Aposição em que a Pedra Fundamental de qualquer edifício onde esteja presente a Maçonaria, é no CANTO NORDESTE do prédio, ou seja, em um local que fica ENTRE o Norte e o Leste (Oriente), porque isso tem um significado simbólico. No entanto, a literatura é pródiga em exemplos onde isso não foi possível, porque nem sempre o canto nordeste é o local mais favorável para a cerimônia pública, com muitas pessoas presentes, clima de festa, etc. Mas isso seria o tradicionalmente correto, desde épocas muito remotas. O uso é antiqüíssimo, desde a era romana, tendo sido usado por Tacitus na reconstrução do Capitólio, fato do qual há descrição histórica.

Nos EEUU, um País considerado praticamente constituído pela Maçonaria, e o que é amplamente reconhecido pelo público em geral, é extremamente comum que o lançamento da pedra fundamental de grandes edifícios públicos se faça sob a condução de Maçons, até para tornar o ato extremamente solene. E para isso há um ritual específico, de grande beleza simbólica. O ritual é riquíssimo em simbologia, especificando a forma da pedra, dimensões, sua localização exata no prédio, falas sua permanência no local e sua consagração. A pedra tem que conter, ou ser ela própria, um cubo PERFEITAMENTE ESQUADREJADO, onde esse esquadrejamento simboliza a MORALIDADE e a forma cúbica significa a VERDADE.

Sua posição deve ficar entre o Norte e o Leste (Nordeste), para simbolizar a ESCURIDÃO DO NORTE e a LUMINOSIDADE DO ORIENTE, para simbolizar o progresso dos Maçons das trevas da ignorância para a luz dos conhecimento. Aliás, nunca é demais lembrar que essa simbologia é exatamente a mesma que está considerada no telhamento praticado nos EEUU entre desconhecidos, que corresponderia à nossa pergunta comum: “Sois M.?”. Lá a pergunta envolve a figura de um viajante e a frase (linda), explica exatamente essa questão. A pedra deve ser preparada a partir de uma rocha que leve em conta a permanência, ou a durabilidade prevista do edifício. Ou seja, não pode ser feita de um material que tenha durabilidade inferior à do material do prédio, pois isso simboliza o TRIUNFO DO ESPÍRITO SOBRE A MATÉRIA. No momento do assentamento da pedra, o ritual inclui que ela seja CUIDADOSA e RITUALISTICAMENTE verificada pelo condutor da cerimônia, que faz as verificações usando um ESQUADRO, um NÍVEL e um PRUMO. Cada uma dessas medidas tem o seu significado, que todos conhecem bem. Finda a verificação, ela é declarada de boa forma, verdadeira e confiável (talvez “segura”, não consegui sentir que termo seria melhor na tradução deste trecho). A pedra é então içada com o auxílio de uma carretilha, nos moldes da antigüidade MESMO, e depositada no seu local definitivo. Na consagração é utilizado um punhado de grãos, de vinho e de óleo, cada qual com o seu significado simbólico, que não difere dos nossos costumes.

Um outro fato interessante que achei na literatura, e foi por acaso, mas é curioso, diz respeito à chamada Pedra de Annapolis. De acordo com o relato, o Geólogo Charles T. Jackson, de Boston, descobriu essa pedra em 1827, em Annapolis, Nova Escócia. Não era uma pedra fundamental, mas era uma pedra com o formato de uma lage plana, tendo inscrita (também não dá para definir na tradução se seria esculpida, mas este termo pareceria mais adequado) um ESQUADRO, um COMPASSO, e atenção: A DATA DE 1606. (Notaram bem a data? Notaram que nessa época o máximo que poderiam ser admitidas seriam as “lojas” operativas? Notaram que isso foi mais de um século antes da fundação da primeira Grande Loja, a de Londres? NOTARAM QUE A NOVA ESCÓCIA é uma província DO CANADÁ? Notaram que nessa época os Estados Unidos nem existia ainda como País?) Bem, o Geólogo deu essa pedra de presente para Justice T. C. Haliburton, que depois a devolveu para o filho do primeiro, que por sua vez a doou para o Instituto Canadense, localizado em Toronto, para integrar uma das paredes, como parte de uma cerimônia pública, mais ou menos como um marco. No entanto, por uma bobagem qualquer, um empregado temporário REBOCOU a parede durante as obras, ninguém se deu conta e NUNCA MAIS FOI POSSÍVEL LOCALIZÁ-LA. Apenas há o registro de que ela está em uma das paredes do edifício… A teoria mais aceita pelos estudiosos é de que essa pedra fora inicialmente preparada para uma ora na Inglaterra ou na Escócia, na época em que era usual que cada canteiro marcasse as suas pedras, mas que ela tenha acabado vendida para remessa à Nova Escócia, juntamente com outras. E comprova que MAÇONS ESTIVERAM NA AMÉRICA antes da fundação de Jamestown, por exemplo, ou do início da colonização de Plimouth. Porém, como uma pedra desse tamanho (e sabendo-se que na antiguidade as pedras das construções utilizadas eram realmente grandes), era afixada por aquele único pino no topo da pedra, e depois era erguida com uma corrente e colocada em seu lugar, sem que o pino se soltasse e a pedra despencasse? Afinal, se essa pedra cúbica medisse uma jarda de lado, pesaria pelo menos umas 3 toneladas (dependendo do material, é claro)…A pergunta parece tola, mas realmente não é. A solução é uma das que comprovam (havia muitas outras questões do mesmo gênero) que os pedreiros da idade média tinham mesmo razão em guardar seus segredos, pois isso é o que lhes permitia ostentar o excelente estatus de que gozavam, a ponto de serem considerados “pedreiros-livres”, ou seja, tinham autorização para livremente transitar entre as comunidades independentes de então, sem serem molestados, quando se dirigiam para novas obras, por exemplo. Eram até disputados.

Então, em primeiro lugar, uma solução engenhosa era mesmo necessária, porque não seria possível fazer um furo passante com uma porca  ou um pino de trava do outro lado, por exemplo, porque no assentamento da pedra, dependendo do seu local definitivo, não haveria como tirar essa porca ou pino de trava do lado de baixo, porque a pedra despencaria FORA DO LUGAR, e seria bem mais difícil recolocá-la alinhada. Obviamente, pelo mesmo motivo não se poderia passar a corrente por baixo pedra: não daria para tirá-la depois que a pedra ficasse sobre ela. A solução encontrada:  foi fazer um furo QUADRADO, ou RETANGULAR no topo da pedra, com um ponteiro e um maço normal de cantaria, mas furo esse que ia se alargando na medida em que se aprofundava na pedra, ficando com uma forma trapezoidal, se visto de lado,  quadrado, ou retangular, se visto de cima e retangular se visto da outra lateral.Agora, reparem o que vai colocado dentro desse furo: são TRÊS peça de metal: a do centro tem a forma de uma PLACA com todos os lados em ângulo reto (noventa graus). Mas duas laterais, que são iguais, vão se alargando no fundo, uma para a direita e outra para a esquerda. Essas peças eram bem justas e tinham um furo na parte que ficava por fora da pedra. Então, para colocar as placas, colocava-se primeiro uma lateral e empurrava-se a mesma até ela se encaixar no alargamento do fundo. Depois colocava-se a outra lateral, a qual era empurrada para o lado oposto, até também se encaixar no alargamento do fundo, do seu lado. Assim sobrava o vão no centro, onde era encaixada verticalmente a terceira peça, com o formato de placa, que descia reta no seu lugar e ali ficava. Sua função era só manter as outras duas afastadas entre si, para ficarem presas na pedra. Isso feito, era colocada a peça de metal em “U” invertido, ou seja, em forma de estribo, de forma que as três placas ficassem dentro do “U” e os cinco furos (dois do estribo e mais um de cada uma das três placas) ficassem alinhados. Por último, passava-se um pino de metal pelos cinco orifícios (do estribo e das três placas alinhadas), pino esse que tinha uma cabeça de um lado e era travado com um contra-pino passando na ponta que saia do outro lado das três placas. Pronto: agora a pedra estava pronta, com uma alça no topo, que não tinha como se soltar, a menos que se tirasse a trava, o pino, o estribo, a placa central e por último as duas placas laterais, uma de cada vez , tudo nessa ordem. Aí era só encaixar o gancho da corrente, passar a corrente pela carretilha, prender a carretilha em um suporte (geralmente um tripé de troncos resistentes ou algo assim), colocar o tripé sobre o local exato onde a pedra seria depositada, içar a pedra vagarosamente e com força braçal ajustá-la e descê-la até seu local definitivo, aí retirando-se todas a parafernália. rudimentar, mas altamente prática. Bem, agora vem a parte MAÇÔNICA: esse dispositivo recebeu um nome original em inglês, vindo do latim (porque o expediente já era usado pelos romanos) e por corruptelas, acabou resultando no nome “LEWIS”. E foi levado como um dos ornamentos das lojas inglesas e escocesas, com seu simbolismo próprio, como todas as demais ferramentas e instrumentos dos pedreiros.

Essa miniatura, inclusive com o tripé, fica (ou ficava, porque o costume é só no Reino Unido e por aqui pouquíssimas lojas o tinham) no canto NORDESTE DO TEMPLO, perto do Prim. Diác. Quanto ao simbolismo, o nome LEWIS serve também para designar o que equivaleria aos nossos Lowtons. E o significado simbólico, então, em alusão àquele grampo de metal que sustenta o peso da pedra e permite conduzi-la ao seu correto destino, seria o de FIRMEZA, APOIO AOS MAIS NOVOS, SEGURANÇA, DIRECIONAMENTO, por aí.

Aos Aprendizes, em especial, muito cuidado para não confundir estes dois temas de que tratamos sob o título de Pedra Fundamental e Lewis, com a Pedra Cúbica que todas as lojas normalmente possuem na decoração, muito menos com a outra pedra, denominada Pedra Cúbico-Piramidal, Pedra Pontiaguda, Perfeito Silhar e outros nomes, que algumas lojas ainda mantém no lugar da prancheta de traçar, que tem significado, simbolismo e uso totalmente diferente e algumas lojas ainda mantém (do tempo das Lojas Capitulares, hoje extintas no Simbolismo. Isso ficou mal resolvido quando as Lojas Capitulares foram extintas, e a prova está aí: os rituais que ainda não foram mutilados, bem como toda a literatura de bom nível, falam que toda loja tem três jóias fixas e três móveis, que fazem parte dos equipamentos para que ela possa funcionar. E todos, ou pelo menos os mais antigos, devem lembrar-se de que as três jóias móveis são a Pedra Bruta, a Pedra cúbica e a Prancheta de Traçar. Bem, aonde foi parar a Prancheta de Traçar das lojas? Acho que ela SUMIU da maioria das Lojas, e o máximo que se encontra é um símbolo no Painel do Grau. Só que ela aparece no Painel do Gr. 1, no Painel do Gr. 2 mas NÃO APARECE NO PAINEL DO GRAU 3. Não vou conferir em todos os ritos, mas garanto de cabeça que no painel do REAA não aparece… Então, onde foi parar essa JÓIA MÓVEL, que nas instruções nós vivemos repetindo que está lá na Loja? Bem, nos idos tempos, ela deveria mesmo estar ali pelo NORDESTE DA LOJA, eu acho. Depois foi parar no Perfeito Silhar, ou Pedra Cúbico-Piramidal, ou Pontiaguda, até sumir de praticamente todas as lojas (ainda existem algumas) e, no máximo, tem um resquício de desenho nas painéis citados.

Uma resposta

  1. Hamilton Santos

    De parabéns nosso irmão Paulo de Tarso (que responsabilidade esse nome!)
    Seu trabalho desperta nossa curiosidade e interesse sobre a evolução que sofreu a Prancheta da Loja que hoje desapareceu MESMO! E deixa muitos aprendizes sem resposta!
    Seria interessante se puudesse dispor da bibliografia utilizada!
    Mais uma vez, Parabéns.
    TFA, Hamilton

    Responder

Deixar resposta

Seu endereço de email não vai ser publicado.