Quem é o Aprendiz? O Aprendiz é a pedra bruta que foi escolhida na pedreira para ser desbastada e se tornar uma pedra de forma cúbica. A pedra bruta representa a natureza humana no estado primitivo, ainda bruta, rude, rústica, não trabalhada, imperfeita e cheia de arestas. É a imagem do homem sem introdução, com defeitos, vícios e paixões. O Aprendiz é simbolicamente comparado à pedra bruta antes de ser instruído nos mistérios maçónicos, devendo estudar para adquirir o simbolismo do seu grau, sua aplicação e interpretação filosófica. Deverá trabalhar constantemente para aperfeiçoar-se assimilando novos conhecimentos e consequentemente buscando auto conhecer-se, aparando as arestas do seu espírito. (JORGE, 2009)

Na Maçonaria, o símbolo é constante e latente em todas as partes. É necessário, penetrar pacientemente em seu significado. O símbolo é imagem, é pensamento. Ele nos faz captar, entre o mundo e nós, algumas dessas afinidades secretas e dessas leis obscuras que podem muito bem ir além do alcance da ciência, mas que nem por isso são menos certas. Todo símbolo é, nesse sentido, uma espécie de revelação. (SANSÃO, 2008).

É num bloco de pedra ou tronco de madeira, que esconde-se uma bela escultura, quem quiser vê-la deverá remover os excessos, as partes que a escondem. No seu interior esconde uma escultura maravilhosa, mas para isso precisa ser desbastada. Os instrumentos recebidos pelo aprendiz para o desbaste são o Maço e o Cinzel. Os dois tem um grande significado simbólico e é com eles que o Aprendiz irá fazer o seu trabalho de desbasta da pedra bruta. (DANIEL)

Segundo Junior (2010), Maço (ou Malho), significa massa ou martelo, e tem sua origem no latim Malleus. Já Cinzel, representa cortar, tendo também sua derivação do mesmo latim, de Cisellus. O Maço, emblema do trabalho e da força material, auxilia em derrubar os seus obstáculos e superar suas dificuldades. Simboliza a vontade ativa do Aprendiz, que não deve ser nem obstinação nem teimosia, mas sim firme e perseverante. O Cinzel é a imagem dos argumentos, com os quais se consegue destruir os sofismos dos erros, isto é, reparar os próprios erros cometidos. Assim, o Cinzel deve ser amolado frequentemente, também o homem deverá rever continumente seus conhecimentos já adquiridos, nao permitindo que lhe escapem em todas as suas atitudes, tanto no mundo profano como no maçônico.

O Maço age de forma descontínua, o que mostra que o esforço só pode ser perseguido sem interrupção, mas sempre com a pressão devida, pois caso contrário, se utilizado com pressão desmedida e contínua, tiraria do Cinzel toda sua precisão necessária, que verdadeiramente é o que todos buscam.

Ainda cabe a descrição do escritor Oswald Wirth: Estes 02 instrumentos são inseparavéis, para talhar a pedra bruta. O primeiro representa as soluções aprisionadas em nosso espiríto, é o Cinzel de aço, que é aplicado sobre a pedra, seguro pela mão esquerda, lado passivo, que corresponde a receptividade intelectual, ao discernimento especulativo. O outro representa a vontade que executa, é o Maço, insígnia do comando, que a mão direita, o lado ativo, brande, e está relacionado com a energia que age, e com a determinação moral, cujo resultado é a realização prática. (JUNIOR, 2010)

A medida que o Aprendiz pondere todas estas coisas e aperfeiçoe as suas faculdades, a energia nele existente passará a obedecer aos mandamentos da mente, realizando belas obras de artífice. Descobrirá o segredo da sua individualidade que, ao emergir do fio de seu Cinzel, o capacitará a lavrar a sua marca única e singular, signo de sua propriedade exclusiva por direito de nascimento, que só ele pode traçar. (PEREIRA, 2008)

Fica a lição de que devemos usar maço e cinzel sempre em conjunto, o maço para aplicar a força e energia na ação efetiva, e o Cinzel para executar o trabalho com qualidade, foco e discernimento, além de servir para polir os vícios, as vaidades e paixões, e representar a beleza da obra. (PEREIRA, 2008)

Bibliografia:
– Os intrumentos de trabalho do primeiro grau de AP∴M∴ – Frederico Cesar Mafra Pereira, M∴M∴ ARLS Ordem e Progresso, Oriente de Belo Horizonte, 2008.
– Desbastando a Pedra Bruta. Jorge Otavio Daniel. M∴M∴ ARLS Dez de Junho, Oriente de Foz do Iguaçu.
– Bem vindos à Maçonaria – 1ª Parte. Valdemar Sansão. M∴M∴ 2008.
– As ferramentas do Grau de Aprendiz. Antonio Jorge. M∴M∴M∴. 2009.
– Maçonaria: 100 intruções de Aprendiz. Raymundo D´elia Junior. São Paulo: Madras, 2010

Sobre o Autor

ARLS Acácia do Oeste II nº 88 - Oriente de Cascavel GLPR/CMSB

Deixar resposta

Seu endereço de email não vai ser publicado.