Em Maçonaria, a crença num Ser Superior é uma condição imprescindível para ser iniciado na Ordem. No 19º Landmark, na compilação de Albert G. Mackey, temos:

XIX. A crença no Grande Arquiteto do Universo é um dos mais importantes Landmarques da Ordem. Sempre se considerou essencial que a negação dessa crença é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação. A palavra Landmak é composta de dois termos: land, que significa terra, território, povo, nação, país, e mark que é limite, indicação, testemunho. Alguns autores sugerem que a expressão landmark teria sido retirada do Antigo Testamento pelo pastor James Anderson, autor das Constituições, mais especificamente em Provérbios, 22:28 e 23:10, “Não removas os antigos limites que teus pais fizeram”; e Deuteronômio, 19:14, “Não tomarás nem mudarás os limites do teu próximo que os antigos estabeleceram na tua propriedade”. Portanto, os landmarks se constituem nos princípios fundamentais e universais da Ordem e delimitam o que é Maçonaria. O que estiver dentro deles, é Maçonaria regular; o que estiver fora de seus limites é Maçonaria espúria ou não é Maçonaria.

Desde os tempos mais remotos, as sociedades primitivas colocavam os seus destinos e interesses aos cuidados de uma, ou várias, divindades. Cada povo desenvolvia sua crença em um Ser Supremo de acordo com os seus conhecimentos e entendimentos. Os atributos da Divindade variavam conforme o tempo e o lugar. As diversas religiões, ao longo da história humana, desenvolveram concepções próprias a respeito dos atributos de Deus e, por esta razão, a Maçonaria O nomeia G∴A∴D∴U∴, para referir-se ao Ser Supremo e Criador de tudo que existe, sem demorar-se em suposições teológicas que apenas suscitariam discussões intermináveis. O deus antropomórfico do Judaísmo, Catolicismo e Islamismo; o deus-guerreiro dos nórdicos; o inominado e indefinível deus do Taoísmo; o deus multifacetado do Hinduísmo; o deus espírito da Natureza dos povos indígenas; o deus imaterial e inteligência Suprema dos Espíritas; enfim, cada religião ou doutrina filosófica encontra acolhimento nos Templos maçônicos pela expressão G∴A∴D∴U∴ .

Na Sessão Magna de Iniciação, o Venerável Mestre alerta ao candidato sobre os seus deveres e responsabilidades, antes que tome parte na oração dirigida ao Senhor dos Mundos, dizendo-lhe que “os maçons não se empenham em empresa importante sem primeiro invocar o G∴A∴D∴U∴”, para enfatizar a obrigação de todo maçom de invocar, agradecer, louvar e pedir-Lhe proteção ao longo de sua trajetória terrena, em todos os empreendimentos. A oração inicia assim: “Humilhemo-nos, meus irmãos, ante o Supremo Árbitro dos Mundos e reconheçamos o Seu infinito poder e a nossa infinita fraqueza (…)”. A Iniciação prossegue e, depois de feita a terceira viagem pelo candidato, é o momento de prestar o primeiro juramento maçônico.

Em todas as Sessões Ordinárias, a Loja é aberta sendo invocado o auxílio do G∴A∴D∴U∴ e, no seu fechamento, o Venerável Mestre dirige-Lhe uma oração de louvor, agradecimento e pedidos. Isto significa que todo o nosso trabalho só tem sentido se for dedicado à Sua glória. O trabalho de auto-aperfeiçoamento que nós, maçons, executamos no desbaste diário da Pedra Bruta das nossas imperfeições, necessita de esforço concentrado, obstinada perseverança, inteligência direcionada, vontade firme e, acima de tudo, verdadeira humildade. Não podemos permitir que o personalismo estrague toda a nossa obra. Os títulos e condecorações que recebemos durante a nossa vida maçônica deveriam, antes de tudo, colocar-nos em constante estado de alerta diante das perigosas artimanhas da vaidade. Não é à toa que os Mestres Maçons recebem o alerta contra a vaidade das palavras do rei Salomão. Em linguagem figurada, podemos dizer que a vaidade é o ás na manga do diabo. Quando todos os recursos de tentações falharem, o diabo disporá dessa arma infalível. Vigilância e Perseverança é o que nos é ensinado na Câmara de Reflexões.

Maçonaria é trabalho. As funções e cargos que desempenhamos são oportunidades de servir com alegria, fazer novos progressos e dar nossa pequena contribuição à Ordem. Todos os maçons são peças importantes nessa imensa engrenagem e nenhum de nós pode se sentir superior aos demais irmãos, pelos cargos que ocupa, ou mesmo abrigar a ilusão de ser o dono da Loja ou da Maçonaria. A Maçonaria já existia antes de nós e continuará existindo depois que tivermos passado ao Oriente Eterno. É mais uma ilusão que a vaidade produz: acreditar que somos proprietários do que não nos pertence.
Se a Maçonaria tem um dono, reconheçamos com humildade que é o G∴A∴D∴U∴. Para a Sua glória e para o nosso bem.

Sobre o Autor

ARLS Caridade II nº 0135 GOB/PI Oriente de Teresina

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