Sabiam os primitivos que, ao voltar ao mesmo ponto do céu, o sol determinava o momento exato em que o ano morria e em que se iniciava um ano novo. Conhecer sem erro este instante era de importância capital para os antigos, porque por meio de cerimônias rituais, asseguravam a fecundidade do ano novo.

Pela observação, o homem primitivo percebeu que, somente por duas vezes ao ano, o sol se levanta rigorosamente no leste, sendo que, nos dias de equinócios o sol aparece cada dia sobre um ponto situado entre dois termos correspondentes ao mínimo do inverno e ao máximo do verão. Portanto é dentro da ordem das coisas que o primitivo tratou de basear toda a sua cronologia sobre a observação dos movimentos solares e sobre a sua variação entre estes dois termos.

Para permitir prever o momento em que o ano terminava e de quando convinha celebrar o seu renascimento, erigiram dois pilares marcando os limites do setor oriental do horizonte, constituindo o campo dos nascimentos helíacos. Desde então, era fácil conhecer o momento em que o sol, aparecendo junto ao marco da direita, determinava o seu decrescimento e invertia a sua marcha para os dias longos e quentes, cuja plenitude era marcada pelo poste da esquerda.

É esta a verdadeira origem dos pilares nos pórticos dos templos. A ideia primitiva foi o emprego das colunas como suportes dos telhados. Os povos que viviam antes do dilúvio, dedicaram dois pilares aos elementos fogo e ar. As colunas egípcias tinham geralmente a forma de obeliscos com hieróglifos gravados em suas quatro faces. Elas teriam sido levantadas em honra ao sol.

Na Bíblia existem muitas referências a colunas. Nos tempos antediluvianos, a posteridade de Sete erigia colunas para que suas invenções não se pudessem perder antes de serem suficientemente conhecidas. Segundo a profecia de Adão, de que o mundo seria destruído pela força do fogo e pela violência da água, foram feitas duas colunas, uma de terracota e outra de pedra. As suas descobertas foram inscritas em ambas as colunas para que, se a coluna de tijolo fosse destruída pelo dilúvio, permanecesse a coluna de pedra, mostrando aquelas descobertas à humanidade. Também informavam sobre a existência do outro pilar de barro cosido, por eles erigido. Esta lenda foi incorporada pela Maçonaria Operativa.

Jacó erigiu uma coluna em Betel para comemorar a sua visão de Deus prometendo-lhe a terra de Canaã, e outra em Galaad como lembrança de sua aliança com Labão. Josué erigiu uma em Gilgal para perpetuar a lembrança de sua milagrosa passagem pelo Jordão. Samuel ergueu uma coluna entre Mispeh e Shen, por motivo de uma derrota dos filisteus, e Abasalão outra em sua própria honra.

Desconhecendo a Lei da gravidade e não podendo imaginar como a Terra se sustentava em seu lugar, os antigos imaginaram que o fosse por meio de colunas. Há inúmeras referencias deste fato na Bíblia: I Sam. II,8; Salmos LXXV,3; Jó, XXVI,7. Esta ideia passou para os cristãos e todos os escritores antigos a ela se referiam.

Na entrada do templo de Salomão, estavam duas Colunas, cuja finalidade era os filhos de Israel, idos e vindos da oração, recordar a coluna de fogo que os iluminou ao fugirem da escravidão do Egito, e a coluna de nuvem que obscureceu o Faraó e seu exército, que os perseguiam. De noite, uma coluna de fogo iluminava sua marcha; de dia, uma nuvem os protegia do ardor solar. São recordações repetidas das promessas de auxílio que Deus deu ao Seu povo de Israel, pois Jachin se deriva de Jah equivalente a “jeová”, e de achin “estabelecer”, e significa : “Deus estabelecerá Sua casa em Israel”, enquanto que Boaz se compõe de b que significa “em” e de “oaz”, “fortaleza”, dando a entender as duas combinadas que “Deus se estabelecerá em força” ou “como uma fortaleza . Contudo, muito mais além remonta seu significado original. Diz-se que no princípio estas colunas representavam as estrelas polares, norte e sul, e se chamavam Hórus e Set, nomes depois mudados para os de Tat ou Ta-at e Tattu, que significavam respectivamente “em força” e “estabelecer”, sendo ambas consideradas como emblema da estabilidade. Tattu é a entrada para a região onde a alma mortal se funde com o imortal espírito, e em conseqüência se estabelece para sempre.

As colunas devem estar dentro do pórtico, exatamente na entrada do templo, e uma em cada lado da porta. Sendo que, uma das razões das colunas estarem na entrada do templo, era que entre elas havia de passar aquele que, procedente do mundo profano da vida comum, entrava no mundo superior da Loja. Sob este aspecto simbolizavam o vencimento, em sua natureza inferior, da turbulência das emoções pessoais e da versatilidade da mente concreta. Primeiro, sua fortaleza para travar a batalha da vida oferecida pelas emoções, e depois disso, a coluna de nossa natureza pessoal, a coluna de Set, tinha que ser vencida pelo poder da mente, a coluna de Hórus, e unir-se a ela para acrescentar à fortaleza, tendo o poder para executar e a sabedoria para dirigir.

Entre AS COLUNAS havia de passar aquele que, procedente do mundo profano da vida comum,
entrava no mundo superior da Loja.

Também representam as colunas, uma vez mais, as duas leis capitais do progresso, a do Karma e a do Dharma. A primeira rege o ambiente ou mundo material; a segunda rege o mundo interior. Mediante a harmônica atuação destas leis, o homem consegue a fortaleza e estabilidade, requeridas pela Senda oculta, e atinge o círculo dentro do qual nenhum Mestre Construtor do seu próprio templo pode errar.

As colunas eram também usadas nos ensinamentos dos sacerdotes para ilustrar a grande doutrina dos pares de opostos: espírito e matéria, bem e mal, luz e trevas, prazer e dor, etc., etc.
Não haveria regeneração e reconstrução sem a destruição, nem vida sem a morte. Nada há na natureza que não tenha em seu interior a qualidade boa e a qualidade má; tudo se move e vive nesse duplo impulso. Mesmo o reino de Deus e o reino do inferno estão ligados um ao outro de modo a constituir um só corpo, contudo, um não pode apreender o outro. A chama da cólera é a revelação do grande amor. A cólera é a raiz da vida, porém, sem luz, ela não é Deus, é fogo infernal. O Deus do mundo santo e o Deus do mundo tenebroso, não são dois deuses: há um único Deus; ele mesmo é todo o Ser, essência e substância, ele é o bem e o mal, o céu e o inferno, a luz e as trevas, a eternidade e o tempo, o início e o fim.

As Colunas também representavam o poder de sustentação do Grande Deus, e sugeriam ideias justas do poder do Onipotente, da inteira dependência do homem ao Criador; e fazendo isto, exortavam a todos a temê-lo, a amá-lo e a obedecê-lo.

As duas colunas determinam os limites do Mundo criado, os limites do mundo profano do qual a Vida e a Morte são antinomia extrema de um simbolismo tendente a um equilíbrio que nunca será possível realizar. As forças construtivas não podem agir senão quando as forças destrutivas terminarem a sua tarefa. Estas forças opostas são necessárias umas as outras. Não se pode conceber uma Coluna J sem uma Coluna B; calor sem frio, luz sem trevas, etc. O ser vivo encontra-se constantemente em estado de equilíbrio instável pela criação de células novas e a eliminação de células mortas. As gerações novas só podem afirmar-se quando as antigas lhes cedem o lugar.

Estas duas Colunas são realmente a imagem do Mundo e convém deixar este fora do Templo! O Templo é sustentado por Pilares que se situam no mundo dos Arquétipos onde tudo se funde numa Luz cuja resplandecência é imarcescível.

É interessante notar que os cabalistas consideram estas duas colunas como símbolos da involução, a descida da Vida Divina aos mundos inferiores.
“Quem conhece os mistérios das duas Colunas, a de Jachin e a de Boaz, compreenderá de que maneira os Neshamoth, ou Mentes, descem com os Ruachot, ou Espíritos, e os Nephasoth, ou Almas, através de El-chai e Adonai pelo influxo das citadas duas colunas”.

“Por estas duas Colunas e por El-chai (Deus vivo) descem as Mentes, Espíritos e Almas, como por suas passagens ou canais.

Também forma as Colunas o portal dos mistérios pelo qual ascendem almas à sua divina Fonte; e unicamente quem por entre elas passe poderá chegar ao santuário da verdadeira Divindade do homem, ao divino esplendor que, quando surge no íntimo do coração, estabelece ali a sua morada em fortaleza e estabilidade.

A palavra Jachin escreve-se em hebraico com as letras Iod,Caph, Iod, e Num. Pronuncia-se, em português Jaquim, mas, em hebraico a pronúncia é Yahhin. Esta palavra significa “estabelecerá”, segundo uns; “tornará estável”, segundo outros.

A palavra Boaz escreve-se, em hebraico com as letras Beth, Ain, e Zain. Significa “na força” ou “nele a força”.

A Coluna Boaz representa a Força, o Repouso, a Fêmea, o Negativo, o Conservador, o Receptor, a Mãe, a Matéria, o Concreto, o Princípio, a Virtude, etc., e, por conseguinte simboliza os conjuntos de Forças e Princípios que a Natureza necessita para o seu desenvolvimento à vida eterna. Também se refere aos poderes de Firmeza e Coesão que sustentam o mundo no espaço, ou seja, a Gravitação Universal.

Quanto à coluna Jaquim, esta Grande Coluna representa a Ciência, a Inteligência, a Luz, o Abstrato, a Concórdia; o Espírito, o Homem, o Sol, o Fogo, o Calor, o Ativo, o Mistério, o Universo, o Macho e em geral a todos os fatores Machos da própria Natureza.

As Colunas, J e B, representam para os ocultistas, os princípios: masculino e feminino, considerados base da criação. Jaquim sendo suficientemente caracterizada como masculina pelo Iod inicial que a designa habitualmente. Beth, a segunda letra do alfabeto hebraico, é considerada, por outro lado, como essencialmente feminina, visto que o seu nome significa casa, habitação, donde surge a ideia de receptáculo, de caverna, de útero, etc. A Coluna J é, portanto, masculina-ativa e a Coluna B feminina-passiva.

A coluna quando solitária representava para os antigos o falo, símbolo da fecundidade da natureza e da energia criadora e geradora da Divindade, e é nas colunas fálicas que devemos procurar a verdadeira origem do culto das colunas, que foi realmente culto predominante entre os antigos”.

Os povos primitivos, muito mais próximos da natureza que os modernos, e sem muitas preocupações de ética e pudor, consideravam o falo como um símbolo religioso que representava a fecundidade da Natureza, adorando-o sem preconceitos ou preocupações de lascívia. Este culto foi universal e constatado não somente na Europa e na Ásia, mas ainda no antigo México e até no próprio Taiti. Na Grécia e em Roma, o falo era levado em procissões e, por toda à parte, era considerado como signo protetor, sendo representado na fachada das casas e das próprias igrejas ou trazido como amuleto.

Segundo Eliphas Levi, “Adão é o tetragrama humano que resume o Iod misterioso, imagem do falo cabalístico. Ajuntai a este o nome do ternário de Eva e formarei o nome Jehovah,, o tetragrama divino, que é a palavra cabalística e mágica por excelência: Iod,he, vau,he, que o sumo sacerdote, no templo pronunciava Iodcheva”
Lendo-se os dois nomes IaKiN e BoaZ e invertendo-os (regra habitual, essencialmente tradicional e nitidamente do segredo), obter-se-á os nomes NiKaL e ZoaB que são (se forem considerados somente as consoantes) os dois vocábulos indicando, o primeiro a cópula, o coito, o ato sexual gerador e criador dos Mundos, e o segundo o órgão fecundante, o falo.
“Quando os dois forem um e já não houver masculino nem feminino, virá o “Reino de Deus” dizem as escrituras”.

A União dos Polos, a unidade pela dualidade, é o mistério da Criação. Enquanto separados, significam emanações do Íntimo, porém, emanações inúteis, porque se perdem no espaço infinito; mas, quando se unem, desenvolvem uma criação que toma o caminho de volta à Unidade Superior.

BIBLIOGRAFIA:

– Estudos Maçônicos Sobre Simbolismo – Nicola Aslan – edição GOB
– Curso de Maçonaria Simbólica – Theobaldo Varoli Filho – editora A Gazeta Maçônica
– A Vida Oculta na Maçonaria – C.W. Leadbeater 33º – editora Pensamento
– Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – editora Pensamento
– As Chaves do Reino Interno – Jorge Adoum – editora Pensamento
– A Cosmologia de Jacob Boehme – Basarab Nicolescu – editorial Attar

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