Estranho o título? Será mesmo estranho?

Possuo poucos anos de Ordem, em comparação a grandes e respeitosos nomes que consagraram nossa Instituição e a representam muito bem.
Porém – e acredito que muitos concordarão com esse pensamento – nos últimos anos, nossa Su- blime Instituição – A Maçonaria Universal Brasileira, pouco importando a Potência ou Obediência maçônica – tem sofrido incomensuravelmente com posturas não convencionais de algumas de suas lideranças. Isso tem se propagado com uma velocidade ab- surda, de forma com que, infelizmente, afrontas aos nossos princípios têm sido frequentes, aliás, quase constantes. Temos profanado nossa Ordem!!! Vulgarizado seus costumes e princípios!!! Subvertido os valores e gerado uma in nidade de questionamentos sobre o que realmente fazemos em suas leiras!!! Muitos são alijados de suas Colunas, porém outros tantos, muito mais volumosos ainda, se afastam, ador- mecem e a negam com uma veemência extrema!!!

O que está acontecendo??? Já paramos para refletir???

Quando ingressei na Ordem – juro – não sabia o que esperar!!! Mas tinha uma certeza, devia ser ma- ravilhoso, pois os Homens que – em minha pequena, humilde e bucólica cidade – se vestiam de preto, às sextas-feiras, eram dignos de admiração!!!Não pelo status de seus cargos ou pro ssões que detinham, mas pela hombridade, honra, altivez, dignidade, honestidade e admiração que toda a po- pulação local os dirigiam!!! Era impressionante!!! Caminhoneiros, pedreiros, servidores públicos, co- merciantes, médicos, pequenos e grandes agropecu- aristas, comerciários, bancários, policiais de várias patentes, IRMÃOS!!!

E assim se seguia em todas as cidades vizinhas em que visitei e conheci os obreiros de suas respectivas Lojas!!! Homens que cultuavam a virtude, pregavam o bem ao próximo – como a si mesmo – respeitadores da Lei, da Família e da Pátria!!!! Luzes na escuridão para muitos… Forças contra as trevas para outros tantos!!!

Obviamente, ser livre tem um preço, mas que é módico perto da satisfação de se sentir completo

Ensinaram-me tanto!!! Sinto-lhes muita falta!!! Ouso dizer, inclusive, que sem aqueles bravos ícones, perdido estou!!! Sem norte, sem rumo!!!
Enquanto estavam me ensinando, aproveitei cada segundo das instruções, das aulas de amor e de hon- radez!!! Quanta altivez nas palavras, nas expressões, nas ações!!! Era encantador e prazeroso saciar minha sede naquela fonte inesgotável de sabedoria!!! Educaram-me tanto!!! Cada um ao seu modo e de sua forma peculiar. Uns com palavras e instruções, outros com seu mero silêncio e seu olhar.

Porém, ao mesmo tempo, foram muito cruéis comigo!!! E acredito com todos os outros que se enveredaram a viver plenamente aqueles ensina- mentos e absorvê-los.
Pois nos ensinaram que a maior dádiva que nosso Grande Arquiteto nos deu é SER LIVRE!!! E a maior obrigação que nos é imposta, é permitir que os outros assim também o sejam, permitindo a todos exercer sua liberdade plena!!!De pensar, de ir e vir, de se expressar, enfim, de ser o que é de verdade, sem máscaras, sem amarras, sem medo de ser feliz e buscar a ilumi- nação incessantemente!!!
Obviamente, SER LIVRE tem um preço, mas que é módico perto da satisfação de se sentir completo!!! O ônus??? A responsabilidade com as consequências de suas ações e palavras!!!

Ser livre induz à justa correspondente de ser, fazer e ir aonde quiser, porém ASSUMIN- DO AS CONSEQUÊNCIAS DE SEUS ATOS, PALAVRAS, AÇÕES COM IGUAL RESPON- SABILIDADE!!!
Estamos prontos para isso??? Pergunto-me, real- mente estamos preparados para sermos LIVRES??? Sim, pois se quiseres serdes livres terão que assumir, com a mesma disponibilidade, intensidade e veemên- cia, o seu ônus: ser responsável com as consequên- cias que sua liberdade causar!!!

Vejo hoje Irmãos bradando, aos quatro ventos, que são “Deuses” – ou, ao menos, lhos legítimos destes – investidos de todos ilimitados poderes, dos quais foram municiados.
E os exercem – segundo uns com base na “legis- lação maçônica” – livremente, de acordo com “suas atribuições, prerrogativas e competências”!!! Isto pois, exercem um cargo, são detentores de legitimi- dade, donos da legalidade!!!

Todos os demais – “subalternos” – em razão da hierarquia e da legitimidade imposta, de- vem ser e permanecer acordes e resignados, já que demos às nossas lideranças uma pequena parcela de nossas liberdades para que eles nos administrassem e nos conduzissem a um futuro promissor, segundo nossos princípios, valores e costumes.

Mas e aí??? Agindo assim, somos LIVRES??? So- mos livres para discordar da imposição de regras que não consideramos justas e perfeitas??? Somos livres para discordar de ações que não são equânimes e harmô- nicas??? Somos livres para nos posicionar – não contra o Irmão ou liderança – mas contra os nefastos efeitos e consequências que aquelas decisões poderão gerar???
Somos Livres Pensadores??? Donos de nossa própria história, donos de nossas vidas, defensores inamovíveis de nossos valores e princípios pesso- ais??? Ou um colar, uma comenda, um diploma e/ ou um título é o su ciente para nos silenciar, afa- gando nosso ego??? Ah, como aqueles bravos Senhores me fazem fal- ta!!! Diriam-me, com toda certeza, SEDE FORTE, DIGNO, BRAVO E FIEL aos prin- cípios da Ordem, pois A ELA deve- mos nosso juramento!!! Não àque- les que se arvoram em si revestir de nossas lideranças e que as exercem de maneira inconsequente.

Mas este embate é duro, rís- pido e muitas vezes desequilibra- do!!! Pois ser Livre e expressar seu pensamento – se contrário aos interesses de alguns – pode gerar graves sequelas, efeitos e conse- quências aos insubordinados.

Então, vale a pena ser Livre??? Realmente, no fundo de sua alma, estais preparados, forti cados, com ânimo inque- brantável para suportar as penas, consequências e responsabilida- des do exercício pleno de sua li- berdade, inclusive incorrendo no risco da pena capital maçônica: a excomunhão do convívio frater- no de seus “Irmãos”????

Cada um deve escolher o caminho que melhor lhe aprouver, de acordo com sua consciência e com seu preparo maçônico, com as armas para as quais estiverem portando para este por ado com- bate. E devemos respeitar as esco- lhas que cada um zer, sobre qual postura seguir.

Optar por se recolher à insig- ni cância é fácil e cômodo, po- rém não se esqueça que o preço é alto, pois se renuncia à Liber- dade e ao Direito Natural de ser Humano e, via de consequência, ser igual a todos, com os mesmos direitos e deveres. Sua omissão poderá, um dia, se converter em sua própria penalização.

Entretanto, exigir que todos exerçam e permitam que os outros pratiquem sua liberdade é um ca- minho sem volta, por vezes dolo- roso, mas, em contrapartida, muito
grati cante, já que o maçom que assim o age pode “bater no peito” e se “envaidecer” de TER CUMPRIDO SEU JURAMENTO, de não se sujeitar à qualquer pessoa ou instituição que o prive da liberdade de consciência, INCLUSIVE A PRÓPRIA “MAÇONARIA”!!!

E aí, sóis Livres??? Vale a pena lutar por isso??? Cada um que faça sua escolha, de acordo com seu ânimo, devendo esperar, apenas, como recompensa, sua satisfação pessoal e o auto-reconhecimento, na certeza de que fez a escolha correta e tomou o caminho certo, de acordo com seus juramentos maçônicos!!!
Que falta me faz meus Mestres!!!

Sobre o Autor

AELS Obreiros da Paz, n° 19 Oriente de Bujari • GLEAC/CMSB

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