Quem dentre nós poderá dizer, com absoluta certeza, quantos somos em números absolutos? Onde estamos mais ou menos concentrados? Quem somos e o que fazemos fora das Lojas Maçônicas? E, agora, a indagação mais difícil em termos de resposta adequada: qual a ação maçônica exercida pelas Lojas e Obediências Maçônicas no Brasil? Este artigo não pretende apresentar respostas a qualquer das questões propostas, mas apresentar um conjunto de informações que possam induzir a qualquer tentativa de resposta.

A Maçonaria, dita Universal, é um mar imenso que nos distancia, mas que não nos afasta jamais. Guardadas as devidas proporções, a Maçonaria Brasileira é uma das muitas vastas ondas produzidas pela força motriz, egressas das centenas de Lojas Maçônicas espalhadas pelo país, e como tal, atrai olhares curiosos, admiração e respeito, mas, como toda onda, se esvai nas areias da praia em contínuo fluxo e refluxo. Como onda e parte de um imenso mar, a Maçonaria é acolhida por muitos que apreciam aventuras radicais (surfistas) e por aqueles (banhistas) que preferem ondas amenas e prazerosas a qualquer hora.

César Vidal Manzanares, escritor e jornalista espanhol, no título de um dos seus livros1 aponta que os Maçons integram os quadros de uma das sociedades secretas mais influentes da história. Por outro lado, Ralph T. Beck2, em seu livro, revela nossos juramentos e ritos de iniciação, destaca algumas personalidades notáveis que foram filiadas à Maçonaria e afirma que a Maçonaria é uma associação voluntariamente relegada à obscuridade. Posturas e visões intelectuais à parte, almejo justificar que apenas fiz referência a essas duas obras para apontar a dialética maçônica que, com muita pujança, permeia a literatura disponibilizada ao público maçom em determinado momento. A Maçonaria é isso: uma força que concentra e se insere na visão dicotômica e interesse objetivo de cada autor.

Qual a ação maçônica exercida pelas Lojas e Obediências Maçônicas no Brasil?

Particularmente, o fato que me interessa discutir mais amiúde diz respeito exclusivamente aos maçons e à Maçonaria Brasileira, neste início de segunda década do século XXI. Para isso, importa declarar, em primeiro plano, que o quadro geral de maçons filiados às três principais Obediências é muito grande, sendo quase impossível contabilizá-los no momento, particularmente, se quisermos incluir na conta os maçons placetados ex-ofício, portadores de quite placet sem lojas, portanto regulares, e adormecidos. Segundo, analisar e avaliar a distribuição das Lojas e de Maçons no território brasileiro, asseverando, en passant, não ser uniforme a distribuição, e nem poderia ser, em considerando a densidade demográfica das diferentes cidades por região geográfica. Terceiro, para garantir que não há uma única ferramenta disponível que nos permita ajuizar a atuação (ou tipo de ação) maçônica no Brasil, dado que as ações das Lojas e de maçons não se articulam ordenadamente.

Na tentativa de desenhar um quadro panorâmico, haveremos que apontar e destacar, em primeiro plano, o Grande Oriente do Brasil (GOB), com cerca de 2.677 Lojas, seguido pelas Grandes Lojas Maçônicas do Brasil congregadas na CMSB, com cerca de 2.377, e da COMAB, com cerca de 1.159, perfazendo um total de 6.213 Lojas em todo o país. Destas, cerca de 2.221 encontram-se sediadas nos Estado de São Paulo e de Minas Gerais, representando cerca de 1/3 das Lojas e dos Maçons brasileiros (66.630). Se considerarmos a Região Sudeste isoladamente, esta incorpora cerca de 45% das Lojas (2.856) e de maçons (85.680).

Dito de outra forma, a maior concentração de Lojas e de Maçons encontra-se na Região Sudeste (SP-1482, MG-739, RJ-464 e ES-171), com um total de cerca de 2.856 Lojas, seguida da Região Sul (SC-358, PR-357 e RS-418) com cerca de 1.133 Lojas e da Região Nordeste (AL-42, BA-257, CE-178, MA-78, PB-142, PE-188, PI-93, RN-82 e SE-25), totalizando 1.085 Lojas. Segue-se a Região Centro-Oeste (GO-249, MT-216, MS-163 e DF-111), totalizando cerca de 739 Lojas Maçônicas. E, por fim, a Região Norte do Brasil com cerca de 400 Lojas, assim distribuídas (AC-28, AP-18, AM-78, PA-118, RO-76, RR-46 e TO-36). Ou seja, bem mais de 2/3 das Lojas (4.723) e de Maçons (141.690) estão assentados nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil.

Informações extraídas do Relatório Anual do Exercício 2011 do Grande Oriente do Brasil estampa que são 73.355 os Obreiros ativos em 31/12/2011, donde se extrai uma média de 27,37, ampliada para cerca de 30 Obreiros por Loja como referencial usado na base de cálculo neste articulado. Assim, grosso modo, posso contabilizar cerca de 85.680 Obreiros na Região Sudeste, 33.990 na Região Sul, 32.550 na Região Nordeste, 22.170 na Região Centro-Oeste e 12.000 na Região Norte do Brasil. Esses dados permitem apontar um total de aproximadamente 186.390 maçons ativos. O que representa algo próximo de 1% (um por cento) da população brasileira.

Com base nos dados extraídos do Relatório Anual do Exercício 2011 do Grande Oriente do Brasil, registra-se que o universo de maçons ativos na Região Nordeste não passa de 9.725 Obreiros, de modo que o número que apontamos (32.550) não se mostra adequado, vez que a média regional é de 23,43 Obreiros por Loja. Assim, teríamos, em números aproximados, cerca de 25.421 Obreiros, ou seja, menos 7.129 Obreiros do total regional e do computo geral. Façamos, então, a correção, para apontar que somos cerca de 179.261 Obreiros, o que significa dizer que somos menos de 1% (um por cento) da população brasileira. Salvo reparos de última hora, o quadro de distribuição das Lojas por Obediência nos Estados seria mais ou menos pintado da seguinte forma:

…a missão da Maçonaria é a da prática das virtudes e da caridade, confortando os mais desassistidos em suas necessidades.

Resta-me, agora, para alcançar o meu desiderato, tecer breves considerações a propósito do que penso e, infelizmente, asseverar que não disponho de informações sobre a ação social da Maçonaria e das Lojas Maçônicas no Brasil, como um todo. Como já assinalei alhures, trata-se de indagação de difícil resposta. Comportaria dizer, para não tomar muito espaço, que nenhum maçom de sã consciência ousaria responder ou apresentar resposta a esta questão, e eu me insiro neste contexto dos sem resposta.

E digo que a Maçonaria, enquanto instituição essencialmente filantrópica, filosófica e progressista, tem por objetivo o aperfeiçoamento material, moral e intelectual da Humanidade, por meio da investigação constante da verdade, do culto inflexível da moral e da prática desinteressada da solidariedade. Para tanto, as Lojas e os Maçons, em todo o Brasil, desenvolvem centenas de ações sociais por conta própria ou mediante a prestação de auxílio a outras instituições congêneres. De modo geral, as Lojas e os Maçons realizam as ações que julgam conveniente e oportuna para auxiliar o próximo. Via de regra, as Lojas organizam ou participam de campanhas assistenciais em prol da sociedade e/ou de comunidades carentes, por conta própria. Afinal, fazer o bem sem olhar a quem é um dos mais consagrados lemas maçônicos.

Dito de outra forma, a missão da Maçonaria é a da prática das virtudes e da caridade, confortando os mais desassistidos em suas necessidades. Em verdade, pouco importa quantos não compreendam isto, e nem mesmo interessa saber onde estão e quem são os maçons, se cultos ou incultos, sábios ou indoutos, ricos ou pobres, urbanos em grandes centros ou em cidades interioranas, a Maçonaria não deixará de se propor a unir fraternalmente os homens. Não esqueçamos que a trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que fulgura nos pórticos e escritos maçônicos, têm como síntese a caridade pelo bem do gênero humano.

E para concluir, antes de se fazer tabula rasa da Maçonaria, vale refletir sobre o que se ocupam os maçons, se da Ordem como ela é ou da Ordem como ela pode vir a ser, exatamente por sua obra. À guisa de possível resposta, recorro às palavras de dois Irmãos mais velhos e grandes baluartes da tradicional família maçônica. Um deles, alemão, nascido em 19 de maio de 1762. O outro, pernambucano, nascido em 11 de janeiro de 1876; digo de Johann Gottlieb Fichte ou J. G. Fichte e de Manoel Arão de Oliveira Campos, ou simplesmente, Manoel Arão. E o que eles disseram? Anotem.

“O único fim da existência humana sobre a terra não é nem Céu nem Inferno, mas apenas a HUMANIDADE, da qual fazemos parte e que desejamos elevar ao máximo de perfeição possível”. (J. G. Fichte, in Filosofia da Maçonaria, São Paulo, 1984, p. 56).

“O homem não se pertence, nem pertence aos grupos, nem aos partidos, nem, em última instância, à Pátria. Ele pertence à HUMANIDADE cujo progresso uniforme e coletivo, é o seu próprio e sua suprema razão, no drama da criação”. (Manoel Arão, in História da Maçonaria no Brasil, Recife, 1926, p. 17).

Gostaria de poder concluir de outra forma, mas só me ocorre escrever que a imagem do homem perfeito é o ideal primordial do maçom. A par disso, a grande obra está em não ser mero espectador (surfista ou banhista) diante da vasta onda que é a Maçonaria Brasileira, mas no que tomamos a nós como atribuição, como tarefa e como trabalho, na colaboração dos problemas coletivos de que nós próprios somos parte integrante, pelo bem do gênero humano e pelo bem da Ordem.

Biografia:

1 – Vidal, César, in Os Maçons: a sociedade secreta mais influente da história, Rio de Janeiro – Relume Dumará, 2006.
2 – Beck, Ralph T. in A Maçonaria e outras sociedades secretas,
São Paulo: editora Planeta do Brasil, 2005.
Col. Grandes perguntas da história.
3 – Fonte: Boletim Oficial Especial – Relatório Anual do
Exercício de 2011.
4 – Guia Maçônico Nacional 2011.
5 – idem ibidem.

Agradecemos pela colaboração dos Irmãos:
Antonio do Carmo Ferreira, Osvaldo Rocha, Murilo Juchen,
Ruy Lopes Sena e H. Drummond.
É permitida a reprodução do conteúdo deste artigo,
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