INTRODUÇÃO / DEFINIÇÃO

O signi cado de oração está diretamente ligado a uma prece ou reza dirigida a Deus e está integrada nos rituais de grande parte das religiões.
Este ato visa promover uma ligação ou aproxi- mação da pessoa com o Ser Divino G∴A∴D∴U∴ através da súplica, da ação de graças, do louvor, da adoração, pedidos pessoais, intercessão pelos outros, entre outros propósitos. A oração pode ser feita de forma individual ou em grupo, em um meio público ou privado. Tam- bém pode seguir um modelo formal ou ser feita de forma espontânea.

DESENVOLVIMENTO

Talvez a primeira oração feita por um homem está relacionada ao fato bíblico escrito em Gê- nesis 4:26; “Nesta época começou-se a invocar o nome do Senhor” onde neste capítulo narra o nas- cimento de Caim e Abel, as ofertas oferecidas a G∴A∴D∴U∴, a rejeição da oferta de Caim, a fú- ria de Caim e sua inveja para com seu irmão Abel, a morte de Abel e o nascimento de sete lhos de Adão. “Deus me concedeu um lho no lugar de Abel, visto que Caim o matou”. (v.25)

O sentido que temos de oração é de uma conversa, como Jesus afirmou: “Mas você, quando orar, vá para seu quarto, feche a por- ta e ore a seu Pai, que não pode ser visto.” Mateus 6:6. A oração é um momento quando estamos a sós com Deus, onde podemos nos relacionar com Ele, adorando-O, louvando-O, fazendo intercessões, e também compartilhan- do nossas preocupações e anseios da alma. A oração é uma conversa de amigos.

O que nos motiva a orarmos?
• Antes de tudo devemos recorrer ao G∴A∴D∴U∴ e a seu poder; buscar sempre a sua presença (Salmos 105:4). Devemos sempre estar vigilan- tes e atentos para que não caiamos em tentação e nem pratiquemos o mal (Mateus 26:41). So- mente com a orientação do G∴A∴D∴U∴ é que podemos “Levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício”.
• A oração é o elo de ligação que carecemos para recebermos as bençãos de DEUS, o seu poder e o cumprimento das suas promessas. Numerosas pas- sagens bíblicas ilustram esse princípio. JESUS, por exemplo, prometeu aos seus seguidores que recebe- riam o ESPÍRITO SANTO se perseverassem em pe- dir, buscar e bater à porta do seu Pai celestial (Lucas 11.5- 13). Por isso, depois da ascensão de JESUS, seus seguidores reunidos permaneceram em constan- te oração no cenáculo (Atos 1.14) até o ESPÍRITO SANTO ser derramado com poder (Atos 1.8) no dia de Pentecostes (Atos 2.1-4).

REQUISITOS DA ORAÇÃO EFICAZ

Nossa oração para ser eficaz precisa satisfazer certos requisitos:
1°- Nossas orações não serão atendidas se não tivermos fé genuína, verdadeira. JESUS declarou abertamente: “Tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis” (Marcos 11.24). O autor de Hebreus admoesta- -nos assim: “Cheguemos perto de Deus com um cora- ção sincero e uma fé rme…” (Hebreus 10.22), e Tiago encoraja-nos a pedir com fé, não duvidando (Tiago 1.6).

2°- Além disso, a oração deve ser feita em nome de JESUS. O próprio JESUS expressou esse princípio ao dizer: “E tudo o que vocês pedirem em meu nome eu farei, a m de que o Fi- lho revele a natureza gloriosa do Pai. Eu farei qualquer coi- sa que vocês me pedirem em meu nome” (João 14.13,14).

3°- A oração só poderá ser e caz se feita segundo a perfeita vontade de DEUS. “E esta é a con ança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, se- gundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 João 5.14). Uma das petições da oração modelo de JESUS, o Pai Nosso, con rma esse fato: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mateus 6.10; Lucas 11.2; note a oração do próprio JESUS no Getsêmani, Mateus 26.42).

4°- Não somente devemos orar segundo a vontade de DEUS, mas também, devemos estar dentro da vontade de DEUS, para que Ele nos ouça e atenda. DEUS nos dará as coisas que pedimos, somente se buscarmos em primeiro lugar o seu reino e sua jus- tiça (Mateus 6.33). O apóstolo João declara: “Rece- bemos dele tudo o que pedimos porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que agrada a ele” (1 João 3.22). Obedecer aos mandamentos de DEUS, amá-lo e agradá-lo são condições prévias indispensá- veis para termos resposta às orações.

5°- Finalmente, para uma oração e caz, precisa- mos ser perseverantes. É essa a lição principal da parábola da viúva importuna (Lucas 18.1-7; ver 18.1). A instrução de JESUS: “Pedi… buscai… batei”, ensina a perseverança na oração (Mateus 7.7,8). Por exemplo, foi somente enquanto Moisés perseverava em oração com suas mãos erguidas a DEUS, que os israelitas venciam na batalha contra os Amalequitas (Êxodo 17.11).

Nossas orações são ouvidas? Claramente o Sal- mista em seu livro (salmos 65:2) diz que Deus ouve as nossas orações e a rma que muitos outros homens também virão a Ele.

A oração é uma atitude de verdadeira con ança e obediência aos planos e propósitos de Deus, e não um monte de palavras vazias. E como os discípulos perceberam que Jesus não aprovava a forma hipócrita com que os fariseus oravam, pedem que o Mestre então os ensine a orar.

“Um dia Jesus estava orando num certo lugar. quando acabou de orar, um dos seus discípulos pediu: – Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.” Lucas 11:1
A oração do Pai Nosso é um modelo de oração e não signi ca que devemos usar as mesmas palavras. Muitas pessoas reduzem esta oração em uma citação vazia, justamente o que Jesus disse para não fazermos.

“Portanto, orem assim: pai nosso, que estás no céu, que todos reconheçam que o teu nome é san- to. Venha o teu Reino. que a tua vontade seja feita aqui na terra como é feita no céu!
Dá-nos hoje o alimento que precisamos; perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam; E não deixes que sejamos tentados, mas livra- -nos do mal; pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.”
Mateus 6:9-13 Na Maçonaria temos uma oração com o mesmo con- texto, princípios, louvor, adoração, reconhecimento, inter- cessão e outros… existente na oração do Pai Nosso. Ela diz: “G∴A∴D∴U∴, fonte fecunda e imortal de luz, de felicidade e de virtude, os obreiros da paz reu- nidos neste templo, cedendo ao movimento de seus corações, rendem a vós mil ações de graças e reco- nhecem ser a vós devido o que eles zeram de bom, de útil e de glorioso na sessão de hoje. Continuai a proteger os seus trabalhos e a dirigí- -los cada vez mais à perfeição. Fazei que a harmo- nia, a paz e a concórdia sejam a tríplice argamassa, com que se liguem as suas obras.”

Pai nosso, todos pertencemos a uma mesma fa- mília a uma fraternidade, somos lhos de um único Pai amoroso e Criador. Também por esta razão nos tratamos como irmãos dentro da Maçonaria. Todos devemos nos importar com a vida e com o bem-estar de toda humanidade. Entre seus lhos, Deus não faz distinção de raça, cor, gênero, religião ou posição social. Ele é Pai do negro e do branco, do homem e da mulher, do religio- so e do ateu. Ele é sem dúvida o nosso Pai celestial. Vemos claramente o lema de Igualdade.

G∴A∴D∴U∴, Fonte fecunda e imortal de luz, de felicidade e de virtude, os obreiros da paz reuni- dos neste templo, cedendo ao movimento de seus co- rações, rendem a vós mil ações de graças e reconhe- cem ser a vós devido o que eles zeram de bom…, temos consciência de que todo louvor e glória é devi- do a Deus por este motivo começamos desta forma a nossa oração, nossos agradecimentos e louvor. Santi car o nome de Deus era o princípio mais valioso da ética judaica. Em todo antigo oriente, o nome de uma pessoa era mais do que um simples nome. O nome representava a essência do caráter e da personalidade de um homem. Conhecê-lo pelo nome, equivalia saber do seu caráter e da sua conduta. Assim quando se santi ca o nome do Senhor, esta- mos a santi car o próprio Deus. A voz passiva em que se encontra o texto “santi cado seja o Teu nome”, in- dica uma convocação a toda a humanidade a reconhe- cer e honrar a santidade do nosso Pai celeste. Mesmo sabendo que Deus tem todo o poder no céu e na terra, o seu reino não é forçado, precisamos aceitar que Deus seja referência em nosso Ser e em nossas vi- das. O Reino de Deus habita em nós, somos o Seu Rei- no precioso. Vemos claramente o lema de Liberdade.

O pão nosso de cada dia lembra do maná que Deus enviava a cada dia para sustentar o seu povo no deserto. Todas as necessidades materiais são repre- sentadas pelo pão de cada dia. É um ensinamento da necessidade de con armos na providência de Deus, estando sempre na sua dependência. Se o Pai alimen- ta até os passarinhos, quanto mais nós que somos seus lhos queridos.

“Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o G∴A∴D∴U∴, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos?” Mateus 6:26 Pedir ao G∴A∴D∴U∴ suas bênçãos, benefícios e força é tão importante quanto pedirmos o pão nosso de cada dia e gera comunhão entre os irmãos. Somen- te com a intercessão pelos nossos valorosos obreiros que alcançaremos irmãos dedicados e úteis. O perdão é a chave que abre a porta da graça e da misericórdia. Se quisermos receber o perdão de Deus, temos que também perdoar uns aos outros. Somos membros de uma mesma família e devemos preservar a nossa comunhão. É preciso superar os eventuais desentendimentos e cultivar o amor entre os irmãos. Perdoar é também praticar a tolerância.

“Mas, se não perdoarem essas pessoas, o pai de vocês também não perdoará as ofensas de vocês.” Mateus 6:15 E não deixes que sejamos tentados… aqui é um pedido para que Deus nos ajude a vencermos a nós mesmos. No telhamento do ritual este pedido é pre- visto… “vencer minhas paixões, submeter minha vontade e fazer novos progressos na Maçonaria.” Je- sus fala da necessidade da re exão interior, de forma que venhamos a ter consciência das nossas fraquezas e buscarmos a melhoria que nada mais é do que lapidarmos e pedra bruta dentro de nós.

Somos tentados pelas nossas próprias cobiças. O mais difícil no curso da nossa existencialidade é negar- mos aos nossos desejos carnais, nossa própria glória.

“As pessoas são tentadas quando são atraídas e en- ganadas pelos seus próprios maus desejos.” Tiago 1:14
Continuai a proteger os seus trabalhos e a dirigi- -los cada vez mais à perfeição…, reconhecer a supe- rioridade do G∴A∴D∴U∴ é também pedir a sua proteção e orientação para que possamos a cada dia sermos mais justos e perfeitos. Jesus termina a oração do pai nosso com a doxolo- gia no nal, semelhante às palavras do rei Davi, em 1 Crônicas 29:11: “porque teu é o reino, o poder, a glória para sempre. Amém.” Mateus 6:13 Arte e beleza fazem desta, uma oração eterna, que Jesus tirou do seu coração. A oração do pai nosso brotou da alma do Mestre, uma lição moral incompa- rável que traz sublimidade e simplicidade.

Fazei que a harmonia, a paz e a concórdia sejam a tríplice argamassa com que se liguem as suas obras. A tríplice argamassa é composta por 3 (três) elemen- tos que são: “a harmonia, a paz, concórdia” que facil- mente associamos a tríplice trindade divina: “Pai, Filho e Espírito Santo” que existem de forma triúna. Podemos a rmar que o G∴A∴D∴U∴ é uma unidade tríplice assim como a argamassa: um em três em um.

CONCLUSÃO
Não é a toa que a palavra CORAÇÃO tem uma ORA- ÇÃO dentro dela, pois toda oração deve ter origem no coração e não na razão/ intelecto.
Não é a toa que a palavra CALMA tem uma ALMA dentro dela. Toda alma precisa de paz verda- deira em Cristo para permanecer tranquila.
Não é a toa que o verbo AMAR tem um MAR imenso e profundo como o mar.
E também o EU precisa estar dentro de DEUS para encontrar-se e completar a si mesmo.
É na Oração de Coração que a Alma acha a Calma e é inundada por um Mar de amor divino; e onde o Eu se submete a Deus!

Sobre o Autor

ARLS Fraternidade Jacques de Molay de Presidente Venceslau, n° 2902 Oriente de Presidente Venceslau • GOSP/GOB

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