É de conhecimento de todo maçom que nossa Ordem também é definida como sendo um sistema peculiar de moralidade, velado por alegorias e ilustrado por símbolos. Logo, os símbolos exercem um papel muito importante para a tradição maçônica. A meu ver existe uma importante razão para isso: o conhecimento iniciático que a Maçonaria perpetua tem um alcance que vai além dos conceitos que podem ser expressos por palavras.

Vejamos, a alquimia da mente é muito peculiar. É misterioso como uma percepção que temos, alguma coisa que sentimos ou vemos, acaba sendo convertida numa ideia ou num conceito. Existem noções universais que acabamos por internalizar e que parecem ter um significado particular definido para cada um de nós.

As noções universais de palavras como “retidão” ou “medida”, por exemplo, mediante experiências e as combinações de acontecimentos criam uma imagem dentro de nós. Como essas noções não têm existência material ou absoluta no mundo natural, o homem inventa emblemas para representá-las. Esses emblemas são os símbolos.

Do ponto de vista etimológico, a palavra “símbolo” provém do termo grego “sumbolon”, que quer dizer signo ou marca. Com o tempo, a palavra veio a designar toda representação figurada de um conceito, de uma ideia, de uma ação ou de uma situação. Um símbolo, então, é um signo ou um emblema de uma emoção, pensamento ou experiência que temos. Símbolos são compostos principalmente de linhas retas e curvas. Pode constituir em uma forma geométrica, como um triângulo ou um cubo, ou pode ser pictográfica, sendo a imagem de alguma coisa.

Um exemplo de um símbolo pictográfico é o olho que tudo vê. Esse símbolo parece uma tentativa de ilustrar o olho humano e, no entanto, transmite uma ideia muito mais complexa tanto para a mente primitiva quanto para a mente mística altamente iluminada. Esse tipo de símbolo, que se pode qualificar de místico, é de ampla utilização no esoterismo, e é nessa categoria que a maioria dos símbolos maçônicos se encaixa.

Para melhor compreender a importância do símbolo no plano iniciático, devemos relembrar suas funções principais. Primeiramente, possuir uma característica importante: a da substituição. De fato, ele substitui nossa faculdade de raciocínio e transmite à nossa consciência, de forma sutil, noções que nosso intelecto ainda não consegue perceber em um dado momento de nova evolução espiritual. Nesse caso, o símbolo fala à alma e ao coração, sem ter a razão ou a mente como intermediários. Através de um trabalho de meditação e de introspecção, permite perceber gradativamente o que é desconhecido, e revela à nossa consciência o que escapa à nossa compreensão.
Não basta abrir os olhos, o que seria apenas no plano físico, é preciso também uma sensação do coração, vindo da alma. Na falta disso, tudo se reduz a uma experiência intelectual do mesmo nível que a prática de palavras-cruzadas, e ficamos então petrificados em nossas certezas – desesperadamente imóveis no térreo do edifício que nos propúnhamos a construir com o desbastar da pedra bruta.

Ao contrário das ideias recebidas, o símbolo maçônico não é um símbolo figurativo que representa um conceito. Se assim fosse, ele seria apenas um simples atributo, uma pobre alegoria e um emblema vulgar. O que lhe dá força e vigor, e um distintivo valor, é o trabalho interior que será feito sobre si mesmo.

No transcorrer de uma sessão, o símbolo maçônico não permanece imóvel, ele vive. Ele é a linguagem pela qual o ritual é compreendido, interiorizá-lo é a escada para a elevação. Não se trata, portanto de fantasiar indo às alturas limitadas ao teto do templo ou de esperar para ir alguns centímetros de sua coluna para considerar que se obteve sucesso em subir alguns degraus! É exatamente o inverso. É preciso não se esquecer de que se trata de uma ponte e de que não devemos, pois negligenciar o exterior.
Um símbolo permite a livre circulação através de todos os níveis do real. Tem também uma função unificadora, pois permite obter uma síntese do mundo e alcançar a unidade. Ele não se limita a evocar uma ideia ou uma qualidade; ele representa tudo de forma velada, de onde advém seu aspecto misterioso. Pelo dinamismo que lhe é próprio, eleva a consciência aos planos superiores e, pelos diferentes movimentos que provoca na alma, age como um transformador de energia psíquica. Sua função é exercida, pois, em diferentes níveis e diz respeito à globalidade de nosso ser.

Dessa forma eles acrescentam uma dimensão particular à nossa vida psíquica, no sentido de estabelecer relações e mediações entre o visível e o invisível, o material e o espiritual, a terra e o céu. Participam de nossa evolução interior e fazem nosso pensamento viajar por todos os planos. Eles nos fazem penetrar no desconhecido e nos permitem ampliar o nosso campo de consciência. Ao contrário da força centrípeta de um intelecto que quer incessantemente conduzir tudo para si, o símbolo manifesta uma força centrífuga, colocando aquele que o observa em comunhão com o Todo.

Ao longo de nossa caminhada, encontraremos inúmeros símbolos, pois estes constituem a linguagem básica das iniciações e dos rituais vinculados a nossa Ordem. Os símbolos são o guia do iniciado em sua busca por compreender o infinito. Assim sendo, não se destinam apenas a enriquecer nossos próprios conhecimentos, mas são também ferramentas que permitem que nos elevemos em nossa consciência. Além disso, como percebemos em nossa jornada, é impossível limitar o significado de um símbolo específico a uma definição dogmática.
Se as ordens iniciaticas, em geral, e a Maçonaria, em particular, utilizam símbolos para transmitir sua herança sagrada, não é simplesmente por terem vocação para o sigilo. De fato, sendo o objetivo da iniciação o de conduzir a iluminação, seria contraditório esconder na escuridão esse caminho. Os símbolos são necessários porque a compreensão desse mundo espiritual não é diretamente acessível à consciência objetiva. Seu estudo não conduz a um saber intelectual, mas a um verdadeiro conhecimento da Criação, nos guiando em direção à essência das coisas.

Sobre o Autor

ARLS Mestre Aristides Félix de Andrade, no 3247 Oriente de Cuiabá • GOB/MT

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