Conta-se que Sócrates, filósofo grego, praticava as virtudes que ensinava, e tanto maior foram suas virtudes que sempre se mostrou despendido de qualquer afetação ou vaidade. O objetivo da sua filosofia era manter a consciência perfeitamente tranquila, e conseguia isso, com tudo que com ele se relacionava, conservando sempre a serenidade nas mais difíceis circunstâncias vividas.

Apesar de o seu aspecto físico ser pouco atraente, em seu rosto refletia-se a formosura da sua alma, e por onde passava grande quantidade de pessoas seguiam-no para escutar os seus ensinamentos. No entanto, as suas exemplares virtudes não conseguiram livrá-lo do ódio dos seus inimigos. Foi alvo de inúmeras injúrias e perseguido sem piedade pelos hipócritas.

Sócrates acreditava em apenas um Deus Onipotente, como séculos depois o cristianismo e outras religiões demonstraram, e desprezava as velhas lendas e superstições sobre as divindades olímpicas. O fanatismo religioso que foi, é, e será o maior inimigo da verdadeira religião, viu com desagrado a fé monoteísta de Sócrates, fazendo com que o vice-rei Meleto o acusasse de herege perante o Areópago (Tribunal ateniense), e de pretender introduzir um novo culto que corromperia os jovens da sua época.

Em defesa do filósofo, o orador Lisias fez um eloquente discurso no senado; porém Sócrates renunciou a essa apologia dizendo que não queria que a arte oratória do seu defensor comovesse os seus acusadores. Ele próprio se defendeu, e a sua defesa foi tão firme como as suas virtudes, tão fortes como a verdade e tão clara como a sua inocência.

Eis o que ele disse:
“Jamais poderei ser acusado de faltar ao respeito às leis religiosas, uma vez que assisto aos santos sacrifícios nos templos. Também não podem classificar de crime a minha fé em um espírito superior, em um país onde todos creem na superstição. Acusam-me de corromper os costumes da juventude; e não obstante, Atenas inteira é testemunha de que os meus ensinamentos se baseiam em uma única máxima: “Prefiram a alma ao corpo e a virtude às riquezas”.

“Acusam-me de faltar aos meus deveres de bom cidadão por não tomar parte nas assembléias do povo. Perguntem aos que combateram em Potidea, Anfipólis e Delios, se servia minha pátria. Interroguem os senadores e eles que digam se não me opuz energicamente à execução dos dez capitães vencedores em Argino, vítimas do vosso injusto castigo. Se me acusam de impiedoso, será bom que examinem a minha vida, as minhas ações e palavras, e assim se convencerão de que creio na Divindade muito mais do que os meus acusadores. Porventura, acham que estou dominado pelo orgulho porque não imploro pela clemência dos que me julgam? Não é por vaidade que assim procedo, é apenas para manter os meus princípios, pois entendo que a justiça deve obedecer às leis e não às súplicas. De resto, a morte não é para mim um pesadelo, e na minha idade não pretendo evitá-la para não desmentir as lições que ministrei e assim poderem desprezá-las.”

O ódio prevaleceu contra a justiça, e o Areópago considerou-o culpado das acusações.

Nesse processo contra Sócrates há uma circunstância que é omitida por algumas versões. A sentença não determinava a pena que o réu devia sofrer, e, segundo o direito, em casos semelhantes, o condenado podia escolher entre a prisão e uma multa.

Todavia Sócrates, ao ouví-lo arguiu: “Não me confesso culpado, e se querem que eu escolha a pena que mereço por haver consagrado toda a minha vida à Pátria e à virtude, condeno a república a manter-me à sua custa até o resto dos meus dias”.

Irritados, os juízes com tão digna resposta, condenaram-no a beber cicuta. Então, tranquilamente, o filósofo exclamou: “Antes que me tivessem condenado à morte já a natureza o tinha feito; a verdade, porém, condenará os meus acusadores a grandes remorsos.”

Encarcerado durante trinta dias antes de sua execução, não perdeu o ânimo por um instante. Tão tranquilamente recebia e falava aos seus amigos como o faria numa praça pública. Criton, um dos seus mais íntimos discípulos, conseguiu subornar o carcereiro de forma a tornar facílima a fuga de Sócrates, no entanto, ele recusou terminantemente a evasão que lhe ofereciam, dizendo: “A iniquidade de uma sentença não autoriza um cidadão a desrespeitar as leis do seu país.”

Chegando o momento da execução da sentença, o filósofo ergueu a funesta taça de cicuta com a mesma serenidade que teria em um banquete ao fazer um brinde, e exclamou para os seus amigos: “Não encaro a morte como uma violência que me façam, mas sim como a forma mais prática que Deus me proporciona para subir ao céu. Ao sair desta vida encontram-se dois caminhos: um pelo qual a virtude conduz à felicidade; outro, por onde o crime arrasta ao lugar dos suplícios.”

Não tardaram os atenienses a arrepender-se e a proclamar, em assembléia pública, a inocência de Sócrates, revogando a sentença que o condenara e condenando Meleto à morte e ao ostracismo, os seus acusadores.

A narrativa da condenação de Sócrates vem a propósito de sua genialidade e extraordinário caráter, pois como é demonstrado pela experiência humana, os homens podem classificar-se em três grandes grupos: os comuns, os talentosos e os gênios.

Os gênios não necessitam de preceptores. Autoeducam-se. Podem nascer nos mais humildes lugares, e não têm, muitas vezes, ninguém que os ensine; a potência das suas energias atualiza-se espontaneamente, vencendo quantos obstáculos que se lhes depare no caminho.

Os talentosos necessitam de quem os oriente e podem comparar-se aos diamantes que, para brilharem como jóia, requerem polimento e facetas. Muitos não chegam a brilhar pela incompetência ou erro do lapidário.

Os comuns, em verdade, ainda que disponham apenas de um talento, em vez dos dez que possuem os outros, a educação e a experiência prepara-os para observar, deduzir e julgar, pela sua própria cabeça, dentro do raio de ação que alcança as suas faculdades. Por menor que seja o recipiente, servir-se-á deste, para nele beber a água eficaz da inesgotável fonte da eterna Sabedoria.

Para encerrar, uma frase de sua autoria:

“Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos”.

Perguntas:
– Sócrates era uma pessoa obcecada com o viver corretamente. Isso ainda existe nas pessoas nos dias de hoje? Se existe, onde?

– Alguém é capaz de apontar um político que é capaz de agir com a consciência de Sócrates?

– Sócrates viveu entre 469 e 399 a.C. e os juízes naquela época o condenaram injustamente. Por que então Sócrates foi condenado?

– Por que nos dias de hoje, agimos corretamente em alguns casos e não agimos corretamente em outros, ex. pagamento de impostos?

– Por que julgamos correto agir incorretamente quando sonegamos impostos?

– Por que fazemos um julgamento precipitado das pessoas?

– Quais são as virtudes que um homem deve ter?

– Por que os políticos não cultuam a virtude?

Bibliografia:

– Monografia Oficial da Ordem Internacional dos Cavaleiros Templários
– Grandes Filósofos – Editora Unesp
– Os Pensadores – Editora Nova Cultural Ltda.

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