Iniciar na ordem maçônica requer do profano força e perseverança do inicio do processo até seu assento na bancada rígida do aprendiz em loja. Acreditamos que os candidatos, em sua maioria, esbarram na resistência inicial da família em aceitar a iniciação. Não é por menos, pois a família do pretenso iniciado tem o conhecimento leigo da maçonaria. Muitos acreditam que se trata de uma seita secreta, em que seus seguidores exercem rituais macabros ou algo semelhante. O que é compreensível, pois é desta forma que os meios de comunicação tratam a maçonaria, deturpando esta milenar instituição.

Vencido o preconceito familiar, o candidato fica ansiosamente aguardando o posicionamento da loja sobre sua aceitação. São vários meses até que a afirmativa se concretize através do agendamento da esperada data. Será neste dia que o pretendente a um lugar nesta escola de pedreiros irá montar o bode. Nossa, como escutamos histórias acerca do dia da iniciação.

Aos que tiveram a oportunidade de participar da Ordem Demolay chegam no dia da sua iniciação com uma bagagem a mais sobre aqueles totalmente leigos. Não estamos aqui tratando do rito da iniciação, mas o da simples vivência em um templo maçônico.

Após a longa e quase interminável espera, eis que chega o grande dia, o então profano se prepara. Ele não sabe que fará uma inesquecível viajem onde seus olhos estarão vendados e sua imaginação vagueará por um longo tempo, materializando em sua mente as mais diversas sensações.

O neófito não imagina, mas está prestes a fazer parte de uma sociedade discreta. Ornada por simbologia e ritos que o guiarão por uma nova senda, com o fito de crescimento pessoal e espiritual, somando e unindo esforços para construir uma sociedade mais justa e igualitária.

A maçonaria carrega tradições e princípios de mais de 5.000 anos. Para isso, ela, que não é uma religião, exige de seus membros a crença em um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito que denomina G∴A∴D∴U∴. Aceita em seus quadros tão somente homens livres e de bons costumes sem distinção de raça, credo ou posição social.

A iniciação estimula uma profunda reflexão, ao exigir que o candidato se dispa de todos os seus objetos pessoais como: aliança, relógios, pulseiras, etc. O neófito então é colocado na câmara de reflexões onde terá a oportunidade de pensar sobre sua caminhada até ali e redigir seu testamento filosófico. Neste momento, o futuro maçom começa a mergulhar no simbolismo da arte real, perplexo e curioso em conhecer tudo que está à sua volta.

Com a iniciação, propõe-se ao neófito a morte dos vícios do mundo profano como o orgulho, o preconceito e a vaidade, asperezas que devem ser desbastadas de forma infindável.
Deseja-se que ali renasça um novo homem, pronto para primeiramente trabalhar seu próprio eu. Convidado, pelo estudo e pela meditação, a aprofundar no significado desse novo mundo. E nesta trilha de esforço individual, com auxílio dos demais maçons, transformar-se de pedra bruta em pedra polida.

O maçom recém iniciado tem uma árdua missão pela frente. É preciso trabalhar incansavelmente do meio dia a meia noite sob a luz do G∴A∴D∴U∴. Hoje estamos no topo da coluna do Norte, mas certamente e ao seu tempo caminharemos por todos os assentos, até chegar o momento em que poderemos escolher o lugar no templo da vida, sem nunca esquecer que seremos eternos aprendizes.

Bibliografia:
– NEVES, Pedro. Maçonaria: análise do ritual de aprendiz maçom, rito escocês antigo e aceito. 2 ed. Belo Horizonte: Pedro Neves, 2013.
– CAMPOS, Tito Alves de. Institucional Maçônico: Grau Aprendiz. 4 ed. Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2011.
– Livro do Aprendiz Maçom Introdução ao estudo da Ordem e da Doutrina Maçônica.

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