Costuma-se marcar certas passagens da vida através de alguns objetos, gestos, palavras ou outras coisas que são consideradas símbolos como: o anel de casamento e noivado, o aperto de mão, levantar a mão direita quando se jura, um abraço fraterno, o emblema de um clube de futebol ou de outra instituição, bandeiras, hinos e brasões, fundamentais para a identificação nacional, símbolos conhecidos e até banalizados.

Existem aqueles de cunho religiosos e filosofais que levantam dúvidas que geram, em algumas pessoas, a insegurança pela falta de conhecimento. Mas é perceptível que todos os grupos sociais utilizam símbolos que são reconhecidos pelos indivíduos, sendo utilizados em várias instâncias, por exemplo, na legitimação da ordem estabelecida, identificação do grupo e hierarquização social. Aqui, de forma breve, objetiva-se saber: como os símbolos maçônicos podem aprimorar o comportamento dos irmãos maçons?

Blummer (1969), define o símbolo como qualquer coisa que pode ser indicada, qualquer coisa que pode ser apontada ou referida: um livro, uma legislatura, um profissional de qualquer área, uma doutrina religiosa, uma doutrina filosófica, um artefato, um fantasma e assim por diante e podem ser de três tipos: físicos (coisas), sociais (pessoas) e abstratos (ideias).

Os símbolos se fazem presentes por toda história, pois aparecem como elementos tecnológicos que facilitam a vida, elementos de ligação com seres divinos e superiores, marcam o fim de uma era e o início de outra, mas precisam estar em interação com o homem para poder ter sentido para a sociedade, por ex. a bíblia, é mais um livro, porém quando em interação com o homem passa a ser considerado sagrado, o nº 3 é só mais um número, mas pode ser interpretado como elemento cabalístico, as palavras liberdade, igualdade e fraternidade é mais um grupo de palavras, todavia para outros, um marco no regime político francês que influenciou boa parte do mundo. O indivíduo dá sentido ao símbolo de acordo com a maneira que ele interpreta.

Os símbolos são utilizados como uma das forças reguladoras da vida coletiva, haja vista que os seres humanos agem mediante ao significado que determinadas coisas têm para eles e o significado de tais coisas deriva ou surge da interação que um indivíduo mantém com seus pares, assim como pelo processo interpretativo usado pelo indivíduo ao lidar com as coisas que ele encontra podendo manusear e até modificar tais representações. Nesse sentido, a importância que algumas coisas têm para os seres humanos são fundamentais para o entendimento da vida em grupo.

O comportamento dos indivíduos depende das interpretações e sentidos que os atores sociais dão aos objetos, pessoas e símbolos com os quais constroem o seu mundo social. É por intermédio dos símbolos que as pessoas são socializadas, compartilham da cultura e entendem qual é o seu papel social ou o seu papel no grupo que fazem parte. Para entender a ação das pessoas é necessário que se veja os objetos enquanto as pessoas os usam. Um objeto pode ter diferentes significados para diferentes indivíduos, pois o significado das coisas é um produto das relações sociais e a criação de objetos e coisas que fazem parte do cotidiano estão de acordo com a necessidade humana.

As referências simbólicas são utilizadas para indicar os indivíduos que pertencem à mesma sociedade ou grupo social, e também definir, de forma mais ou menos precisa, os meios inteligíveis das suas relações com ela, com as divisões internas e as instituições sociais e outros. Por exemplo, certas instituições demarcam suas hierarquias através de patentes, joias, peças ornamentais e outras denominações.

A vida em sociedade é um processo em que objetos estão sendo criados, afirmados, transformados e postos de lado, a vida e as ações das pessoas necessariamente mudam de acordo com as mudanças que ocorrem no mundo dos objetos.

É nesse sentido que se percebe os mecanismos utilizados pela maçonaria como forma de educar seus componentes. O conteúdo a ser estudado é dividido em graus que são: Aprendiz, Companheiro e Mestre e as lições de cada grau estão refletidas nos quadros, painéis e pranchas de gravar ou traçar que são usadas como instrumento simbólico de aprendizado dos irmãos.

Aqui será trabalhado o grau de aprendiz, que é considerado como a pessoa que inicia a transição da vida do plano físico para o espiritual, grau preparatório para a verdadeira entrada no mundo espiritual, tendo como símbolo a pedra bruta. A pedra é um material de construção, recém-extraída da pedreira, que ainda não está pronta para tomar seu lugar no edifício, precisa ser lapidada. O edifício simbólico construído por uma humanidade lapidada é o templo de Deus. O aprendiz está iniciando o processo que o levará a ser parte do templo de Deus.

O painel simbólico da loja no grau de aprendiz apresenta os principais símbolos que devem ser conhecidos pelo aprendiz. Estes podem ser interpretados e divididos em: símbolos sobre o conhecimento, justiça, virtude, religiosos, defesa e proteção, e estes estão representados pelo pórtico e as colunas vestibulares, simbolizando a entrada no Templo; a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica e a Prancha de Traçar, símbolos dos três graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre, respectivamente; o Compasso e o Esquadro entrecruzados, o Nível e o Prumo, simbolizando as três luzes da oficina: Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, respectivamente; o Maço e o Cinzel, instrumentos de trabalho do Aprendiz no debastamento da Pedra Bruta; três janelas, simbolizando a marcha do sol; a corda de Nós; e uma Orla Dentada, enquadrando todo o conjunto, simbolizando os opostos.

Símbolos de conhecimento: sol, lua, delta radiante, pavimento mosaico, escritura, esquadro, compasso e as colunas

SOL – Desde os mais remotos tempos, o Sol é o símbolo da luz e para a maçonaria a luz representa conhecimento, esclarecimento mental e intelectual. O Sol se faz presente na decoração do Templo, no teto, mostrando a Luz que vem do oriente; no retábulo do Oriente, ladeando o Delta junto com a Lua, estando do lado em que fica o Orador, pois, na correspondência cósmica dos cargos da Loja o Orador simboliza o Sol, pois dele emana a Luz, como Guardião da Lei.

LUA – Cultuada desde a mais remota antiguidade como a mãe do universo, o princípio feminino que fertiliza todas as coisas, representa a alma. Suas forças são de caráter magnético e, portanto, opostas às do Sol, que possuem caráter elétrico. A Lua deve estar representada na parte Ocidental do teto dos Templos, em meio às trevas, em oposição ao Sol, que está no Oriente, para mostrar a escalada iniciática do Obreiro, das trevas em direção à Luz. Também pode estar presente no retábulo do Oriente, junto com o Sol, ladeando o Delta do lado em que ficar o Secretário, já que o titular desse cargo, na correspondência cósmica dos cargos em Loja, representa a Lua porque ele reflete, nas atas, a luz que vem do orador, personificação do Sol.

PAVIMENTO MOSAICO – De origem sumeriana, simboliza, com seus quadrados brancos e pretos, os opostos na vida do homem: a boa e a má sorte, a virtude e o vício, a riqueza e a miséria, a alegria e a tristeza etc. Representa a mistura de raças, das condições sociais e do dualismo.

COLUNA B – (coluna do Norte) É uma das colunas que guarnecia a entrada do templo de Salomão. Na expressão hebraica “booz”, (para nós conhecida como Boaz) representando força. Simbolicamente, é o local onde os Irmãos Aprendizes recebem seu salário, isto é, o centro de irradiação dos mistérios do grau, ou seja, é sob o abrigo desta coluna que os aprendizes recebem as instruções necessárias e aprendem a polir a pedra bruta. Em Loja, a coluna fica localizada no ocidente ao norte. A coluna é dirigida pelo 1º vigilante.

COLUNA J – (coluna do Sul) Também é uma das colunas que guarnecia a entrada do templo de Salomão. Referia-se à expressão “Jachin” – que significa, segundo texto bíblico: Jeová se estabelecerá. Simbolicamente, é o lugar onde os Companheiros recebem seu salário, isto é, o centro de irradiação dos mistérios do grau, ou seja, é a coluna onde tem assento os Irmãos Companheiros e o local onde recebem as respectivas instruções. Em Loja, fica localizada no ocidente ao Sul, coluna dirigida pelo 2º vigilante.

Símbolos de justiça:  compasso e esquadro

COMPASSO – Representa a Justiça, pela qual devem ser medidos os atos do homem: simboliza, também, o comedimento na busca, já que, traçando círculos, delimita um espaço bem definido, símbolo do todo, do Universo. No plano esotérico, o Compasso é a representação das qualidades espirituais e do conhecimento humano. No Grau de Aprendiz, os ramos do Esquadro cobrem as hastes do Compasso, mostrando que a materialidade suplanta a espiritualidade, ou que a mente ainda está subjugada pelos preconceitos e pelas convenções sociais, sem a necessária liberdade para pesquisar e procurar a verdade.

ESQUADRO – Simboliza a Equidade, a Justiça, a Retidão de caráter; esotericamente, representa a matéria, ou o corpo físico. Retidão é a qualidade do que é reto, tanto no sentido físico quanto no moral e ético; assim, à retidão física, emanada do Esquadro, corresponde a retidão moral, caracterizada pelas ações de acordo com a lei, com o direito e com o dever, e a virtude de seguir retamente, sem se desviar, a direção indicada pela equidade. É a joia símbolo do Venerável Mestre.

Símbolos de virtude: cinzel,  maço ou malho nível, régua,  nível, prumo, pedra polida,  pedra bruta e delta radiante

CINZEL – Instrumento cortante numa das extremidades, usado por escultores e gravadores. O Cinzel é um dos símbolos específicos do Grau de Aprendiz, pois, sendo destinado ao esquartejamento da pedra (que transforma a pedra bruta e informe em pedra cúbica, usada nas construções) ele simboliza a Razão, a Inteligência, enquanto que esotericamente, é o físico, ou a matéria, sobre a qual atua o espírito, que é o Maço.

MAÇO ou MALHO – Instrumento utilizado para, atuando sobre o Cinzel, desbastar a pedra. Simboliza a Força de caráter a serviço da Razão e da Inteligência (representados pelo Cinzel). Do ponto de vista místico, é o espírito atuando sobre a matéria. Também é um símbolo específico do Grau
de Aprendiz.

RÉGUA – Haste de madeira ou metal dividida em 24 partes; cada parte corresponde a uma polegada. Necessária para marcar os limites do esquadrejamento da pedra para que as suas bordas sejam retas, simboliza um caminho retilíneo a seguir, com uma conduta reta, sempre à frente. É o emblema da disciplina, da moral, da exatidão e da justiça. Também é um símbolo do Grau
de Aprendiz.

NÍVEL – Instrumento para comprovar a perfeita horizontalidade da superfície, simboliza a Igualdade. O Nível maçônico é uma combinação de Nível e Prumo, com o formato de um Delta ou de uma letra A, de cujo centro pende um fio vertical, o qual, se a superfície não for perfeitamente horizontal, se deslocará para um dos lados. O Nível está presente na saudação do Grau, no movimento horizontal da mão direita até o ombro direito. É a joia do Primeiro Vigilante.

PRUMO – Instrumento usado para medir a perfeita verticalidade de uma superfície, é o símbolo da profundidade do Conhecimento, da Retidão e da Justiça. Representa, também, o Equilíbrio, ou Estabilidade, quando perfeitamente a Prumo. Está presente na saudação do Grau, no movimento vertical da mão direita ao longo do tronco. É a joia do 2° Vigilante.

PEDRA BRUTA – Objeto de trabalho do Aprendiz, deve ser desbastada e esquadrejada para se transformar em Pedra Cúbica, polida e regular. Simboliza o próprio Aprendiz no seu esforço para se aperfeiçoar e polir seu caráter, a sua retidão e a sua integridade; é, enfim, o próprio símbolo de seu aperfeiçoamento na
Maçonaria.

DELTA RADIANTE – O Delta, ou Triângulo Equilátero, é o símbolo das tríades divinas. O Delta maçônico, além dessa representação, tem, no seu interior, as letras do nome hebraico de Deus, embora também seja usado o Olho Onividente, que o assimilam ao olho da Sabedoria de Horus. O Delta simboliza a Sabedoria Divina e a presença de Deus, por isso representa o símbolo máximo presente no Templo.

SímboloS religiosoS: delta radiante, livro da lei, escadarias degraus, fé, esperança e caridade

LIVRO DA LEI – Simboliza a Lei Divina. Quando da Cerimônia da Abertura do Livro e leitura de um trecho, espiritualiza-se a Loja e seus presentes.

ESCADA DE JACOB –Trata-se da alusão bíblica à escada que Jacob teria visto em sonho. Símbolo da via ascendente até o céu. Através das três virtudes: Fé, Esperança e Caridade.

Símbolos de defesa e proteção

ESPADA – Instrumento de ataque e defesa é mais própria do Cobridor do Templo, o qual, simbolicamente deve usá-la para proteger o recinto contra eventuais intrusos. É o símbolo da combatividade do homem em defesa de seus domínios. Nas mãos do Venerável Mestre, a Espada Flamejante simboliza o poder de que está revestido para “criar” e “construir” Aprendizes, Companheiros e Mestres.

CORDA DE OITENTA E UM NÓS – É um adorno encontrado no alto das paredes, com um nó central acima da cadeira do Venerável Mestre, tendo de cada lado quarenta nós, que se estendem pelo Norte e pelo Sul, terminando, seus extremos, em ambos os lados da porta Ocidental de entrada, em duas borlas representando a Justiça (ou Equidade) e a Prudência (ou Moderação). Essa abertura na corda significa que a Maçonaria é dinâmica e progressista, estando, portanto, sempre aberta às novas idéias que possam contribuir para a evolução do homem e para o progresso racional da humanidade.

A corda tem também a função de proteger através da “Emanação Fluídica” gerada pela concentração mental dos Irmãos, evitando que nenhuma energia negativa esteja presente no recinto. As borlas separadas, na entrada do Templo, funcionam como captores da energia pesada dos Irmãos que entram, devolvendo-lhes esta energia sob forma leve e sutil quando de sua saída.

Portanto, os seres humanos agem diante das coisas com base no significado que tais coisas têm para eles, nesse sentido, as diferentes situações indicam linhas de ações e interpretações do comportamento, esse tem que ser construído sob as linhas comportamentais dos outros com os quais estão interagindo. Este ajuste acontece não apenas entre indivíduos em associação face a face, mas também entre coletividades como corporações industriais e nações, escolas, família e outros.

Objetos, gestos, indumentárias, passíveis de interpretação, podem ser considerados um dos elementos responsáveis pela conduta humana. O estudo dos símbolos e sua importância no cotidiano conduzem às grandes reflexões e conclusões, como a percepção de que os símbolos são mediadores do comportamento humano.

O comportamento humano é também fundamentado nas ações dos outros, através do processo indicativo de como agir e interpretar certos símbolos. É através deste processo de interpretação e definição que se forma a conduta humana, por isso, é preciso perceber e interpretar as percepções das pessoas, o significado e o sentido que eles dão às coisas e como estes relatos se relacionam com as experiências vivenciadas.

Os símbolos maçônicos traduzem certas manifestações internas da vontade humana, com a finalidade de ajudar a transformar a personalidade moral, pois se tudo se reduzisse ao externo, à aparência, a operação não daria resultado. A busca pelo conhecimento e interpretação dos símbolos maçônicos, através dos estudos e internalização de tal conhecimento, permite ao profano se transformar em um homem novo.

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