Loja, Saturno é representado com seus três anéis e nove satélites, exatamente sobre o Centro Geométrico do quadrado do Ocidente. Saturno rege a Cadeia de União. Os seus três anéis representam os nove cargos sefiróticos (Venerável, Orador, Secretário, Tesoureiro, Chanceler, 1º e 2º Vigilantes, Mestre de Cerimônias e Cobridor/Guarda do Templo).

STELLA PITAGORIS

A Estrela Virtual ou Estrela Flamejante, colocada sobre o altar e regente do 2º Vig∴, representa o iniciado que consegue integrar-se ao Universo. O homem-deus, Cristo, Buda ou mesmo Hércules, o iluminado que transcende a condição humana.

Na Abóbada Celeste também temos as Estrelas Reais:

ACTURUS

Estrela Alfa da Constelação de Bootis, que em grego quer dizer “guardião de animais, zagal”. Por sua posição junto á Ursa Maior, é conhecida como a “Guardiã do Urso”. Corresponde ao cargo de Orador, o guardião do Oriente. Sua posição no céu do Templo é exatamente em cima da grade do Oriente.

ALDEBARÃ

Estrela Alfa da Constelação de Touro, a qual pertencem as Plêiades e as Hyades. O nome Aldebarã significa em árabe, “o sequaz” ou “o adepto”, por causa da sua posição próxima às Plêiades e às Hyades. Na abóbada maçônica, rege o cargo de Tesoureiro.

FORMALHAUT

Alfa Piscis Austrinis, em latim significa Peixe do Sul, e aqui uma correlação com a coluna Zodiacal de Peixes. Formalhaut é uma palavra árabe que significa “a boca do peixe azul”. Se aplica ao cargo do Chanceler.

REGULUS

Alfa Leonis é a estrela mais brilhante da Constelação de Leão. Repousa quase exatamente sobre a Eclíptica e é assim representada em Loja. Na Astrologia, Regulus sempre manteve posição de comando. Ela dirigia todos os trabalhos do Paraíso. Foi Copérnico quem a batizou com o nome de Regulus, que significa “regente”. Corresponde ao cargo de Mestre de Cerimônias, o mordomo ou regente dos trabalhos da Loja, cuja jóia é também uma régua.

ANTARES

Alfa Scorppii – Estrela vermelha super gigante. Durante séculos, a maior estrela conhecida. As vezes, confundida com Marte. Com efeito, Antares, em grego significa “ o rival de Marte “. Tanto Antares como Marte (Ares) são vermelhos e ocasionalmente aparecem próximos. É o astro regente do Cobridor/Guarda do Templo.

SPICA

Alfa Virginis (em latim “a espiga”) é a estrela regente do cargo de Secretário. Além de estar nitidamente associada à coluna da Beleza – feminina -, guarda ainda relação com a palavra de passe do companheiro. Por outro lado, os primitivos instrumentos de escrita usados pelos gregos e romanos não eram penas, mas canetas feitas com caules ocos de vegetais chamados de ‘spicula”. Curiosamente e por alguns, Spica não é considerada uma “estrela real”.

Na Abóbada da Loja também aparecem estrelas pertencentes a quatro constelações:

ÓRION

Constelação equatorial, é facilmente identificada por sua configuração geral de um retângulo formado por três estrelas brilhantes com uma linha de três estrelas cruzando o centro que formam o “cinto de Órion”, são popularmente conhecidas como “As Três Marias” ou os “Três Reis Magos”. Maçonicamente, Orion pode ser associado ao avental com as três estrelas do cinto representando a abeta, e as quatro representando o retângulo do avental. No teto do Templo, só são representadas as três estrelas porque representam a idade do aprendiz que ainda não tem o domínio do espírito sobre a matéria. A respeito da imagem do avental, mais uma coincidência: na tradição árabe mais antiga, Órion era chamado de “A ovelha de cinto branco” e o avental do aprendiz é feito de pele branca de carneiro com um cinto. As três estrelas de Órion são regentes dos aprendizes.

HÍADAS OU HYADES

São um notável grupo de cinco estrelas formando a ponta de uma flecha na Constelação de Touro. As Híadas são as estrelas regentes dos Companheiros. O próprio grupo de estrelas tem a forma da marcha de Companheiro e talvez a tenha inspirado.

PLÊIADES

É outro grupo de estrelas da mesma Constelação de Touro. São também conhecidas como “as sete irmãs”. Elas regem os Mestres Maçons, a Plêiade de homens justos.

URSA MAIOR

“O Grande Urso” é considerado a Constelação mais antiga. No teto da Loja, são representadas as suas setes estrelas mais importantes que formam a “charrua”. A última estrela da cauda da Ursa Maior, a Alkaid, também conhecida como Benetnasch; ambos os nomes fazem parte da frase arábica “Qaid AL Banat ad Nash”, que significa “A chefe das filhas do ataúde maior”. Este nome provém da concepção árabe mais antiga que representava a Ursa Maior como um caixão e três carpideiras. Essa interpretação interessa à Maçonaria, pois a representação egípcia coincidia com a árabe de um sarcófago (de Osíris) e sua viúva (Isis) e filhos (os filhos da viúva) em procissão fúnebre. A Constelação da Ursa Maior e a regente do Past-Masters, pois as quatro estrelas da cauda formam o chamado “arco real”, atributo dos Mestres Instalados.

Assim, contamos 35 astros existentes na abóbada maçônica. Para completar os 36º, o último astro não está dentro do Templo. É o planeta Marte, para os gregos Áres. Marte é o deus da guerra e, como tal, não poderia figurar entre aqueles que buscam a paz e a harmonia. Por isso, Elias Ashmole desterrou-o para o Átrio, o reino profano dos tumultos e das lutas e deu-lhe a incumbência de “cobrir o Templo”, sendo o astro do Cobridor Externo. Do lado de dentro da porta foi colocado Antares, o rival de Marte, para garantir a fronteira entre o mundo profano e o iniciático.

Os Rituais dos Graus Simbólicos apenas fazem algumas (poucas) citações a respeito do assunto, o que gera dúvida e crítica, pois devemos saber de que tudo que há dentro do Templo tem uma razão de ser e simbolismo próprio, pois é neste Universo recriado no templo maçônico, e, no qual participamos da marcha divina do Sol, da passagem noturna das trevas, onde estabelecemos uma reunião harmônica entre esta pequena parcela terrestre e a imensidão celeste, é que o aprendiz despoja-se das ilusões da personalidade, busca na Fé, na Esperança e na Caridade para com seus semelhantes o combustível para a vida, e como uma larva, que para chegar ao seu completo desenvolvimento, passa por sucessivas transformações, o aprendiz aguarda sereno no setentrião o discernimento de espírito para continuar sua marcha.

Também existem outras interpretações, variando de rito para rito e das opiniões dos IIr∴ que se dedicam ao estudo de nossa Sublime Ordem. Por exemplo, em Maçonaria e Astrologia, o ilustre Ir∴ José Castellani associa os cargos em Loja aos sete planetas esotéricos: V∴ M∴ a Júpiter, Or∴ a Mercúrio; 1º Vig∴ a Marte; 2º Vig∴ a Vênus; Secr∴ a Lua; Tes∴ a Saturno; e M∴ de CCer∴ a Mercúrio.

Bibliografia:

– Ritual do 1° Grau do R∴E∴A∴A∴ – G∴O∴B∴
– www.misticismoeesoterismo.blogspot.com
– www.segredomaconico.blogspot.com
– www.maconaria.net
– www.formadoresdeopiniao.com.br

Sobre o Autor

ARLS Fraternidade Luz da Mantiqueira n° 2327 GOB/SP - Oriente de São Bento do Sapucaí

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