Na atualidade, diversos conhecimentos esotéricos que em outros tempos foram colocados à disposição dos Iniciados, como forma de auxiliá-los em sua jornada de conhecimento interior, foram banalizados por pessoas que querem se divertir às custas da credulidade de quem ainda busca uma orientação séria.

Os sonhos tem sido uma dessas formas de auxílio na jornada de crescimento espiritual para algumas pessoas. Para a grande massa, eles apenas servem como válvula de escape para os impulsos reprimidos durante o dia, permitindo a liberação de determinadas tensões que, a longo prazo, causariam um desequilíbrio. Para os Iniciados, os sonhos são uma dessas formas de se conhecer melhor, de se orientar, conhecer sua missão, seu propósito nessa vida, como nos confirma o excerto a seguir:

Os sonhos foram tidos outrora, como mensagens dos deuses ou dos anjos com o propósito de nos aconselhar ou prevenir. O psicólogo Carl J. Jung considerava os sonhos algo mais que a expressão integral e pessoal da consciência individual…Os sonhos cumprem determinados objetivos e um deles é o de nos orientar, ou instruir a respeito de questões pessoais e familiares. Por isso é recomendado que se dê atenção ao conteúdo dos sonhos, sobretudo quando o tema vem em sequência, por várias noites. É recomendável também que se tenha um caderno de anotações para registrar os sonhos imediatamente ao acordar. (AMORC: 2003:30).

Os sonhos, conforme a Bíblia, podem ser classificados em naturais, ou seja, os sonhos rotineiros que são um reflexo do nosso dia a dia, de acordo com o Eclesiastes, 5:3 “Porque da muita ocupação vêm os sonhos…”; divinos (Gênesis, 28:12) e figurativos.

Um meio comum de comunicação de Deus com o homem era pelos sonhos, como podemos constatar nos Livros Bíblicos destacados abaixo:

E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. (Números, 12:6).

Deus, porém, veio a Abimeleque em sonhos de noite, e disse-lhe: Eis que morto serás por causa da mulher que tomaste. (Gênesis, 20:3).

E sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, eu levantei os meus olhos e vi em sonhos, e eis que os bodes, que cobriam as ovelhas, eram listrados, salpicados e malhados. E disse-me o anjo de Deus em sonhos: Jacó! Eu disse: Eis-me aqui. (Gênesis, 31:10 e 11).

Veio, porém, Deus a Labão, o arameu, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Guarda-te que não fales com Jacó nem bem nem mal. (Gênesis, 31:24)

E em Gibeom apareceu o Senhor a Salomão de noite em sonhos; e disse-lhe Deus: Pede o que queres que eu te dê.
(I Reis, 3:5).

Como se observa nas citações acima, os sonhos em muitos dos casos foram utilizados para avisá-los sobre algum perigo ou orientar sobre determinados temas. O excerto transcrito a seguir complementa esse aspecto.

Sonhos que impressionam podem ser avisos? Podemos dizer que, sob uma forma geral, todos os sonhos nos impressionam. Quando sonhamos temos a impressão nítida de estarmos vivendo o momento real e estas impressões nos emocionam, levando a estados conhecidos de medo, amor, desespero e outros. Os sonhos podem nos trazer informações valiosas, pois procedem de nosso subconsciente onde estão registradas impressões que são mais ou menos significativas quando afloram em nível consciente durante o nosso sono. Embora muitas dessas impressões se revelem como símbolos, devemos procurar interpretá-los dentro do que estes mesmos símbolos exprimem para nós. Assim, a interpretação, por exemplo, de sonhos sucessivos é importante, pois nos revela verdades profundas para nossa vida atual. (AMORC, 2000:44).

Outro uso dos sonhos por Deus foi para dar revelação de eventos futuros que poderiam acontecer tendo sido uma dessas revelações o exemplo do sonho interpretado por José no Egito “Então disse José ao Faraó: O sonho do Faraó é um só; o que Deus há de fazer mostrou-o ao Faraó.” (Gênesis, 41:25).

Temos ainda, os sonhos que podiam ser usados de forma figurativa. Veja os exemplos a seguir:

Como um sonho voará, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite (Jó, 20:8).

Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores. Como um sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a aparência deles (Salmos, 73:20 e 21).

Quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham (Salmos, 126:1).

Em um determinado caso relatado, a pessoa, enquanto dormia, disse ter tido um sonho e ficou consciente do seu corpo na cama. Acordou, mas descobriu mais tarde que ainda estava dormindo. Sentiu também como se tivesse alguém do seu lado na cama. Nesse caso poderíamos esclarecer que,

Com relação ao sonho, existe um estado intermediário que pode produzir uma percepção dual em que a pessoa esteja consciente do fato que está sonhando e ao mesmo tempo esteja dormindo em sua cama. Nesse tipo de sonho lúcido pode-se ter, inclusive, inúmeros “despertares”, descobrindo mais tarde que continuava dormindo e apenas sonhando, até acordar efetivamente. Durante esses estados o sistema voluntário e o sistema nervoso autônomo ficam paralisados para prevenir que o corpo se mexa e se machuque ao fazer movimentos sugeridos pelo sonho. A mente, no entanto, que não está compreendendo completamente esse estado psíquico intermediário de consciência, tentará interpretá-lo gerando imagens às vezes assustadoras. Além disso, a impressão de se estar sendo observado por alguém ou alguma coisa ao lado da cama é um resultado comumente relatado deste estado de consciência, especialmente pouco antes de adormecer ou até mesmo logo após o despertar. (AMORC, 2000:10).

Diante do contexto apresentado, podemos nos perguntar: Nos dias atuais é possível que possamos receber mensagens divinas por sonho como relata a Bíblia no Velho e Novo Testamento?

Sim, pois como Iniciados, buscadores da verdade e do caminho reto e justo, podemos ser instrumentos, mensageiros para pessoas de nosso convívio, bem como, de recebermos mensagens que nos auxiliem em nossa jornada espiritual, pois Deus, diferentemente do que tentam pregar algumas denominações religiosas, continua a falar com seus filhos. Em Joel, 2, 28-30 Deus faz uma promessa da efusão do Espírito:

E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.

Se analisarmos o sonho do ponto de vista místico, veremos que eles são um meio de adentrarmos aos mistérios do invisível com o apoio do plano psíquico. Jung considerava que os sonhos constituíam o caminho régio que levava ao conhecimento da nossa Alma.

Em certos casos, o sonho pode abrir os portais de nossas vidas anteriores e nos dar indicações sobre quem éramos numa de nossas encarnações passadas.

Dessa forma, o melhor é meditar regularmente sobre o seu conteúdo, procurando anotar em um caderno de estudos ou próprio para essa finalidade, os sonhos que maior impacto causaram em nossa Alma.

BIBLIOGRAFIA

– AMORC. FÛrum Rosacruz Anual. Curitiba: AMORC, 2003.
– Fórum Rosacruz Anual. Curitiba: AMORC, 2004.
– Fórum Rosacruz Anual. Curitiba: AMORC, 2000.
– STORNIOLO, Ivo; BALANCIN, Euclides Martins. Bíblia Sagrada. 
São Paulo: Paulus, 1990.

Sobre o Autor

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Maçônica Moral e Virtude nº 24 - GLMETO

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