Que Ordem é essa da qual participamos e nos orgulhamos? Que Maçonaria é essa que ostentamos representada num distintivo de lapela, num anel ou adesivo de carro? Como definimos Maçonaria para nós mesmos, para nossa família, nossos amigos, colegas de trabalho e vizinhos?

A definição popular está nas enciclopédias, na internet e nos dicionários, mais ou menos assim: “A Maçonaria é uma sociedade secreta de caráter universal, cujos membros cultivam os princípios da liberdade, democracia e igualdade, fraternidade e zelam pelo aperfeiçoamento moral e intelectual de seus membros, sendo assim uma associação iniciática e filosófica”.

A Grande Loja Unida da Inglaterra (United Grand Lodge of England) é enfática no que se refere aos valores espirituais da Ordem ( …men concerned with spiritual values) e na observância irrestrita aos valores da verdade e da moral ( …instils in its members a moral and ethical approach to life… strive for truth, requiring high moral. Fonte : UGLE.org). Mais do que moral, eles dizem moral elevada.

Na França, a Grand Loge Nationale Française define os adeptos da via iniciática maçônica como pessoas qualificadas física, moral e espiritualmente ( …des qualifications physiques, morales et spirituelles (fonte: GLNF).

Entre nós, de acordo com a CMSB (Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil) a Maçonaria é “uma Instituição universalista, filosófica, espiritualista, filantrópica e humanitária, fundamentada nos postulados da liberdade, igualdade, fraternidade, paz, justiça e democracia. Proclama a existência de um princípio criador, o qual denomina de Grande Arquiteto do Universo. Não é religião, seita ou agremiação política e não permite, em suas reuniões, qualquer discussão sectária.

É uma escola de aperfeiçoamento moral e intelectual, congregando homens livres e de bons costumes, iniciados e unidos pelo sentimento de fraternidade. Volta-se para a livre investigação da verdade sem preocupação de fronteiras e de raças. Proclama o trabalho como direito e dever principal do homem, indispensável à evolução da humanidade; combate os privilégios e a exploração do homem pelo homem. Respeita as leis do País.” (fonte: www.cmsb.org.br/principios.php)

O Grande Oriente do Brasil define: “A Maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica porque em seus atos e cerimônias ela trata da essência, propriedades e efeitos das causas naturais. Investiga as leis da natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura. É filantrópica porque não está constituída para obter lucro pessoal de nenhuma classe, senão, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem-estar do gênero humano.

Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranquilidade da consciência. É progressista porque partindo do princípio da imortalidade e da crença em um princípio criador regular e infinito, não se aferra a dogmas, prevenções ou superstições. E não põe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade; nem reconhece outro limite nessa busca senão o da razão com base na ciência. Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes.” (fonte: gob.org.br)

– Vivemos, portanto, numa fraternidade Universal, de cunho iniciático, buscando o crescimento através do trabalho, visando construir uma sociedade mais justa e igualitária. Para quê? Para que a humanidade seja mais feliz. As coisas deste mundo devem ser úteis ou produzir felicidade; de outra forma são prejudiciais e devem ser descartadas.

A Maçonaria proclama a liberdade de consciência como direito sagrado do homem; e exige de seus membros a maior tolerância nesse sentido. Não obstante, a Maçonaria proscreve – isto é, condena – qualquer discussão sectária (partidarismo ferrenho ou proselitismo político e/ou religioso) dentro de seus Templos ou fora deles, envolvendo o nome da Ordem.

Observamos que os aspectos mais sobressaltados nessas definições são dez:

  1. que a Maçonaria combate os privilégios;
  2. que a Maçonaria é educativa;
  3. que a Maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento moral e intelectual;
  4. que a Maçonaria é espiritualista, mas não sectária em matéria religiosa – não é religião, nem seita;
  5. que a Maçonaria é filosófica;
  6. que a Maçonaria incentiva a livre investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes;
  7. que a Maçonaria não reconhece outro limite na busca da verdade senão os da razão com base na ciência;
  8. que a Maçonaria busca a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranquilidade da consciência;
  9. observamos que a Maçonaria é progressista, mas não sectária em matéria política; ela não é, portanto, uma agremiação política, mas se interessa pela Política (‘P’ maiúsculo), ou seja – a “politiké” dos filósofos gregos, ciência moral normativa do governo da sociedade.
  10. observamos, finalmente, que a Maçonaria é filantrópica, aspecto pela qual se tornou universalmente conhecida.

Sugiro que o leitor maçom leia o primeiro desses dez itens e, em seguida, faça uma REFLEXÃO a respeito do tipo da Ordem que estamos praticando individual e coletivamente.Faça o mesmo com os outros itens, separando cada um e refletindo pausadamente sobre a definição.

O que entendemos por privilégios? O que é uma Ordem educativa? O que é uma Ordem filosófica? O que é “política de poder” e Política como Ciência Moral Normativa? Essa reflexão também pode ser levada a efeito numa Sessão de Loja: lê-se o item e, em seguida, cada Irmão expõe sua visão a respeito do assunto. Seguramente faremos muitas descobertas e aquisição de novos elementos para falar de nossa Sublime Ordem para as pessoas de nossos relacionamentos.

Obs.: Este artigo não representa a palavra oficial de nenhuma Loja, Potência ou Corpo Maçônico. Trata-se, apenas, da reflexão e opinião pessoal do autor, apesar das citações.

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