“Aqueles que nada veem, que nada sentem e que atuam mecanicamente, que participam da Cerimônia porque a isso foram conclamados pelo Venerável Mestre, devem aceitar o desafio de participação efetiva e espiritual. Então, só assim, hão de dar conta que Maçonaria não é um clube social ou recreativo”
(RIZZARDO DA CAMINO. O aprendiz Maçom);

Em nossa vida, senão diuturnamente, com certa frequência elevamos o pensamento com o fito de irradiar energias positivas para, em contato com o altiplano, seja por meio de uma prece, seja por uma oração, mantra, etc.. agradecermos uma graça concedida, para pedirmos intercessão do plano superior a nos sustentar em um momento de dificuldade ou para que auxilie outrem ou simplesmente para nos intuir beneficamente no nosso cotidiano.

Tal como na vida profana, ao desenvolvermos nossos trabalhos na Arte Real somos constantemente exortados à elevação do espírito.

Durante uma sessão do Grau 1 da Maçonaria Adonhiramita, antes mesmo de adentrarmos ao Templo, no Átrio, somos convidados pelo Mestre de Cerimônia a nos silenciarmos, a termos um momento de reflexão, a nos concentrarmos para, com isso, afastarmos as energias deletérias arraigadas na vida profana e, assim, atravessarmos as Colunas revestidos de sentimentos nobres, puros e elevados.

Assim também o é na realização da cerimônia de incensação, que tem por objetivo preparar os Obreiros para os trabalhos que irão efetuar. O incenso usado na Cerimônia tende a purificar aquela parte da natureza do homem chamada Corpo Astral, Emocional ou Espiritual, devido irradiar vibrações intensamente purificadoras.

Aliás, necessário abrir um parêntesis aqui para registrar que o uso de incenso durante a sessão é inteiramente científico, pois, como veremos, não há matéria morta/imóvel, haja vista que todos os seres e todas as coisas da natureza possuem e irradiam suas vibrações e combinações de vibrações. Tal Cerimonial visa então tornar o ambiente em Loja calmo e sossegado, estabilizando as nossas emoções, para nos capacitar a responder às influências Superiores, dissipando nossas ansiedades, preocupações e desejos oriundos do mundo profano.

Nesse mesmo sentido, o Cerimonial do Fogo (avivamento ou adormecimento), quando do acendimento de uma vela com intento espiritual, o equivalente a uma oração (fato esse que agregado às frases pronunciadas pelo Venerável Mestre e pelos Vigilantes), têm o objetivo de atrair fluxos de energias benfazejas, por eles representarem simbolicamente cada qual um aspecto do Logos.

Ainda, a abertura do Livro da Lei também é um desses momentos de elevação do espírito. No momento em que é feito pelo orador, abre­se o Universo e, ao ler em voz alta o Salmo, oferece seu sopro, iniciando com sua vibração, os mistérios ocultos da Maçonaria, espiritualizando os símbolos que o cercam, numa ação de criatividade.

Na abertura do Livro da Lei, entramos em contato com o G∴A∴D∴U∴, solicitando Sua autorização e Sua glória para darmos início aos trabalhos, que só é possível com a presença da Luz, símbolo da revelação, reflexo da Divindade, que ilumina nosso coração, nossa inteligência e nossa sabedoria para discernimento da verdade e para que cresçam em nós a bondade, a fé e a caridade. O ser humano anseia pelo conhecimento. A satisfação do desejo de conhecer se inicia quando sentimos uma substância invisível, um fluído Divino, um potencial de energia, a presença de Deus.

Assim, tão certo quanto a participação humana é fator constitutivo da verdadeira Oficina, o é também o auxílio espiritual. Estamos aqui em uma via de mão dupla, de forma que os trabalhos para serem considerados efetivamente como justos e perfeitos, faz­se necessário o intercâmbio entre matéria e espírito, homem material e a espiritualidade superior.

E para que isso ocorra fielmente, o contato com o Alto é essencial.
Todavia, como investigadores da verdade que somos, devemos entender como se dá esse contato com o alto: o que é a radiação mental e, principalmente, como ela atinge sua finalidade maçônica, qual seja, contatar o plano superior, para que este nos intua e nos auxilie em nossos trabalhos.

Irradiar ou radiar é lançar de si, emitir. Todo ser humano (veremos adiante que tudo) irradia de si um fluido eletromagnético, possuindo, dessarte, faculdade radiante ou magnetismo humano. O pensamento, tal como a energia elétrica, é uma radiação energética da mente, dotada de ponderabilidade e de propriedades quimioeletromagnéticas, configurando­se como matéria mental viva e plástica.

A física hoje vem a campo explicar que a energia pode ser transmitida em ondas mecânicas ou eletromagnéticas. Os exemplos são inúmeros: o som é vibração (que é a forma ondulatória de uma irradiação) propagando­se no ar; a luz possui a natureza das ondas eletromagnéticas; o vento é vibração. Dessa forma, assim como o som é transmitido do aparelho transmissor até nossos ouvidos, nossa irradiação mental também é levada até seu destinatário.

Trazendo tal lição ao cotidiano humano, não são raros os casos em que, após termos acabado de pensar em uma pessoa, recebemos um telefonema desta ou esta surge “de repente” em nossa residência. Na verdade, ao pensarmos nessa pessoa, emitimos radiações mentais para ela que, por sua vez, se estiver no mesmo padrão vibratório (na mesma sintonia), a recebe, ainda que inconscientemente, fazendo com que entre em contato conosco. Isso não ocorre por acaso. Aliás, o acaso não existe, todavia, tal tema, por sua extensão, merece ser estudado em outra peça.

A ciência nos ensina que as partículas subatômicas estão em movimento vibratório incessante e a Filosofia eleva nossos pensamentos às alturas especulando que, se toda matéria (junção de átomos) e energia no Universo conhecido é movimento incessante, isso nos leva a crer que a própria criação Divina expressa sua existência pelo fenômeno da vibração. Ora, e se “A Criação” se expressa por meio da vibração, ou seja, se “fala” por meio de irradiações, inclusive mentais, também é ela receptora de outras irradiações, desde que estejam essas na mesma vibração (mesma forma ondulatória). Tal como acontece com o rádio: basta se ter um aparelho receptor sintonizado na mesma frequência para que ele receba as irradiações eletromagnéticas do emissor, no caso, rádio transmissor.

Dessarte, para entrarmos em contato com o Alto, necessário elevarmos nossos pensamentos, ou seja, irradiarmos boas vibrações, dotadas de sentimentos de amor, caridade, benevolência, compaixão, indulgência, perdão, etc… posto que se pressupõe que são somente essas vibrações augustas emitidas e, portanto, recebidas (mesma frequência vibratória) pelos seres de elevada estirpe
Neste esteio, ao escutarmos uma música que traz paz interior, ao vermos um filme inspirador, ao lermos um livro que traz revelações de caráter espiritualizante, sentimos o nosso ser radiante, bem harmonizado. Isso ocorre justamente porque ao nos entretermos de forma edificante, elevamos nossos pensamentos, irradiando boas energias e, assim, entramos em contato, com o altiplano espiritual, que nos encaminha todas essas boas vibrações, caracterizadas por esses sentimentos sublimes.

E isso não ocorre somente com os homens. O pesquisador japonês Masaru Emoto, em seu livro “The Message from Water”, relata experiências realizadas com cristais de água congelada quando expostas a diferentes pensamentos, musicas eruditas ou heavy metal, a sentimentos como amor, compaixão e ódio. As moléculas recebem as diferentes vibrações e têm suas aparências modificadas. Formas belas e harmoniosas surgem na presença de boas vibrações, ao passo que cristais deformados, com aspecto confuso, são resultados da emanação de vibrações e sentimentos como ódio e rancor.

Levando em consideração que nosso corpo e nosso planeta são constituídos de 70% de água, dá para imaginar como devemos ficar quando nutrimos sentimentos, menos nobres.

Ainda, o poder da radiação mental é de tal monta que pode, inclusive, ser utilizado para curas de doenças físicas. Bittencourt Sampaio, titular de meu nome histórico, médium de cura, utilizava da irradiação mental benfeitora para curar enfermos acometidos pela “cólera­morbo”, em 1856. Entregou­se de corpo e alma a combater e ajudar aos enfermos que eram recolhidos em todos os lugares possíveis para abrandar muitas mortes que se sucediam, principalmente nas ruas, por não terem mais abrigos e lugares para enterrarem os que sucumbiam à doença.

Bittencourt Sampaio buscava, através da fé, forças para ajudar os médicos que, pela precariedade dos recursos medicinais, procuravam manter a higiene. Era no princípio energético, através da água, que Bittencourt buscava, junto a Deus, o auxílio de que precisava. Ele não sabia explicar, mas sentia que suas mãos ficavam diferentes, ao tocar num recipiente com água. Até a mediunidade de cura começar a aflorar. Ele, utilizou da radiação mental e da imposição das mãos, fluidificava a água que, posteriormente bebida pelos doentes, levava a inúmeras curas.

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti

A própria ciência comprova a interação entre energia e matéria. Em Química e Física o termo espectroscopia é a designação para toda técnica de levantamento de dados físico-químicos através da transmissão, absorção ou reflexão da energia radiante incidente em uma amostra. A energia incidente pode, então, ser refletida, transmitida ou absorvida, valendo ressaltar que haverá interação não somente se houver ressonância entre dois entes: a onda eletromagnética e uma partícula (átomo, molécula ou íon), mas, também se a energia for mais alta que a necessária para ocorrer uma transição eletrônica. Veja então que, pela ciência, um corpo material ou imaterial recebe energia de outros corpos materiais ou imateriais sempre que a energia destes esteja no mesmo padrão vibratório do receptor ou em padrão mais alto. Isso nos faz crer que a fonte energética superior, quando quiser, sempre se conecta com o receptáculo inferior, mas nunca o inverso, ou seja, a fonte energética inferior não consegue contatar o receptáculo energético superior, salvo se este último assim o quiser, baixando seu padrão vibratório.
Daí, então, a necessidade de estarmos em Loja espiritualmente elevados, vibrando em direção ao Alto, pois só assim desenvolveremos nosso mister de forma efetiva, em busca do bem comum, da verdadeira fraternidade universal. E para que isso ocorra, durante nossos trabalhos devemos sempre vibrar da forma mais pura possível e para isso contamos com o auxílio da Cerimônia da Incensação, do Cerimonial do Fogo, do ato de Abertura do Livro da Lei, das músicas harmonizantes, inspiradoras e, principalmente, do conteúdo moral e intelectualmente edificante.

Como bem dito pelo Amado Irmão Rizzardo Da Camino, em sua obra O Aprendiz Maçom: “Aqueles que nada veem, que nada sentem e que atuam mecanicamente, que participam da Cerimônia porque a isso foram conclamados pelo Venerável Mestre, devem aceitar o desafio de participação efetiva e espiritual. Então, só assim, hão de dar conta que Maçonaria não é um clube social ou recreativo”.

Há algo mais por detrás da simples leitura do nosso ritual, das condutas desenvolvidas pelos titulares de cargos durante as sessões, e isso fica mais evidente no nosso rito adonhiramita, ao adotarmos nomes históricos durante nossa estada maçônica. Ou os Amados Irmãos creem que isso ocorre por acaso? Tudo em Loja tem a razão, uma finalidade, um significado. Em Loja, ou melhor, durante toda nossa existência, não estamos sozinhos. O Alto está conosco, sempre prestes a nos amparar, basta que estejamos aptos a acessá-­lo.

Finalizo a presente peça de arquitetura com um trecho de um artigo escrito, em espírito, por Bezerra de Menezes, Maçom ideal, ícone em bondade e caridade, ao comentar sobre como as preces, às boas vibrações, chegam até o mundo espiritual, e de como somos beneficiados nesse contato com o Alto:
“O que vemos (no momento da prece), então é um espetáculo grandioso: todo o ambiente se reveste de intensa luz e, ao vibrarem, os vossos pequeninos corações fazem o papel de um refletor e, então, iluminando e riscando o espaço, vemos luzes das mais variadas tonalidades e intensidades, e esses grupos de irmãos, com os braços estendidos para vós, recebem o presente carinhoso do Vosso Coração para ser levados aos mais distantes setores da Terra, enquanto que, ao serem enumeradas as Fraternidades, já então de regresso de suas tarefas, perfilam os espíritos à vossa frente, envolvendo­os na carícia do Amor Fraternal. Por fim,quando o espírito destacado para a exortação evangélica encerra o trabalho, de esferas mais altas jorram sobre vós as bençãos do Amor do Pai, e a vos retirardes, apesar de muito terem dado os vossos organismos físicos, retornais aos lares saturados de elementos revitalizadores em muito maior quantidade do que aquela despendida por vós”. (Bezerra de Menezes, Revista “A Centelha”, fevereiro de 1945).

Quando em vibrações elevadas pedimos por outrem, somos os maiores beneficiados.

Deixar resposta

Seu endereço de email não vai ser publicado.