Não tenho o hábito de escrever textos, por- tanto não sei se este será o primeiro e único ou se com o decorrer do tempo outros serão escritos. Vários estímulos me levaram, neste momento, a colocar em letras alguns pensamentos que te- nho observado na caminhada de um Maçom e espero estar contribuindo de alguma forma com minhas colocações. Somos pessoas diferentes, as Lojas também tem suas diferenças, então como somos Irmãos iguais, so- mos unidos? Realmente não somos iguais, ninguém é igual, mas somos bastante unidos. Acredito que isso ocorra em função de aceitarmos as imperfeições individuais. É isso mesmo, pois aceitar, conviver e aplaudir virtudes como bondade, gentileza, simpatia, etc. é muito fácil. Em compensação, conviver, aceitar opiniões e formas de ser contrárias, respeitando as in- dividualidades, não é simples, mas produz uma liga- ção extremamente potente. O traçado evolutivo desta cadeia inicia com o convite, que só é feito para um personagem, o qual, de alguma forma possua uma li- gação com o proponente, existindo, portanto um elo afetivo ou social, sendo esta ligação a primeira parte de um caminho que se adequadamente traçado, for- mará um Maçom.

Frequentando algumas Lojas, hoje vejo que o ini- ciado poderá ter trajetórias distintas, pois os cuidados necessários para estimular, de alguma forma, o enten- dimento básico e o despertar da curiosidade, às vezes não são oferecidos adequadamente. A base obrigatória das instruções estabelecidas nos rituais é fundamental e extremamente importante, mas não devem ser exclu- sivas, são uma base. Entendo como no mínimo uma ingenuidade, passar velozmente pelas instruções com a nalidade de chegar a almejada e intitulada “plenitude maçônica”, que talvez não exista.

Ao ingressar na maçonaria passamos a conviver em um mundo elaborado sob a batuta de símbolos, alegorias, metáforas e uma série de fundamentos, os quais muitos não estão acostumados a assimilar, e mais, acredito que até aqueles familiarizados com es- ses estilos tenham algum tipo de di culdade. Assim sendo, vejo com certa apreensão a condução dos pri- meiros passos dos iniciados, ciente de que a jornada é in nita e que cada um, como diferentes que somos, tem seu tempo. É mister que haja um equilíbrio do compasso evolutivo, a m de não ser uma trajetória monótona e in ndável, assim como não deve ser uma prova de velocidade contra o tempo, mas sim que haja uma forma equilibrada em que a interpretação, o entendimento gradual seja possível.

Assim como somos diferentes, temos Lojas dife- rentes e Ritos diferentes, contendo um conjunto de especi cações e preceitos utilizados para se prati- car os rituais maçônicos, mas todos com propósitos iguais, os quais, para os alcançarmos todos os esfor- ços devem ser empreendidos. Atividades festivas, – lantrópicas, culturais e outras, são bem vindas, mas jamais devem superar aquelas que auxiliam os obrei- ros ao aperfeiçoamento social, moral e intelectual.
A velocidade e as novas modalidades de comu- nicação podem e devem ser utilizadas, mas sempre com os devidos cuidados de não eliminar etapas básicas, através de fontes dedignas e que promovam o estímulo ao aprendizado.

Acredito que a leitura tenha um papel extrema- mente importante, digo até que seja fundamental, para que o iniciado obtenha uma compressão adequa- da de conceitos e a busca do entendimento de tantas metáforas, símbolos e alegorias. E ler um texto não é a mesma coisa que entender o texto, por quantas vezes já li e reli o mesmo texto ou mesmo um pará- grafo, para interpretá-lo. Mais complexo ainda, é a prática efetiva de conceitos valorosos e fundamentais extraídos de tantos ensinamentos que nos são pro- porcionados, como por exemplo, no “Livro da Lei”. Vejo que o simbolismo muitas vezes transmite à nos- sa consciência informações que nos permitem um determinado entendimento, agindo como facilitador, uma ponte, sendo assim uma importante ferramen- ta no aprendizado. Entendo também que o convívio prolongado em um meio onde são apresentados, de formas variadas, conceitos e comportamentos que transmitem a prática do bem, auxiliam na formação de um Maçom, porém, não serão su cientes para busca de uma formação adequada.
vejo. A busca do conhecimento é um processo de perseve- rança, evolutivo e in nito, que se manterá a custa de uma variedade de estímulos, os quais serão revelados a cada um dentro do seu próprio tempo, da sua própria evolução.

Sobre o Autor

ARLS Loja de Estudos Maçônicos Sebastião de Castro, no 150 Oriente de Três Rios • GLMERJ/CMSB

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