objetivo desse trabalho é analisar as várias significações que os bons exegetas (pessoas que interpretam profundamente um texto bíblico, jurídico ou literário) atribuem ao pentagrama.

Como se sabe, e nunca é demais repetir, toda a ritualística do Segundo Grau gira em torno da Letra G, da Estrela Flamejante (também conhecida como Estrela Homonial) e do Número 5.

A Estrela Flamejante era símbolo desconhecido pelos pedreiros livres medievais. Seu aparecimento na Maçonaria, a partir de 1737, não encontrou guarida (local utilizado como abrigo) em todos os Ritos, pois o certo é que os construtores medievais conheciam a figura estelar apenas como desenho geométrico e não com interpretações ocultas que se introduziram na Maçonaria especulativa. A Estrela Flamejante corresponde ao Pentagramaton ou Tríplice Triângulo cruzado dos pitagóricos. Distingue-se do Delta ou Triângulo do Oriente, embora, entre os antigos egípcios representasse também Horus que em lugar do pai, Osíris passou a governar as estações do ano e o movimento.

Os rituais das diversas obediências ensinam que a Estrela Flamejante é o símbolo do Companheiro, porque é chamado a tornar-se um foco ardente, uma fonte de luz e calor. A generosidade de seus sentimentos deve incitá-lo ao devotamento, ao estudo, ao seu aprimoramento filosófico e espiritual mas, sobretudo, com o discernimento de uma inteligência verdadeiramente esclarecida pois, está aberta a todas as compreensões. É necessário que ele (companheiro maçom) saiba ser compassivo e tolerante com o próximo sem, todavia, abrir mão de certos princípios morais e éticos. Assim, a Estrela Flamejante é mais particularmente emblema do poder, da vontade.

Como Símbolo Maçônico, A Estrela Flamejante de origem Pitagórica, pelo menos quanto ao seu formato e significado, este muito mais antigo do que aqueles que lhe deram alquimia, a magia e o ocultismo, durante a idade média. O seu sentido mágico alquímico e cabalístico e o seu aspecto flamejante foram imaginados ou copiados por Cornélio Agrippa de Nettesheim (1486-1533), jurista, médico e teólogo, professor em diversas cidades européias. A magia, dizia ele, permite a comunicação com o superior para dominar o plano inferior. Para conquistá-la seria necessário morrer para o mundo (iniciação). Símbolo e distintivo dos Pitagóricos, A Estrela de Cinco Pontas ou Estrela Homonial é também denominada com impropriedade etimológica, Pentáculo (cinco cavidades), Pentagrama (cinco letras ou sinais gráficos, cinco princípios) ou Pentalfa. Importa saber que os pitagóricos a usam para representar a sabedoria (Sophia) e o conhecimento (gnose) e provavelmente empregavam no interior do pentáculo a letra gama, de gnises.

O verdadeiro sentido da Estrela Flamejante é Homonial, eis que o símbolo designa o homem espiritual, o indivíduo dotado de alma, ou de fator de movimento e trabalho. Ou seja, o indivíduo como espírito ou fagulha interna que lhe concedeu o GADU. A ponta superior da Estrela é a cabeça humana, a mente. As demais pontas são os braços e as pernas. Na Maçonaria essa idéia serve para lembrar ao Maçom que o homem deve criar e trabalhar, isto é, inventar, planejar, executar e realizar, com sabedoria e conhecimento. Pode ocorrer que o ser humano falhe nos seus desígnios. O Maçom também pode falhar como ser humano, mas seu dever é imitar, dentro de seus ínfimos poderes o GADU, o ser dos seres. Aí está O principal segredo do Grau de Companheiro. Outra interpretação é a que se refere a 3+2=5, soma em que três é a divindade cuja fagulha é encarnada e dois é o material, o ser que se reproduz por dois sexos opostos e não consegue perpetuar-se de outro modo.

Devemos dizer que existe ainda outra interpretação; aquela que faz alusão aos cinco sentidos do homem que estabelecem a comunicação da alma com o mundo material: tato, audição, visão, olfato, paladar, dos quais, para os maçons, três servem à comunicação fraternal.

Pois é pelo tato (toques) que se conhecem na luz e nas trevas. Pela audição se percebe as palavras e as baterias; e pela visão se notam os sinais. Mas não há como esquecer que pelo gosto se conhecem as bebidas doces e amargas, bem como o sal, o pão e o vinho. Finalmente, pelo olfato se percebem a fragrância das flores e os aromas do altar dos perfumes.

Ao estabelecer uma relação das pontas da estrela com os sentidos humanos, preferimos concluir que a Estrela Flamejante incorpora duas interpretações: a primeira sobre o microcosmo físico que se prende ao domínio da forma, e a segunda, ao microcosmo psíquico que se relaciona com o domínio da consciência.
Não podemos esquecer-nos que, acima de tudo, a Estrela Flamejante representa o homem ideal, que deve ser a grande aspiração do Companheiro Maçom. Não olvidemos nunca que estrela é luz e a luz é o grande símbolo da verdade e do saber.

Isto lembra ao Companheiro Maçom que ele tem um compromisso do qual não se pode afastar e que assumiu a partir do momento em que, como Aprendiz, iniciou seu próprio desbaste de defeitos pessoais, o que exige domínio sobre si mesmo.
Logo é preciso que procure distinguir sempre as diferenças que existem entre – paixão, emoção e sentimento. A paixão é inadmissível no maçom; é perigosa e deve ser afastada sempre porque é irracional e conduz perigosamente ao fanatismo.

POSIÇÃO DA ESTRELA FLAMEJANTE NO TEMPLO
Os Rituais do mundo e os diversos Ritos Maçônicos não se entendem também quanto à colocação da Estrela Flamejante no alto do recinto do Templo. Uns a colocam no oriente a frente do trono, outros a configuram no interior do D∴, o que parece mais sugestivo, principalmente quando o Obreiro na elevação de Grau é chamado a contemplar o Triângulo Radiante. Outros, entendendo que ela é de brilho intermediário, isto é, de luminosidade simbolicamente situada entre a luz ativa do sol e a luz próxima ou reflexa da lua, mandam situá-la no meio do teto do Templo, dependurada, ou pelo menos no meio-dia, onde à maneira inglesa está o 2º Vigilante. Outros a consideram uma Estrela do Ocidente. Lojas do Rito Moderno as têm colocado no ocidente ao lado do 2° Vig∴ (norte). Entende-se que a melhor forma é se colocar a Estrela Homonial no meio do teto do Templo, ou de maneira que o Iniciado possa contemplar o Símbolo quando é chamado a fazê-lo.

SIGNIFICADOS MAÇÔNICOS DA LETRA G NO INTERIOR DO PENTAGRAMA
A letra “G”, interior com o significado de gnose ou conhecimento lembra a quinta essência, quanto ao transcendental. Quanto ao Homonial, lembra ao Maçom o dever de conhecer-se a si mesmo. No Grau de Companheiro recomenda-se ao Maçom o dever de analisar as próprias faculdades e bem empregar os poderes pessoais em benefício da humanidade.

Ficou demonstrado que a melhor significação do G central do pentagrama é gnose=conhecimento. O caráter Homonial da Estrela Flamejante é indiscutível, a luz das fontes pitagóricas e das referências gregas e romanas. Ninguém negaria ao Símbolo o seu sentido mágico, eis que Pitágoras se dedicava à magia. No pentagrama a letra G quer dizer principalmente gnose, porém para satisfazer gregos e troianos tem que se acrescentar os significados, GERAÇÃO, GÊNIO, GEOMETRIA e GRAVITAÇÃO, e também GLÓRIA PARA DEUS, GRANDEZA PARA O VENERÁVEL DA LOJA, ou para A LOJA, e tem sido registrado em muitos Rituais Maçônicos na tentativa de se encontrar ligação entre estes hipotéticos significados da letra “G”. Diz-se que GERAÇÃO estaria ligada ao princípio (gênesis da Bíblia) ou a Arquem, dos gregos. Gênio seria o correspondente a “DJINN” dos árabes e a “GINES” dos persas, que no ocultismo tange aos chamados “ELEMENTAIS” ou
“SEMI-INTELIGENTES ESPÍRITOS DA NATUREZA” e em outras interpretações quer dizer o espírito criador ou inventor, ou a chama realizadora. GEOMETRIA, ciência da medida das extensões, que lembra as regras do grande geômetra para realizar a Arquitetura do Universo. Na sabedoria ela provocou os diálogos sobre ORDEM, EQUlLÍBRIO e HARMONIA. A GRAVITAÇAO lembra Newton e sua lei: A matéria atrai a matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. ARQUEU, O PRINCÍPIO, O FOGO REALIZADOR A palavra Arqueu, que deriva do grego que queria dizer, princípio, principal, primeiro, príncipe, reino, domínio.

Para os gregos, a palavra tinha o sentido de poder formador da natureza. Seria a essência vital que exprime as propriedades e as características das coisas. Por comparação, corresponderia ao sopro divino que deu vida a Adão na Bíblia. Ensinam certas instruções maçônicas o motivo simbólico das chamas que envolvem a Estrela Pentacular, relembrando Arqueu, o Fogo Realizador, ou ensinando que a letra G significa o gênio ou a BUSCA SAGRADA que anima o C∴ M∴ à realização.

Tem-se afirmado que a Estrela Flamejante traduz a luz interna do C∴M∴ ou que representa o próprio homem Maçom dotado da luz divina que lhe foi transmitida. A estrela de cinco pontas é então a força que impulsiona o companheiro em direção das suas metas e da sentido as suas realizações, o numero cinco a qual a estrela faz alusão se funde na alma do companheiro que uma vez elevado a um patamar mais alto pode vislumbrar as luzes desta estrela e pode-se então guiar por esta luz pra que a sua caminhada que já é longe das trevas do mundo profano possa se refinar e dar sentido a sua obra interior, absorvendo a luz desta estrela que representa o corpo humano e utilizando a quintessencia o companheiro desperta para as luzes do saber e da compreensão da humanidade e do sentido oculto do saber e do realizar.

CONCLUSÃO
Quando a maçonaria quer que a pedra bruta se transforme em pedra cúbica, ela está lembrando ao iniciado que ele deve manter uma luta progressiva e sem tréguas pelo domínio de si mesmo, colocando o próprio ego sobre o mais absoluto controle.

O Pentagrama pode comportar, simbolicamente, várias interpretações, todavia, e antes de mais nada, ele representa a luz da inteligência que nos faz enxergar os problemas interiores e os meios para enfrentá-los, e, por vezes corrigi-los ou vencê-los.

Isto significa que tudo se resume numa única palavra: virtude. (disposição íntima pela qual a alma se põe em harmonia consigo mesma). Que o GADU ilumine as nossas mentes para que possamos sempre caminhar longe das trevas e em direção a sua Luz.

Bibliografia:
– http://focoartereal.blogspot.com.br/2014/10/estrela-flamejante.html
– Cartilha do Companheiro – José Castelani e Raimundo Rodrigues
Editora – Maçônica “A Trolha” Ltda.
– http://trabalhosdamaconaria.blogspot.com.br/2012/09/
a-estrela-flamejante.html
– http://maconaria.net/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=143

Sobre o Autor

ARLS União Ipuanense n° 3580 GOB/GOSP Oriente de Ipuã

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