DEUS TEM NOME?

Em Êxodus, capítulo 20, versículo 7, encontramos o seguinte mandamento:

Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

Então, Deus tem nome. E o seu nome não é Deus. Deus é a posição hierárquica. De tanto nos referirmos a Ele pelo título hierárquico, para que não pronunciássemos seu santo nome em vão, perdemos a noção de que havia um nome sagrado. E de que esse nome era um mantra poderosíssimo. Tal vocalização ter-se-ia guardado como um grande segredo somente acessível aos iniciados de alto grau. Segundo alguns Mestres, tal segredo foi tão bem guardado – e por tanto tempo – que teria sido perdido. Seria a “Palavra Perdida”.

Na verdade, a Cabala reconhece nada menos que dez nomes divinos, sendo que o primeiro nome divino é hyha (aleph-he-yod-he) ou AHIH, ou ainda AHeIeH, já que os caracteres do hebraico permitem diferentes leituras. Significa Eu Sou. Sua origem como primeiro dos dez nomes divinos está no Pentateuco, em Êxodus, capítulo 3, versículos 13 e 14:

Vers. 13 – “Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?”

Vers. 14 – “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse-lhe mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.”

Na Vulgata, a frase divina foi traduzida para o latim como Ego Svm Qvi Svm. Para os estudiosos da Cabala, AHIH, ou Eu Sou, passou a designar o primeiro dos dez nomes divinos, porque foi como o próprio Deus declarou a Moisés que assim era o seu nome. Depois surgiram outros nove nomes. Um deles, o que se tornou mais conhecido pelos leigos em Teologia, é denominado Tetragrama Impronunciável.

YOD E O TETRAGRAMA 

IMPRONUNCIÁVEL

Tetra significa quatro. Tetragrama é o nome que se dá à grafia (um símbolo gráfico) que tem quatro letras. Diz-se que é impronunciável porque na cultura hebraica é proibido pronunciar o nome divino. É um mantra tão sagrado que simples mortais e pecadores não têm mérito para vocalizá-lo. Por isso, sempre que nas escrituras aparecem essas quatro letras, o leitor hebreu não as pronuncia e lê “Adonai”, que significa simplesmente Senhor.

As quatro letras do Tetragrama são yod-he-vav-he (hvhy). Transliterada, essa palavra pode ter o som de Jeová, Javé, Iahveh, Ieve ou, de forma iniciática, Ieoua. Isso fez com que as Bíblias antigas escrevessem Jeová e as novas grafem Javé. No entanto, em ritos gnósticos encontramos uma vocalização que nos sugere a razão pela qual afirma-se que esse Tetragrama é Impronunciável: segundo essa vocalização litúrgica, ele seria pronunciado com cinco e não com quatro letras. Sendo o pentagrama, símbolo do Homem, essa seria a conexão e o vínculo entre o Criador e sua criação.

A pronúncia mântrica desse nome divino seria, conforme fontes Rozenkreutz, I-E-O-U-A.

A letra I atua na região da cabeça, E na região da garganta, O na região do coração, U no ventre e A nos pulmões. Portanto, a vocalização desce da cabeça, vai ao ventre e retorna a energia à sua morada no coração, que é a sede da noção do eu para a etapa atual de evolução da humanidade (quando dizemos “eu”, apontamos para o peito e não para a cabeça, porque ainda somos animais emocionais e não chegamos a uma etapa de evolução ao nível mental).

yod (y) alude a essa vocalização que se inicia com o fonema I.

A primeira letra, yod (y), do nome Jeová, ou Javé, ou Iahveh, ou Ieve, aparece em loja e em textos da Maçonaria. Trata-se da letra hebraica I, ou Y, ou J, e corresponde à primeira das quatro letras do Tetragrama Impronunciável. Sozinho, esse ponto (que é o yod) simboliza a Divindade e seu Poder Criador.

No nome divino impronunciável yod-he-vav-he (hvhy), o Poder Criador yod (y) representa uma gota de sêmen, a qual alude ao princípio masculino, Adão, ou Adamah, ou Admah, que significa barro ou terra. Separando o signo de Adão, o I do nome IEVE, o que resta é he-vav-he (hvh), Eve (em português, Eva). Talvez, originalmente, a letra yod (y) tenha sido colocada em loja para representar o fato de que tratava-se de uma confraria de cavalheiros.

Nos graus filosóficos, o yod (y) está inscrito no centro do delta, em alguns casos, substituído pela letra G. Isso induziu ao equívoco de se declarar que o yod (y) é a letra G em hebraico. O G é a letra gimel (g), terceira letra do alfabeto hebraico. Outra representação é a de três yods, formando um triângulo, de onde surgiu a simbologia dos três pontos para identificar o Maçom.

O QUE TEM A VER 

A MAÇONARIA 

COM A CABALA?

A Maçonaria sempre se reportou à cultura judaica, desde as referências à construção do Templo de Salomão (I Reis, capítulo 7, versículos 13 a 22), às colunas Jakin e Bohaz (citadas no I Reis, capítulo 7, versículo 21), à Espada Flamígera (Gênesis, capítulo 3, versículo 24), à Escada de Jacó (Gênesis 28 vers. 12) e tantas outras citações. O próprio símbolo da Maçonaria é uma alusão dissimulada à Estrela de Davi, símbolo do judaísmo.

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