Reflexões sobre a Simbologia da Torre de Babel para os Maçons
etenim universi qui sustinent te non confundentur confundantur omnes; iniqua agentes supervacue vias tuas Psalmus 24.4

A Torre de Babel é uma história que é encontrada na livro do Gênesis, de autoria atribuída a Moisés, o libertador do povo judeu. Esta história é uma simbologia que busca explicar o porquê das diferentes línguas no mundo e também o motivo dos homens não compreenderem-se totalmente, havendo sempre discórdia por falta de entendimento. É também uma maneira de explicar os diferentes povos, seus usos e costumes. Analisaremos aqui esta história bíblica e o que ela traz de reflexão sobre a ação dos maçons.
A história no livro Gênesis encontra-se no capítulo 11: versículo de 1-9, conforme Tradução Brasileira da Bíblia:


“E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala.
E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali.
E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal.
E disseram: Edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.
Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;
E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.
Desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.
Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra”

A história começa com o repovoamento da Terra pelos descendentes de Noé, chegando até Ninrode, o rei de Babel. O reinado de Ninrode incluía as cidades de Babel, Ereque, Acádia e Calné, todas na terra de Sinar (Gênesis 10:10). Foi, provavelmente, sob o seu comando que iniciou-se a construção da cidade de Babel e da sua torre.

Temendo o povo antigo um novo dilúvio e a extinção dos homens, teve-se a ideia da construção de uma alta torre que chegasse aos céus.

– E disseram: edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome.
Esta passagem retrata a vontade do povo pós-diluviano de manter a perspectiva de um futuro como povo e sua identidade, assim, aparece no texto bíblico – façamo-nos um nome – ou seja, ser reconhecido como um povo único e também grandioso pela construção de uma grande torre.

A construção da Torre de Babel é, assim, na Bíblia, a primeira grande obra do homem na terra com o trabalho de suas mãos. A torre representa um grande esforço coletivo na construção de algo humano – “cujo cume toque nos céus” – esta é a grande ambição da humanidade.

A primeira obra grandiosa dos pedreiros antigos teve início, e ela foi ascendendo aos céus, porém, conta a história que Deus, vendo a ambição dos homens e considerando que a linguagem comum unifica os intentos, resolveu Ele agir:

“E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro”.

Ao ler este trecho entendemos o porquê da atitude de Deus, visto que, até ali, o povo descendente de Noé não tinha ofendido ao Deus adâmico. Contudo, a simbologia bíblica está nas entrelinhas. Quando disseram os homens – “ edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus” – está implícito aí três diretivas, primeiro: a possibilidade de construir algo grandioso, segundo: é que não é preciso a permissão de Deus e terceiro: é que é possível chegar aos céus…a morada de Deus. Esta frase indica que os homens afrontavam a condição da divindade, construir esta torre é dizer-se também Deus, pois eles poderiam chegar aos céus.

Os primeiros pedreiros da primeira grande obra do homem estavam, assim, imbuídos de um desejo de ascensão e de igualdade a Deus. A torre estava sendo construída e chegariam ao seu intento, contudo, o agir divino veio a ruir esta edificação na base, no entendimento dos homens e seus propósitos. Esta é a lição que podemos retirar como pedreiros modernos, como maçons, de que o entendimento do outro, a observação da lei e a dependência da divindade é o fator dos nossos sucessos.

Esta construção do primeiro “arranha-céus” retrata o orgulho e a ambição da criatura diante de seu criador.

A maçonaria é a arte real, suas oficinas trabalham os pedreiros da autoconstrução, tendo como grande arquiteto, o Pai Divino, que traça seus planos cabendo-nos executar nas oficinas este labor.

A história da Torre de Babel nos mostra que a união e o entendimento é que nos identifica como irmãos e que, sob a vontade e a aceitação das divinas leis construiremos um novo edifício que chegará aos céus, pois ele será edificado no labor constante da autotransformação do edifício físico no edifício espiritual em reconciliação com o Grande Arquiteto do Universo.

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