A no de 1954. Havia eu assentado praça na Força Aérea Brasileira quando fui servir no Centro de Instrução Militar (CIM) em Natal (RN). Naquela noite de 24 de agosto, a rádio anunciava o suicídio de Getúlio Vargas com um tiro no coração. Quartel impedido, ninguém saia ou entrava. O comandante do Centro reuniu a soldadesca para narrar o triste acontecimento e passar-lhe algumas instruções.

Na minha inspiração poética, compus o mote:
Faleceu o Presidente Com um tiro no coração.
Há 24 de agosto
O Brasil desmoronou-se Quando correu a notícia Getúlio suicidou-se.
A imprensa comentou
O povo também chorou
De luto deixa a Nação.
Com grandes desgosto ardente – Faleceu o Presidente
Com um tiro no coração Morto foi ele encontrado
Num dos salões do Catete
E ao lado do cadáver
Um explicável bilhete:
A sanha do inimigo
Leva a morte comigo.
Deixo minha retidão…
Com grande ardente
– Faleceu o presidente
Com um tiro no coração
Mostrando a composição ao chefe dos meus instru- tores, o original chegou ao conhecimento do coman- dante do Quartel, que consignou ao poeta, diante das tropas, honroso elogio.

Trinta e três anos depois, a revista Man- chete (No 1.832 – 30-05-1987) publi- cou substanciosa matéria: CARLOS LACERDA Rosas e pedras do meu ca- minho que assim inicia: “Derrubador de presidentes”, de niu o jornal francês Le Mon- de, lembrando que Carlos Lacerda in uiu no sui- cídio de Vargas, na renúncia de Jânio, na queda de Jango. Quando Lacerda morreu de enfarte, em 21 de maio de 77, houve quem indicasse como causa uma profunda frustração: o governo suspendera seus direitos políticos em 68, acabando com seu sonho de governar o país. Neste décimo aniversá- rio da sua morte, aqui está, em suas próprias pala- vras, um apanhado de suas principais impressões de vida publicadas, sob o título Rosas e Pedras do Meu Caminho, em onze números de MANCHE- TE, há 20 anos – em 1967. “Se morresse antes da hora, diria ao povo: Descon e do democrata que não se prepara para governar”, escreveu. Não sa- bia que era profeta. No curso do depoimento de La- cerda condensado por Lorem Falcão, lê-se o tópico: “No dia em que Vargas se suicidou, 24 de agosto de 1954, eu acabava de passar a noite celebrando sua renúncia. Voltei à igreja, rezei por sua alma, profundamente chocado com aquele desenlace que não de- sejaria jamais. O suicídio foi um meio desesperado pelo qual Getúlio Vargas procurou libertar-se dos erros acumulados e do grupo que o cercou. A carta-testamento nunca existiu . Não escrita por ele. O texto em três vias chegou às mãos de Getúlio para ser assinado durante a última reunião do minis- tério com o presidente, na madrugada de 24 de agosto. Vargas assinou o papel sem ler o texto. O autor foi o publicista e industrial José Maciel Fi- lho (o grifo é nosso).

A vedete Virgínia Lane deu uma versão sobre a morte de Getúlio Vargas, que foi publicada por Ruy Castro, colunista da Folha, em edição de 16-02-2014. Ela disse:
“Na madrugada de 24 de agosto de 1954, o presi- dente Getúlio Vargas estava na cama em seu quarto, no Palácio do Catete, quando quatro homens embu- çados entraram pela janela e o mataram a tiros. Não ria. Com ele, sob os lençóis, estava a vedete Virgínia Lane, com quem Getúlio tinha um caso de amor há 15 anos. Da entrada dos assassinos pela janela até o fatal tiro no coração, Getúlio teve tempo de tomar importantes providências.

A primeira foi pedir a Virgínia que jurasse nun- ca contar a ninguém que ele fora assassinado – juramento que ela só quebrou há pouco. A segunda foi chamar seu guarda-costas Gregório Fortunato, certa- mente dormindo no aposento ao lado, para que tirasse Virgínia dali. Magicamente, Gregório materializou- -se no quarto do presidente e, el às ordens do chefe, pegou Virgínia nos braços e a atirou pela janela. Nas suas conclusões sobre o depoimento da vede- te, disse Ruy Castro: “Pelas declarações de Virgínia, não cou muito claro o papel de Gregório nesse epi- sódio. Por que ele dera preferência a salvar a vedete e não defender o presidente? E o que aconteceu aos outros dois homens que caram para trás? E como Virgínia conseguiu sair do Catete pelada e cheia de fraturas, e tomar um táxi na rua sem ninguém per- ceber?” Virgínia Lane morreu em 10 de fevereiro de 2014 aos 93 anos.

(No curso da matéria, diz Ruy Castro que esse relato consta de uma entrevista concedida por Virgínia à Rádio Globo, em 2012, fácil de encontrar no You Tube)

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