Ao decidir que gostaria de ingressar na maçonaria, muitos me perguntaram qual a razão de tal propósito. Indagavam como alguém poderia se interessar em fazer parte de algo que não conhecia. Nunca tive dúvidas em responder que a convivência em sociedade com alguns maçons e o apreço à sua conduta era a verdadeira razão deste desejo. Observar o quanto fez bem a algumas pessoas próximas a mim o ingresso na Maçonaria, me fez perceber, mesmo sem qualquer conhecimento sobre ela, que estas pessoas evoluíram e se transformaram em pessoas melhores após seu ingresso e desenvolvimento dentro da ordem. O próximo passo foi tentar, através da literatura disponível, entender um pouco da história da Maçonaria. Os poucos materiais que li me encantaram e despertaram ainda mais o meu desejo de fazer parte de algo tão esplêndido.

Após todo o minucioso processo de seleção e ser agraciado com a aceitação em ingressar numa ordem de tamanha importância e tradição como é a Maçonaria, as perguntas continuam a ser feitas, desta vez me perguntam se estou gostando, se era isto que eu esperava e se está atendendo minhas expectativas. No entanto, poucas pessoas fazem a pergunta mais importante: “A maçonaria já entrou em você?” Talvez este seja o principal desafio de um aprendiz, entender e, principalmente, ser tocado pelo verdadeiro espírito da Maçonaria.
Entramos na Maçonaria por nossa vontade e ao fazer isto optamos por trilhar nossa vida através do caminho da inteligência e da sabedoria. É uma busca constante para retirar as vendas que cobrem nossos olhos e passar a enxergar a real necessidade da convivência em fraternidade e harmonia com todos que nos rodeiam.

Ao nos iniciarmos estamos buscando nascer de novo, começar uma nova vida, buscando nos tornar pessoas melhores e mais evoluídas. Passamos a despertar a força que existe em todos nós para espalhar o bem e alimentarmos o desejo de progredirmos, superando os obstáculos que se colocam em nosso caminho. Mas não basta somente nascer de novo, precisamos crescer e evoluir neste espírito disseminado pela Maçonaria e, para tanto, é preciso buscar, de forma incessante, nos envolver nos ensinamentos da ordem.

Muito embora a Loja se empenhe no nosso aperfeiçoamento, acredito que nós aprendizes temos o igual dever de buscarmos nos aprofundar no aprendizado maçônico, quer seja através da transmissão de conhecimentos pelos irmãos mais experientes, quer seja através leitura e pesquisa. Da mesma forma que um aluno não consegue apreender tudo apenas comparecendo às aulas, não devemos nos limitar apenas às instruções recebidas nas sessões, é preciso que nos dediquemos nos estudos a respeito daquilo que é executado e discutido em Loja.
Não podemos deixar morrer este nosso ímpeto, essa nossa fome por querer saber mais sobre a Maçonaria e sua doutrina e mesmo sabendo que há hora certa para tudo e que não é salutar pular etapas, não devemos reduzir nossa vontade de compreender tudo de que estamos fazendo parte. Mais importante do que a nossa grande ansiedade em galgar graus mais elevados é buscar, constantemente, novos conhecimentos e, mesmo com a pouca maturidade que temos, devemos nos aprofundar na história desta ordem tão antiga e respeitada em todo o mundo. Não podemos nos deixar cair na armadilha de passar anos fazendo algo sem saber seu significado, sua razão de existir. Para tanto, é necessário que estejamos abertos à compreensão do novo, a mudarmos nosso jeito de viver e abandonar velhos paradigmas.

O nosso símbolo é a pedra bruta, que representa nossa natureza rústica e ainda não trabalhada. A direção que devemos seguir é buscarmos, através deste novo ideal de vida, desbastar esta pedra, nos livrando de nossos defeitos e paixões. Isto só é possível através do aprendizado, da convivência com os irmãos e de grande empenho na busca por conhecimento e uma nova forma de agir e ver as coisas. Só assim conseguiremos desenvolver nossas virtudes e eliminar nossos vícios, nos tornando pessoas melhores para o convívio em nossa loja, em nossa família e na sociedade que estamos inseridos. Através da nossa própria mudança conseguiremos mudar a sociedade que vivemos, tornando-a um lugar melhor para todos nós.

Poder fazer parte da Maçonaria, algo para poucos, é motivo de muita satisfação, mas também de muita responsabilidade. Ao nos tornarmos maçons, passamos a ter o compromisso de vivermos em retidão e além da conduta que devemos ter perante nossos irmãos, obediência aos nossos estatutos e regulamentos, devemos ser exemplos para todos que nos cercam, sejam eles maçons ou não.

Sobre o Autor

ARLS Arquitetos de Ormuzd, no 0511 Oriente de Bauru • GOSP/GOB

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