Embora o trabalho a ser apresentado tivesse como tema a História do Brasil e a Maçonaria, me foi recomendado pelo Vigilante da Coluna que procurasse explanar o escotismo e sua relação com a Maçonaria.

Tendo participado do movimento escoteiro por vários anos, quando entrei para a Arte Real, pude observar diversas coincidências entre o escotismo e a Maçonaria e tais coincidências serviram para encaminhar e instruir o presente.

O movimento escoteiro foi idealizado por Robert Baden Powell em 1907 na Inglaterra e visava à convivência harmoniosa e pacífica entre os filhos dos duques (nobres) e os filhos dos seus empregados. Liberdade, Igualdade e Fraternidade foram os princípios que levaram Baden Powell dar início ao movimento.

Segundo Baden Powell, jovens de origens diferentes (fidalgos e plebeus) poderiam conviver em harmonia, auxiliando-se, compreendendo-se e crescendo juntos. Seu primeiro trabalho foi organizar um acampamento com um grupo de rapazes na Ilha de Brownsea, localizada na costa inglesa.

Esses rapazes foram deixados na ilha com suprimentos, ferramentas e utensílios suficientes para sua sobrevivência e se apoiando mutuamente, estabeleceram as primeiras normas que deram origem ao movimento escoteiro. Todas as diretrizes partiram de Lorde Baden Powell que em 1908 fundou o movimento escoteiro na Inglaterra.

O escritor francês Roger Peyrefite em sua obra “Los hijos de la luz afirma” categoricamente que “os escoteiros surgiram da Maçonaria porque Baden Powell era Maçom” e embora a literatura escoteira não cite que Baden Powell fosse Maçom a história demonstra que durante sua vida recebeu grande influência de diversos mestres maçons.

Durante a campanha dos Boers, na Índia, em 1883, Baden Powell compartilhou a companhia do Duque de Connaught, 3º filho da rainha Vitoria e que iniciado na Loja “Príncipe de Gales” nº 259 em 1874 muito influenciou na formação do jovem Baden Powell. Posteriormente, o Duque de Connaught veio a ser o Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra e também foi o presidente dos Escoteiros da Inglaterra.

O rei da Inglaterra, Eduardo VII, também deu grande impulso ao escotismo tendo sido iniciado na Maçonaria de Estocolmo por Carlos XV, rei da Suécia.

O Livro das Selvas (Jungle Books) escrito por Rudyard Kiplin serviu de inspiração para que Baden Powell escrevesse sua grande obra “Escotismo para Rapazes”. Kiplin foi iniciado maçonicamente na Loja “Hope and Perseverance” nº 782 de Lahore, Punjab (Índia). Quando voltou à Inglaterra, trabalhou na Mother Lodge nº 3.861 em Londres.

Na França, o Barão de Coubertin foi um dos principais criadores dos Eclaires, início do movimento escoteiro na França e nos Estados Unidos, dois outros Maçons, Ernest Thompson Seton e Daniel Carver Beard foram os grandes responsáveis pela criação do Boys Scouts of America.

Ainda nos Estados Unidos, o presidente Theodore Rooselvelt, conhecido porta-voz maçônico em todo mundo, iniciado na Loja Matinecock nº 806 de Nova York, foi nomeado vice-presidente honorário dos “Boy Scout of América”.

Sua relação com Baden Powell é demonstrada no livro “Escotismo para Rapazes”.

Ainda que não tenhamos provas documentais de que Baden Powell fosse Maçom, no movimento escoteiro encontramos diversas coincidências que nos levam a acreditar na influência da Arte Real no escotismo. Podemos enumerá-las:

  1. O escoteiro novato, depois de aprovado seu ingresso no grupo, passa por uma iniciação e faz seu juramento como acontece com o profano;
  2. O numero três no escotismo tem ele grande simbolismo; os membros são divididos em três faixas de idade: lobinhos, escoteiros e seniores e dentro dessas faixas existem três graus de adestramento (noviço, 2a Classe e 1a Classe), na Maçonaria temos aprendizes, companheiros e mestres;
  3. No escotismo existem três virtudes e três princípios e na Maçonaria temos as três luzes;
  4. Para um escoteiro ascender de um grau para outros, deve passar por provas de conhecimento, habilidade e merecimento enquanto que na Maçonaria a ascensão é feita mediante apresentação de trabalhos e provas de conhecimento;
  5. Aos escoteiros menores damos o nome de lobos ou lobinhos e no antigo Egito os iniciados nos mistérios de Isis eram chamados de chacais ou lobos;
  6. Os escoteiros e os Maçons se reconhecem por meio de sinais, toque e palavras;
  7. Também no escotismo encontramos a cerimônia da Cadeia de União ou Cadeia da Fraternidade que ocorrem em ocasiões especiais;
  8. Ao escoteiro que atinge a idade limite chamamos escotista e então, caso permaneça no movimento é chamado de chefe e de acordo com seu grau de conhecimentos e adestramento também é chamado de Mestre;
  9. O movimento escoteiro é mundial e existe em todas as nações e um escoteiro vê no outro escoteiro um irmão independente de cor, nacionalidade ou credo e isso também é um dos dogmas da Maçonaria.

No Brasil, o escotismo iniciou-se em 1910 e desde então vemos inúmeros Irmãos Maçons se destacarem como membros do movimento.

Em nossas pesquisas, podemos destacar e nomear o Irmão Alcídio Pimentel que foi Grão-Mestre maçônico e também presidente Regional do Escotismo Mato-grossense–do-sul e que empresta seu nome a um Grupo Escoteiro cujo lema é “Para um Mundo Mais Justo e Perfeito”- Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Outro Irmão Maçom ligado ao escotismo foi Benjamim Sodré que em 1922 escrevia na revista infantil “O Tico-
-Tico” sob o pseudônimo “Velho Lobo” uma coluna sobre escotismo de muita influência na formação moral da juventude da época. Antigo marinheiro, durante a guerra comandou o petroleiro Marajó.

Suas atuações na vida profana lhe valeram inúmeras comendas e diplomas e na vida maçônica era filiado à Loja “Regeneração Catarinense” sendo conhecido como “Impoluto Maçom”. Foi deputado da Assembleia Legislativa do Grande Oriente do Brasil e exerceu o cargo de Grão-Mestre.

Ascendeu ao Oriente Eterno aos 90 anos de idade e recebeu justa homenagem, emprestando seu nome à A.’.R.’.L.’.S.’. “Benjamin Sodré” nº 143 do Oriente de Niterói – RJ. A referida oficina apresenta em sua chancela sobre o fundo azul uma âncora símbolo da Marinha.

Sobre ela, o Compasso e o Esquadro e entrelaçada ao compasso a Flor de Liz, símbolo do escotismo e no meio da flor de Liz temos o escudo nacional em azul com círculo de estrelas rodeando a constelação do Cruzeiro do Sul e representando os grandes amores do Irmão Benjamin: A Pátria, o escotismo, a Maçonaria e a Marinha.

Uma resposta

  1. orgelio augusto de sene

    Gostei da abordagem do tema, até porque se faz necessário nestes tempos um “norte” para os navegantes que buscam a verdadeira historia da maçonaria, juntamente com ela a face resplandecente do criador. Em algumas pesquisas que eu fiz anteriormente na internet, os dados me levavam pelo Egito antigo, nas alegorias contidas nos alicerces filosóficos da instituição. Como por exemplo O OLHO QUE TUDO VÊ – olho de Hórus, A própria piramide inacabada,etc…

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