A Maçonaria é uma ordem Esotérica?

A despeito das opiniões que possam vir sobre o que seja a Maçonaria e respeitadas todas elas, pois cada um tem o direito de vê-la de acordo com suas próprias convicções, existem definições que são basilares na nossa Instituição.

Certo que existem Ritos, cujas liturgias são mais ou menos dirigidas ao esoterismo, em cujas cerimônias – especialmente aquelas que auferem Graus – com elementos mais ou nem tanto esotéricos. Há quem diga de peito aberto que o Rito Escocês Antigo e Aceito não tenha nada de esotérico. Aparentemente enxofre, mercúrio, sal, galo, vitriol, ampulheta e os quatro elementos são, na opinião destes, elementos objetivos. Creio que seja melhor parar aqui os comentários e deixar que cada um decida por si sobre o esoterismo no Rito Escocês Antigo e Aceito.

O Rito de York (nomenclatura adotada pelo Grande Oriente do Brasil) é muitas vezes chamado de avesso ao esoterismo, por conta das suas cerimônias relativamente simples na outorga de Graus, ou seja, nas suas cerimônias de iniciação (fazer um Maçom), passagem (para o grau de Companheiro) e elevação (Mestre Maçom). Tais cerimônias não contêm nas suas liturgias elementos dramáticos como os observados no Rito Escocês Antigo e Aceito. Todavia o caráter esotérico é sutil e eventualmente não necessita de elementos objetivos como os observados noutras cerimônias litúrgicas de outros Ritos. Fosse a Iniciação – ou qualquer concessão de grau – uma mera repetição de fórmulas vazias, não teria no seu bojo a transformação que cada um de nós tem quando se submete a elas. Há quem acredite na magia cerimonial como única forma eficaz de se transmutar, na magia numérica das datas. Não basta argumentar que o calendário gregoriano é uma convenção, que o judaico tem outras, o chinês outras, há quem acredite piamente na magia deste dia. Escrevo este texto em onze de novembro de 2011 e se eu estiver correto nas minhas previsões, amanhã o sol nascerá e tudo estará como dantes.

A sutileza do esoterismo também depende do recipiendário. Já participei de Sessões na Ordem Rosacruz – AMORC onde a mesma cerimônia foi tida como “maravilhosa” e “não aguentava mais aquilo, vou fumar um cigarro”. Tudo depende da nossa pré-disposição, mas tenho convicção do caráter esotérico da Maçonaria diante dos exemplos que vi. O Sagrado Arco Real, tido como “essência da Maçonaria” para os autores da lenda, declara explicitamente o caráter de mistério esotérico contido naquele Supremo Grau. Trata da reconstrução do Templo por Zorobabel, e no seu desenvolvimento recupera os segredos perdidos, que foram substituídos na mesma lenda.

Toda associação esotérica e secreta – que não é o caso da Maçonaria, somos discretos, não secretos – necessariamente tem de ter elementos exotéricos, caso contrário sucumbiria com a morte dos seus membros. Se desconsiderarmos a improvável existência de imortais, o esoterismo necessita de elementos externos, exotéricos. Vou dar um exemplo: A Igreja Católica Apostólica Romana tem cerimônias abertas. A Missa, batizados, casamentos, são públicas. O Crisma não, os crismados são iniciados numa Ordem Terceira, da ordem que a Igreja se reporta (Beneditinos, Franciscanos, Dominicanos, etc.) e além do Sacerdote e os crismandos, que serão “soldados de Cristo”, acompanhados dos seus padrinhos também crismados, ninguém pode ingressar. A ordenação de um Sacerdote é secreta, e a eleição de um Papa somente pode ter participação de Cardeais. A Igreja Católica Apostólica Romana tem elementos esotéricos, preservados por mais de dois milênios.

Deste modo, repito a pergunta. A maçonaria é uma ordem esotérica? Depende de como você a queira ver. Posso afirmar que sim, mas respeito sua opinião.

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