A prisão de Jacques de Molay e dos templários, em solo francês, pode ter marcado decisivamente o fim da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, contudo não deu fim a todos seus membros e tão pouco às tradições e sentimentos templários.

Foram abertos dois processos contra os templários: o primeiro, conduzido pelo Papa Clemente V, em que a Ordem foi absolvida conforme o Pergaminho de Chinon, e outro, dirigido pelo Rei Felipe contra Jacques de Molay e seus cavaleiros. Apesar da perseguição na França, havia templários espalhados por toda a Europa, onde os membros da ordem permaneceram seguros. Um desses países era Portugal.

Com cerca de 70% do território nacional pertencente à Ordem, com força militar e política, o rei d. Diniz decidiu garantir a permanência dos monges guerreiros em terras portuguesas. No ano de 1317, com firme convicção que os templários não haviam cometido crime, d. Diniz fundou uma nova organização formada pelos templários remanescentes: “A Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo”, ou comumente chamada de “Ordem
de Cristo”.

Com pouco mais de 80 cavaleiros, Portugal se tornou o refúgio para os perseguidos da França e de vários outros países. A nova Ordem, que manteve os segredos, filosofia e costumes de suas origens, recebeu todas as posses da antiga organização em solo português. Em 1319, dois anos depois de sua criação, a nova cavalaria foi reconhecida pelo Papa João XXII, iniciando agora os cavaleiros de Cristo uma nova era com uma nova missão: proteger seus segredos e retribuir a proteção da Coroa portuguesa.

Pedro Álvares Cabral seria não apenas um navegador, mas um dos altos comandantes da Ordem de Cristo

Com seu estabelecimento, a Ordem de Cristo incentivou os estudos cartográficos, a construção de navios e fomentou a própria navegação e a expansão do império. O símbolo da organização, formada pela antiga cruz pátea templária, sobreposta por uma cruz grega branca, esteve gravado nas naus e caravelas portuguesas.

O voto de sigilo permitiu que os templários guardassem por anos os segredos de navegação adquiridos no mediterrâneo. Pelo fato de ser uma Ordem secreta, os conhecimentos eram transmitidos somente entre seus membros, à medida que avançavam de grau dentro da ordem.

As caravelas são os principais exemplos desses conhecimentos que os templários contraíram. Os navios do descobrimento são a evolução da Caravela Pescarezza, que é um barco costeiro utilizado por pescadores da costa atlântica e que teria derivado do cárabo árabe. Outros avanços templários são encontrados em estudos que apontam que em 1250 já havia o conhecimento da existência de um novo continente. Mapas de 1389 já apresentavam o Brasil, ainda com formas desconhecidas.

Com a extinção da Ordem, a proteção pela Coroa portuguesa, os conhecimentos cartográficos, náuticos e a certeza da existência de terra além-mar proporcionaram aos cavaleiros a possibilidade de desbravar novos territórios.

Por determinação da Igreja, nenhum país submetido ao papado poderia tomar posse de novos territórios, a não ser os seus representantes. Acima de tudo, a Ordem de Cristo era também uma organização religiosa e que tinha o privilégio de receber o dízimo, propagar a fé ao culto cristão e tomar terras de infiéis.

Em 1493, antes mesmo de Portugal descobrir oficialmente a nova terra, uma grande polêmica foi criada com a Espanha pelas posses que ambas as coroas reivindicavam. O papa Alexandre VI teve que intermediar a questão proclamando a Bula Intercoetera, propondo o traçado de uma linha imaginária a 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, sendo que as terras a oeste da linha ficariam para a Espanha e a leste para Portugal.

Sabendo que as terras a serem oficializadas não estavam inseridas dentro do limite estabelecido, em 1494 os portugueses negaram a proposta. Assim, o rei português D. João II enviou os cartógrafos e navegadores da Ordem de Cristo a Tordesilhas, na Espanha. Liderados por Duarte Pacheco Pereira, os cavaleiros estabeleceram uma linha traçada a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde.

Pedro Álvares Cabral seria não apenas um navegador, mas um dos altos comandantes da Ordem de Cristo, que fez uso dos mapas e cartas de navegação templárias para “descobrir” o Brasil.

Em 8 de março de 1500, após a missa dominical em Lisboa, o Rei D. Manuel I subiu a um altar montado no cais da Torre de Belém e entregou a Pedro Álvares Cabral uma bandeira da Ordem de Cristo, que permaneceu na principal embarcação da frota que tinha o objetivo de tomar o território brasileiro dos infiéis indígenas.

Apesar de não ter experiência como navegador, Cabral estava no comando da esquadra porque era membro da Ordem e tinha como encargo tomar posse de uma região já descoberta: o Brasil.

Em menos de quatro dias depois de avistar a nova terra, o cavaleiro Pedro Álvares Cabral cumpriu sua missão, hasteando a bandeira da cruz templária e realizando a primeira missa em solo do território que estava sendo oficialmente incorporado às posses da organização e da Coroa.

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