V ivemos numa grande fluidez espiritual que, através da Maçonaria, de seus augustos misté- rios e de seus ensinamentos profundíssimos, velados através de sábias e especulativas alegorias e ilustra- dos por símbolos operativos que se perdem nas bru- mas do tempo, estruturados didaticamente por uma ciência especulativa (Landmark 24, Mackey), que se constitui a própria Maçonaria, uímos, evoluímos, para seres humanos melhores e mais fraternos atra- vés do cinzelar da P∴B∴, com a consciente ação do maço intelectual e fraterno.

Renascer para uma nova vida (levantando Templos, interiores, espirituais, à Virtude) é, indubi- tavelmente, evoluir! “Perpinhar- -se”. É renascer para uma nova e acrisolada vida, e essa fantástica transmutação alquímica moral e espiritual, maravilhosamente, é possível! Não precisando, para atingir seu escopo, ter que, ne- cessária e literalmente morrer, sucumbir materialmente e espe- rar por uma nova oportunidade espiritual através de um milagre extraordinário ou sobrenatural, meta sicamente.
Grandes homens da huma- nidade dedicaram-se (e às suas vidas, até mesmo sacri cando- -as), para ensinar e demonstrar tal sublime lição através do mais cristalino e fraterno amor, tendo, inclusive, que até mesmo operar milagres materiais e o da ressur- reição espírito-corpórea para que acreditassem em seus ministérios rabínicos ou sacerdotais. Exem- pli cativamente, um dos maiores homens da humanidade, o judeu da Galileia, Yeshua Ben Joseph, além de suas palavras redento- ras espiritualmente, repletas de alegorias, símbolos e sabedorias, registraram-se muitos de seus prodígios fantásticos, extraordi- nários e até sobrenaturais, constantes no Novo Testamento, em sendo 35 milagres atribuídos ao Grande Rabino e, dentre estes, os da ressurreição espírito-corpóreo.

Teologicamente, considerado o maior de todos os milagres, (evidente- mente para quem os acredita), as ressurreições, não foram somente opera- das por Yeshua, elencam-se, registrados nas Sagradas Escrituras da Bíblia e a título de ilustração, outras ressureições, sendo no Antigo Testamento: O lho da viúva (1 Reis 17.17-24); A mulher sunamita (2 Reis 4.32-37);

O homem que foi encostado nos ossos do profeta Eli- seu (2 Reis 13.20-21) e, no Novo Testamento: O lho duma viúva (Lucas 7.11-15); A lha de Jairo (Lucas 8.41-42; 49-45); Lázaro (João 11.1-44); Muitos san- tos (Mateus 27.52); Jesus (Mateus 28.1-8); Tabita (Atos 9.36-43); Êutico (Atos 20.9-10).
Porém, amantíssimos Irmãos, o exequível e constante milagre da ressurreição de nossas vidas, de nossas quali- dades; do nosso caráter, não consiste simploriamente na morte física, consiste na extirpação dos vícios e paixões deletérias e a revivi cação de nossas virtudes, do melho- ramento de nossos caráteres, assim como a nova aqui- sição e melhoria de tantas outras virtudes que nos resi- dirão em nossos espíritos e que constitui o verdadeiro milagre espiritual maçônico que operamos todos os dias, prazerosa, incansável e constantemente, como maçons “perpianhos”, dentro e fora de nossos Templos Maçô- nicos, numa gloriosa luta maçônica por ada, à glória do G∴A∴D∴U∴, desbastando-nos a nossa P∴B∴, com o Cinzel e Maço de nossas justas consciências.

No R∴E∴A∴A∴, objetivamente, os OOr∴ da L∴ são: O Pav∴ M∴, A Or∴ Dent∴ e, (no 1° Gr∴, a nossa belíssima, C∴ de 81 NN∴, com suas BB∴ da Justiça e Prudência). Os PPar∴ da L∴ são: O L∴ da L∴, e sobre ele, quando em trabalho maçônico, o E∴ e o C∴. As JJ∴ de nossa L∴ maçônica são as Móveis: O Esq∴, simbolizado pelo Ven∴ M∴, o N∴, pelo nosso 1° Vig∴ e o Pr∴, pelo 2° Vig∴ que se alternam, sabiamente, em nosso sistema demo- crático legal maçônico, movem-se, de dois em dois anos, e, nalmente, as JJ∴ Fixas: A P∴B∴, a P∴P∴ e a Pr∴ da L∴. (pp. 175-176 do Rit∴ de Apr∴ M∴ do R∴E∴A∴A∴ – GOB. 2a Lição. 2009).
Das JJ∴ o signi cado e importância das PP∴ B∴e P∴ chamam-nos atenção pelo grau ou nível de simbolismo da evolução do nosso microcosmo; do nosso Templo Interior, no sentido de vencermos nossas paixões, submetermos nossa vontade, fazendo sempre novos progressos na Maçonaria, estreitando os laços de fraternidade que nos unem como verdadeiros Irmãos, levantando templos à virtude e cavan- do masmorras aos vícios.
Retrospectivamente, recorda-nos que, inicialmen- te, à nossa admissão à Ordem, postulantes ainda, somos levados a uma Câm∴ de Re ∴ onde, preli- minarmente, dentre tantos ensinamentos, adverte-nos o V∴I∴T∴R∴I∴O∴L∴, exortando-nos à grande lição: “Reti ca a tua Pedra”, o teu espírito, antes de morreres para o mundo profano.
Saídos desta Câm∴, tendo-nos, entre aspas: “morrido” e, encontrando-nos nas trevas, desejosos de Luz, e feita a nossa peç∴de test∴, começamos, ali, a encetar nossos primeiros passos numa jorna- da indescritível para a re exão e aprendizado, ainda tão incipientes que estávamos para a nossa evolução como um novo ser humano, que se curva e se lança destemidamente, embora estando nas trevas, encora- ja-se às provas e viagens maçônicas para a sua evolução pessoal, que é in nda.

Desta “proto-pedra”, iremos nos deparar com a primeira Joia: A P∴B∴, que simbolicamente, traba- lharemos desbastando-a, em várias circunstâncias e momentos, por toda as nossas vidas, por vários de- sa os por ados, burilando-a, a ponto de retirarmos toda ou grande parte das arestas que nos prendem às asperezas de nossos comportamentos imperfeitos, atitudes e ações ainda grosseiras, rudes e toscas, para transformá-la numa joia perolizada, lisa, polida, tra- balhada, agora já resplandecente de virtudes e sabe- doria, tornando-se, nalmente, e por consequência do árduo trabalho, em P∴C∴.

Todavia, segundo o Irmão Colin F. W. Dyer, ínclito literato maçônico da ARLS Quatuor Coronati, n° 2076, em sua obra O Simbolismo na Maçonaria, relata ainda sobre um outro tipo de pedra, a pedra Perpianho, e ar- gumenta que a história desta pedra cubicada é um tan- to quanto confusa na história da maçonaria. Segundo (DYER, 2010. pp. 115 e 116): “Uma pedra já estava entre os antigos símbolos encontrados em textos maçô- nicos, embora inicialmente descrita como um “Perpia- nho”, era soletrada de formas pouco usuais.”
“Um “perpianho”, termo utilizado em obras de al- venaria, é uma espécie de viga, trata-se de um bloco de pedra aparelhada, colocado de parede a parede e servindo de pedra ou forte viga de amarração. Esse aspecto, por si, só oferece certo grau de simbolismo (…)”, pois “amarrar” em fraternidade maçônica é tor- ná-la mais forte e foi um dos objetivos essenciais da Arte Real até os nossos dias: tornar-se sempre pujante e unida (Basta lembrar das Rendilhas e as Sementes de Romã em nossos Capitéis…). E continua, o Irmão Colin, asseverando: “Ademais, se os blocos de pedra usados nas construções tinham, em geral, formato cúbico, então aquela Pedra (o Perpianho) possuía a aparência de duplo cubo, com alguma importância e signi cado na Maçonaria, e na qual alguns autores veem um especial signi cado simbólico”.

Cinzeladas estas explanações, depreende-se e conclui-se que devemos trabalhar a P∴B∴ de nos- sos caráteres; poli-la, esquadrejá-la, torná-la P∴C∴ e esforçar-mo-nos para irmos adiante no esplendoro- so trabalho de nosso desbaste interior, tornando-nos “Blocos Perpianhos de Pedras Polidas e Fraternas” como escopo maior em nossa Arte Real.
Portanto, na Pedra Perpianho reside a simbologia do maçom acrisolado, forte, duas vezes cubicado, o hexá- gono regular perfeito, esquadrejado e polido, virtuoso e harmônico, aquele que promove a estabilidade fraternal na construção da Arte Real. O Maçom sábio e de “amar- ração”, forte maçonicamente, prudente, tolerante e fra- ternal; um Maçom acrisolado, efetivamente renascido, o verdadeiro “Maçom Perpianho”.

Levamos, não sem uma razão muito sábia de ser pelo G∴A∴D∴U∴, muitas frações de tempo nas nossas vidas para, realmente, de forma esclarecida e consciente, após muito re etir, entender sobre esse augusto ensinamento, tendo todo o seu bojo de signi- cado voltado para o desenvolvimento moral e espi- ritual do ser humano, para a evolução do “pedreiro” que somos, do “ser edi cante” e que “se edi ca”, na Grande Obra do G∴A∴D∴U∴; no aprimoramento cotidiano e gradativo do “ser maçom”, do ser huma- no, profusamente melhorado e a melhorar-se sempre, renascendo-se constantemente, na sociedade e para a sociedade, para o bem da Pátria e da Humanidade.
Sic Fiat!

Referências Bibliográficas
– ALMEIDA, João Ferreira de. Trad. A Bíblia Sagrada (revista e atualizada no Brasil) 2 ed. São Paulo. Sociedade Bíblica Brasileira, 1993.
– DYER, Colin. O Simbolismo na Maçonaria. Editora Masdras. 2015.
– MACKEY, Albert G.. A Text Book of Masonic Jurisprudence. Seveuth Edition.1872
– RITUAL DO APRENDIZ MAÇOM DO REAA. GOB. 2009.

Sobre o Autor

ARLS Álvaro Mendes, n° 2.139 Oriente de Teresina • GOB-PI

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