Se sua resposta foi “não”, lamento, mas você está errado. Se sua resposta foi “sim”, sinto lhe dizer, mas você também está errado! E eu lhe explico por quê. A felicidade não é algo a se buscar, ela é um estado presente. A felicidade não é um fim, é um meio.

Mas afinal, em que consiste a felicidade? “Quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada” disse Tales de Mileto. Platão e Sócrates também relacionaram felicidade com alma. Foram muito além da simples satisfação de desejos e vontades, além do prazer material e terreno. Para Kardec, a felicidade “com re- lação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tran- quila e a fé no futuro”.
Ganhar dinheiro? Ter saúde? Comprar um carro novo? Ter um amor? Seu time ganhar um campeonato? Sim, óbvio que são coisas boas. Mas o sentimento oriundo dessas e de tantas outras venturas não é pleno e absoluto. Repare: o carro novo, após um tempo, já não lhe brilha mais os olhos igual quando acabara de comprar. O dinheiro que ganhara, não lhe satisfaz plena- mente. Ver seu time campeão, dura apenas até a próxima derrota. Amor, dura até a primeira bri- ga. Saúde, até a primeira doença. Portanto, ago- ra já temos condições de diferenciar dois sen- timentos completamente distintos: ALEGRIA e FELICIDADE. A primeira, volátil e passageira. A segunda, plena e duradoura.

A felicidade absoluta não é momentânea, não é relativizada, não é condicionada ao tempo, não está relacionada a bens materiais, não se desfaz,
não é pretenciosa… a felicidade absoluta, infelizmen- te, é rara de ser encontrada nas pessoas. Mas por que di cilmente dispomos de felicidade plena? É sim- ples, porque buscamos a felicidade nas coisas, na matéria, nos outros. Apoiamos a nossa felicidade exteriormente a nós mesmos, como se estivéssemos apoiados em uma bengala frágil e sem estabilidade, e por isso caímos sempre que perdemos o equilí- brio. E quando a queda ocorre, exaure-se também o potencial de ação. Perde-se, portanto, a felicida- de. De acordo com dados recentemente divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), 11,5 milhões de brasileiros são afetados pela depressão. Nos últimos 10 anos, esse índice aumentou cerca de 20%, tornando o Brasil o país com mais depres- sivos da América Latina. No mundo, são mais de 320 milhões de pessoas afetadas.
É verdade que nós, Maçons, somos felizes em Loja. Saldamos valores morais que nos conferem honra de fazer parte de nossa sublime Ordem. No entanto, é muito fácil ser fraterno dentro do Templo. É muito fácil agir maçonicamente entre Irmãos. E então eu lhe pergunto: como você é no trânsito? E na fila do supermercado? Como você se comporta quando as coisas não ocorrem da maneira que queria? Como age quando é con- frontado? E quando sua palavra é questionada? E então eu lhe pergunto mais uma vez: meu Irmão, você é feliz de fato?

É VERDADE QUE NÓS, MAÇONS, SOMOS FELIZES EM LOJA. SALDAMOS VALORES MORAIS QUE NOS CONFEREM HONRA DE FAZER PARTE DE NOSSA SUBLIME ORDEM

Existem algumas ferramentas, comportamentais e losó cas, que podem nos proporcionar a felicidade absoluta. O trunfo é desenvolver e consolidar o sen- timento de felicidade dentro de si. Pare, portanto, de depositar sua suposta felicidade em coisas exteriores a si próprio. E para que isso ocorra, torna-se inevitável o autoconhecimento. Para Sócrates, o “conhecer-te a ti mesmo” é a chave para a con- quista da felicidade. Por isso, meu Irmão, re ita! Medite! Invista 10 minutos do seu dia para respi- rar lenta e profundamente. Mergulhe ao âmago de seus pensamentos e realize uma faxina mental, eli- minando todo e qualquer pensamento que o assola. “Para vos tornardes verdadeiro iniciado, podeis ler pouco, mas pensai muito, meditai sempre e, sobre- tudo, não tenhais receio de sonhar”, instrui-se no segundo grau da maçonaria simbólica. Ademais, meditar provoca alterações siológicas no nosso organismo. O sentimento de bem-estar oriundo da meditação desencadeia a liberação de hormônios e neurotransmissores que têm a capacidade de nos deixar menos tensos, mais dispostos e até aumen- tar nossa imunidade.

Conhecendo então a primeira chave para a fe- licidade absoluta, a meditação, vamos para a se- gunda (e ainda não é a maior). Você já parou para pensar que o você tem, e julga insu ciente, pode ser a extrema felicidade de outrem? Dizia Kardec “a felicidade terrestre, é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça do outro”. E é nesse ponto que podemos encontrar a segunda chave para a felicidade plena e absoluta: a gratidão. Com gratidão, nos tornamos mais humildes. E sem humildade, é impossível ser feliz. Agradeça a Deus pelo o que possui. Pare de sofrer pelo o que ainda não tem.

Mas a nal, qual é a maior de todas as ferramen- tas, a chave de ouro, para a felicidade? Ela está escrita na Bíblia e também já foi proclamada por
diversos lósofos: é dar felicidade aos outros! Em psicogra a de André Luiz, relata-se que “quem se aceita como é, doando à vida o melhor que tem, caminha mais facilmente para ser feliz como se es- pera ser. A nossa felicidade será naturalmente pro- porcional à felicidade que zemos para os outros ”. Ou seja, dê felicidade aos outros para ser feliz. Todas as nossas ações (e pensamentos) voltam-se contra nós, tal como a terceira lei de Newton, da ação e reação, na mecânica clássica.

A faísca que inicia a felicidade no dia de outra pessoa pode estar no simples sorriso que você dis- tribuiu. Na atenção dispensada. Em uma ajuda des- pretensiosa. Meu irmão, seja como o sol, irradie fe- licidade a todos ao seu redor. Dê luz a todos aqueles que ainda estão vendados para uma vida plenamente feliz. Seus raios ofuscarão profanos insolentes e ilu- minará qualquer treva. Doando seus raios luminosos, você se tornará, logo, a própria luz. E será, sobretudo, fonte de energia para outras vidas.

Portanto, meu Irmão, seja grato, medite e doe felicidade. Com gratidão e autoconhecimento é possível, de maneira plena e absoluta, erguer tem- plos às virtudes e cavar masmorras aos vícios. Es- tará, por conseguinte, operando em consonância com os planos do G.A.D.U. E somente assim, será possível afastar as trevas do mundo profano e atin- gir a clarividência dos Iniciados. Tornar-se-á, por m, um maçom pleno e absolutamente feliz.

Sobre o Autor

ARLS Antônio Lafetá Rebello, no 270 Oriente de Montes Claros • GOMG/COMAB

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