A Viagem do Meio

Das cinco viagens percorridas, essa é a “viagem do meio”, tendo duas antes dela e duas depois. Se a semântica da palavra viagem nos remete a jornada, percurso, trajeto ou etapa, é nesse momento que o CM está exatamente no meio desse caminho. Se uma das principais atividades dos CM em loja é exatamente servir como elo de ligação entre os Aprendizes e os Mestres, é com o percorrer desse caminho que mudamos nossa indagação interior e usamos a metáfora mais famosa do budismo, de que “A verdade está no caminho do meio”, anunciada na quarta nobre verdade, que aqui vale a pena recordá-las:
Primeira Nobre Verdade – Todos os seres sofrem.
Segunda Nobre Verdade – A causa do sofrimento é o desejo.
Terceira Nobre Verdade – A cessação do desejo faz cessar o sofrimento.
Quarta Nobre Verdade – O Caminho do Meio faz cessar o desejo.
Assim como é colocado no artigo “O Caminho do Meio”, de Rogerio Malaquias, de 1992, “O caminho do meio não é o mesmo que caminha o medíocre. Não é cinzento, sombrio ou morno… Não é atalho para hipócritas, nem o refúgio de ambíguos. Estes, e os confusos, perdem-se nele logo à vista da primeira encruzilhada.”, o nosso caminho na Senda Sagrada deve ser guiado e conduzido, na direção do Oriente e da Luz que de lá emana, nunca esquecendo, porém, de que estamos constantemente lapidando nossa pedra bruta e de que somos eternos aprendizes.

A Alavanca e a Régua

Outro simbolismo marcante da terceira viagem é que é nela em que se apresenta o novo e inédito instrumento do Segundo Grau, a Alavanca, que além de sua simbologia, é também o quinto instrumento entregue ao Aprendiz ansioso do seu aumento de salário, consagrando então o número 5, divisa do novo grau. A Alavanca é o símbolo da força, da firmeza de caráter, da coragem indomável do amante da liberdade e do poder do amor. Ela é o emblema do Poder, que multiplica a potência do nosso esforço e nos faz crer que, com o seu uso adequado, com o devido ponto de apoio, podemos realizar tarefas que antes julgávamos impossíveis de serem executadas. O artigo “As ferramentas do grau de companheiro nas viagens da elevação”, publicado em 22 de julho de 2007, diz no seu conteúdo: “A lição da alavanca é que não há peso que não possa ser removido e, assim, os obstáculos serão removidos, embora ultrapassados, pois a alavanca apenas suspende e, desequilibrando o peso, faz com que este se mova.”
Toda essa força e poder, só terá valia se acompanhada da Régua de 24 Polegadas. É com esse instrumento que traçamos retas, medimos distancias e ligamos pontos. É através dessa simbologia que devemos pautar a vida e nossos atos como C∴ M∴, de maneira digna e sensata, pois agora estamos mais próximos da beleza e da arte. Assim como os instrumentos da 1ª Viagem, o Malho, que simboliza a força executiva, determinação e vontade e o Cinzel da razão e discernimento, que devem ser utilizados juntos, a companheira da Alavanca em sua explosão de força deve ser necessariamente a Régua de 24 Polegadas, para pautar e direcionar nossas realizações dentro da Arte Sagrada. A Alavanca remete a Matéria, enquanto a Régua de 24 Polegadas simboliza o Espírito. A primeira nos dá a energia e a segunda a certa direção.

O Salto Quântico

É hora de mudar a indagação interior do “Quem sou” para “O que somos”. Se faz mister que a atenção voltada antes para o “Porque”, agora seja direcionada para o “Para quê”. Devemos então complementar a pergunta “O que eu estou fazendo nesse mundo”, para “O que estamos fazendo aqui e agora, quais estão sendo nossas ações efetivas”.
Nossa percepção tem que passar pelo salto quântico, que é quando passamos para um novo nível energético, mais alto que o anterior, ampliando nossa visão e expandindo nossa consciência.
Se nossa primeira assimilação é a do corpo, da nossa identidade e o nosso nome, damos um salto quando descobrimos que somos, além de corpo, mente e inteligência. Adquirimos a concepção de que afora nossas ações, temos agora nossos pensamentos. Com a vinda dos grandes filósofos da antiguidade, Sócrates, Platão, tomamos a consciência de nossa trilogia existencial, incorporando o terceiro elemento, nosso espirito. Agora somos corpo, mente e alma. Nossa parte imaterial, nossa essência ou divindade, se faz sentida e experimentada. É mais um degrau galgado no nosso entendimento e o princípio da consciência da quarta inteligência do homem. Juntamente com essa imortalidade da alma, começamos a ter a certeza da existência do observador, do Criador, do GADU. É nesse patamar que domamos nossas emoções e sentimentos.
Se o corpo é ação, a mente é pensamento e as sensações são sentimentos, a espiritualidade é representada pelo Desejo. É o desejo de responder a pergunta “Para que estamos aqui” que nos impulsiona pelo caminho. Voltando então ao início com a quarta nobre verdade do Budismo, “o caminho do meio cessa o desejo”. Seguindo o caminho do meio então, a fim de cessar nosso desejo e responder nossas indagações, estaremos fazendo nosso salto quântico em direção ao nosso próximo aumento de salário.

A Alavanca como Elo entre o Compasso e o Esquadro

A ação da Alavanca em nossas vidas, com o uso de sua força para retirar os obstáculos que nos impedem de progredir, deve fazer a união do compasso, que simboliza o espirito da ação, o imaterial, com o esquadro, que nos traz a união do céu e da terra, do material com o espiritual. Muitas vezes, esses obstáculos não nos são percebidos e não temos a menor ideia que são eles que nos impedem de progredir. Diz uma antiga lenda que um mestre, fazendo uma parada em uma de suas viagens, que percorria com seu fiel discípulo, encontrou uma família em total miséria e desolação, mas que conseguia sobreviver com uma vaquinha que eles tinham no quintal, tomando seu leite, fazendo queijos que eram trocados por alguns outros alimentos de subsistência, com comerciantes que sempre passavam pelo local. Após sair do local, o Mestre ordenou ao seu fiel discípulo, que não podia enfrentá-lo nem desobedece-lo, que matasse a vaquinha jogando-a num precipício enquanto a família dormia. Assim o fez o contrariado aprendiz, que ficou com a consciência e alma corrompida durante anos, com seu mestre e consigo mesmo, mesmo após deixá-lo e seguir seu próprio caminho, tendo a certeza de que tinha prejudicado uma família inteira. Quantos anos depois esse discípulo que agora já caminhava e aprendia sozinho, mas que continuava com sua alma corroída pelo arrependimento de seu antigo ato, a providência o colocou no mesmo local do passado, ele teve a certeza de seu mal, pois no lugar do casebre paupérrimo, os novos moradores ostentavam uma bela fazenda, com casa grande, celeiro, pomar e plantações, não tendo nem sinal da pobre família que devia ter sido dizimada, como em seus piores pesadelos. Eis que ao se aproximar, reconheceu a mulher, o marido e os filhos que agora eram maiores, muito diferentes dos mesmos que havia deixado anos atrás com seu mestre. Quando indagados sobre as mudanças em suas posses, contaram a história de que tinham uma vaquinha que os mantinha, mas que um dia, um fatal acidente no precipício, a levou embora e tiveram então que trocar seus últimos queijos e leite, por sementes para o plantio. Desde então prosperaram e tiveram uma boa vida.
Ainda temos muito “caminho” a percorrer, mas o mais importante não é a distância que ainda temos que vencer. O grande valor está sim na jornada que nos é apresentada e nos seus ensinamentos nela contidos.
Quais são os obstáculos que julgamos impossíveis de serem removidos em nossas vidas?
Quais são os reais pontos de apoio que poderemos utilizar em nossa alavanca para retirá-los?
Quais são as vaquinhas que precisamos matar dentro de nós, para que nos tornemos um Maçom melhor?

Sobre o Autor

ARLS Ypiranga n° 83 GOB/SP Oriente de São Paulo

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