Os rituais evidenciam o caráter esotérico da maçonaria mesmo que, na prática por conta do “tornar feliz a humanidade” predominem em algumas Lojas objetivos paralelos, tais como a filantropia, o assistencialismo ou as ações políticas.

Em seu aspecto esotérico a maçonaria é iniciática e disponibiliza aos seus obreiros uma carreira evolutiva apoiada principalmente nos graus a serem conquistados, tanto na Loja Simbólica quanto na Loja Filosófica. Nesse prisma a caminhada esotérica vai do grau um ao grau trinta e três, em se falando do Rito Escocês Antigo e Aceito.

No entanto há uma outra maneira, simultânea, em que a Loja pode oferecer uma senda evolutiva ao obreiro. Esse artigo vai tratar desse segundo caminho evolutivo, deixando claro que este não concorre e não substitui as Lojas Filosóficas, ou seja, essa outra frente de conquistas graduais deve acontecer em paralelo àquelas.

Primeiramente, para efeito da tese desenvolvida aqui neste artigo, serão estabelecidos os seguintes pré-requisitos: Uma Loja não pode ser grande, os obreiros deverão ocupar o cargo de Venerável Mestre somente uma vez na vida, os Mestres Instalados não deverão ocupar cargos de dignidades e, por fim, todos os obreiros são iguais e estão aptos a ocupar qualquer cargo, pois a igualdade é fundamental para se estabelecer a justiça.

Quanto ao tópico igualdade, citado acima, este reza que todos os membros estão sujeitos às mesmas obrigações e todos deveriam merecer os mesmos direitos. Porém, tal preceito nem sempre é exercitado em Loja, principalmente nas eleições e mais ainda quando presentes os “donos de Loja”.

Ainda quanto ao quesito igualdade, alguns dirão que para fins eleitorais a democracia dá a mesma oportunidade a todos. No entanto, embora seja o melhor dentre os modelos políticos, tal sistema tem suas falhas, pois nele está presente a disputa e ao final alguém vai ganhar, enquanto outros perdem. E o resultado, em seu limite, poderá conduzir até 49% do quadro à derrota, ou seja, praticamente metade dos obreiros da Loja poderão ficar insatisfeitos. E é sabido que a insatisfação gera as intrigas, os antagonismos e a desarmonia. Portanto, principalmente pelas razões elencadas acima, uma disputa eleitoral não faz bem a uma Loja.

Voltando ao tema do artigo, que foca a construção da Loja harmônica. Em tal oficina no processo de seleção de candidatos à iniciação, quando um profano for apresentado, o padrinho e todos os demais Mestres deverão refletir e responder à seguinte pergunta: O candidato tem potencial para, depois de trabalhado, se tornar um futuro Venerável Mestre? Se a resposta for não, essa iniciação não deverá acontecer. Até porque a Maçonaria é uma escola de líderes e assim quem não serve para ser venerável também não serve para ser obreiro. Ou ainda, a maçonaria não precisa de carregadores de piano ou de coadjuvantes.

Nessa Loja ideal cabe aos Mestres Instalados, pelo fato de não serem candidatos a nada, organizarem uma linha sucessória contendo o nome dos obreiros que nunca foram Veneráveis Mestres, classificando-os por ordem de antiguidade na loja. Nessa lista os obreiros que entraram na Loja na mesma data ocuparão a mesma posição. Dessa maneira, assim que for iniciado, todo obreiro irá conhecer sua posição na linha hierárquica e já terá a expectativa de que virá a ser Venerável Mestre e em que data, aproximadamente, isso poderá ocorrer. Essa perspectiva lhe permitirá preparar-se para esse dia. Ou seja, vir a ser Venerável Mestre passa a ser um objetivo evolutivo, sedimentado na tolerância, paciência e treinamento contínuo, diante de uma situação real.

Assim, nas proximidades das eleições, os Mestres Instalados, em reunião, a partir da lista estabelecida por ordem de antiguidade na loja, atualizam as informações dos obreiros. Assim, retiram dessa lista o nome daqueles obreiros que não atingiram a frequência mínima obrigatória exigida pelo Regulamento Geral. Retiram, temporariamente, também o nome daqueles que espontaneamente abdicarem de sua posição, quer seja por problema de saúde, por falta de tempo ou de foro íntimo. Reclassificam, então, os obreiros que tenham o mesmo tempo de Loja, onde terá prioridade sequencial aqueles que tiverem maior frequência. Por fim, assim ficará composta a lista dos candidatos aos cargos de dignidade para a eleição que se avizinha, cuja sequência, do primeiro ao sétimo, vai dizer quem, nessa ordem, deverá ocupar os cargos de Venerável Mestre, Primeiro Vigilante, Segundo Vigilante, Orador, Secretário, Mestre de Cerimônias, Tesoureiro e Chanceler.

Os demais cargos da chapa única serão compostos em reunião administrativa a partir da indicação dos demais Mestres, sempre priorizando antiguidade e frequência. Depois de esgotados os Mestres entram na chapa os Mestres Instalados e por último, se ainda houver vagas, os Companheiros e os Aprendizes.  
   
Assim, com tal critério não haverá disputas, pois, os principais cargos da chapa já estarão definidos automaticamente sem a interferência de donos de lojas ou de padrinhos, e dessa forma fica eliminada a possibilidade de eleições constrangedoras.

Por fim, não havendo disputas não haverá racha e não haverá a necessidade de obreiros, apoiados em descontentamento e na sensação de injustiça, fundarem Lojas novas com o objetivo inconfessável de nelas se elegerem Veneráveis Mestres.

Enfim, trata-se de um processo justo, assim como deveriam ser as atitudes dos Mestres e das Lojas, em todos os momentos de sua existência.
Essa é a Loja em harmonia.

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ARLS Cavaleiros do Alvorecer, no 21 Oriente de Cuiabá - MT • GLEMT/CMSB

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