Nosso principal objetivo é elevar a importância da perspectiva que temos do Criador, ou seja, adquirir fé em Sua grandeza e poder.

Devemos fazê-lo, porque é a única maneira possível de sair da prisão do egoísmo pessoal e entrar nos Mundos Superiores. Podemos experimentar uma extrema dificuldade, ao decidir seguir o caminho da fé e abandonar toda a preocupação por nós mesmos. Além disso, sentimo-nos isolados de todo o mundo, suspensos no nada, sem o apoio do bom senso, do raciocínio ou de qualquer experiência prévia que nos dê suporte.

É também como se tivéssemos abandonado nosso próprio ambiente, família e amigos, para nos unirmos ao Criador. Essas sensações surgem quando falta fé no Criador, quando não podemos percebê-Lo ou a Sua Presença ou o Seu Domínio sobre toda a Criação. Nesse momento, sentimos ausência do objeto da fé. Porém, ao começarmos a sentir a Presença do Criador, estaremos prontos para nos submetermos totalmente a Seu poder e para segui-lo cegamente – sempre preparados para nos anularmos por completo diante d’Ele – desacreditando nosso intelecto quase de maneira instintiva.

Por essa razão, o principal problema que enfrentamos é o de como perceber a Presença do Criador. Portanto, quando surge tal questionamento, vale a pena dedicar toda a nossa energia e todos os nossos pensamentos em favor do Criador.

Imediatamente devemos desejar aferrarmo-nos a Ele com todo o nosso ser. Esse sentimento chama-se fé.

O processo pode ser acelerado, se considerarmos que o objetivo é importante. Quanto mais valioso for para nós, mais rápido poderemos alcançar a fé, isto é, nossa consciência do Criador. Além disso, quanto mais importância atribuírmos à percepção do Criador, mais forte esta será, até se tornar parte de nosso ser. A sorte (mazal, em hebraico) é uma forma especial da providência, a qual não podemos influenciar de jeito nenhum.

Mas foi ditado pelo Divino que nós, como indivíduos, somos responsáveis pela mudança de nossa própria natureza. Depois, o Criador avaliará nossos esforços nessa direção e, eventualmente, mudará nossa natureza além de nos elevar acima de nosso mundo. Portanto, antes de realizar qualquer esforço, devemos perceber que não podemos esperar que forças superiores, sorte ou qualquer outro tratamento especial do Alto intervenham a nosso favor.

Pelo contrário, devemos começar reconhecendo completamente que, se não agirmos, não conseguiremos o que desejamos. Porém, uma vez tendo completado a tarefa, ou nos dedicado ao estudo, ou realizado qualquer outro esforço, devemos chegar à conclusão de que: Tudo o que alcançamos como resultado de nossos esforços teria acontecido de qualquer maneira, mesmo não tendo feito nada, pois o resultado foi pré-determinado pelo Criador.

Desse modo, se desejarmos compreender a verdadeira Providência, em todos os aspectos de nossa vida, de antemão deveremos procurar assimilar essas contradições dentro de nós mesmos. Por exemplo, pela manhã devemos começar nossa rotina diária de estudo e trabalho, deixando para trás todos os pensamentos do Domínio Divino do Criador sobre o mundo e sobre seus habitantes.

Cada um de nós deve trabalhar como se o resultado final dependesse somente de nós. Mas, no fim, sob nenhuma circunstância devemos nos permitir imaginar que o que alcançamos é o resultado de nossos próprios esforços.

Temos que perceber que, mesmo se permanecêssemos na cama o dia todo, de qualquer maneira chegaríamos ao mesmo resultado, porque isso foi pré-determinado pelo Criador. Portanto, quem desejar levar uma vida baseada na verdade deve, por um lado, obedecer às leis da sociedade e da natureza como qualquer outra pessoa; mas, por outro, também deve acreditar no domínio absoluto do Criador sobre o mundo.

Todos os nossos atos podem ser divididos em bons, neutros ou maus. Nossa tarefa consiste em elevar os atos neutros a bons. Podemos conseguir isso conscientizando-nos de que, mesmo quando nos desenvolvemos, no fim, prevalecerá a Vontade do Criador. Por exemplo, quando estamos doentes, embora saibamos que a cura está totalmente nas mão do Criador, devemos tomar o remédio prescrito por um médico autorizado e acreditar que a habilidade do doutor ajudar-nos-á superar nossa condição.

Mas, quando nos recuperarmos, depois de ter tomado o remédio estritamente de acordo com as ordens do médico, devemos acreditar que teríamos nos recuperado de qualquer maneira, porque esse era o Plano do Criador. Portanto, em vez de agradecer ao médico, devemos agradecer ao Criador.

Desse modo, convertemos um ato neutro em um ato espiritual e, ao repetir esse procedimento com relação a todos os atos neutros, podemos gradualmente “espiritualizar” todos os nossos pensamentos. Os exemplos e explicações dados são importantes, porque, na realidade, tudo o que foi dito poder-se-ia tornar sério obstáculo, impedindo nossa elevação espiritual. O problema, às vezes, cresce porque pensamos que entendemos os princípios do Domínio Divino. Concentramos nossas energias, artificialmente, no fortalecimento de nossa crença na onipresença do Criador, em vez de trabalhar de maneira árdua em nós mesmos.

Com frequência, a fim de demonstrar fé no Criador, ou simplesmente por preguiça, assumimos que não precisamos trabalhar em nós mesmos, pois tudo está em poder do Criador; ou ainda, fechamos nossos olhos e simplesmente confiamos na fé cega, ao mesmo tempo em que evitamos perguntas fundamentais sobre a verdadeira fé. Porém, ao evitar responder a essas perguntas, privamo-nos da possibilidade de progredir espiritualmente. Diz-se de nosso mundo: “Ganharás o pão com o suor de teu rosto.”

Ainda assim, quando ganhamos alguma coisa, nos é difícil admitir que o resultado não dependeu de nosso árduo trabalho ou de nossas habilidades, mas que foi fruto do trabalho do Criador. Devemos nos esforçar com o suor de nosso rosto para fortalecer nossa fé no domínio absoluto do Criador. Mas, a fim de crescer e experimentar novas sensações espirituais, devemos fazer um esforço para entender e aceitar a natureza contraditória do Domínio Divino (que parece contraditório apenas por causa da nossa cegueira). Somente então saberemos com exatidão o que se espera de nós.

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