O painel da loja é um quadro que representa os símbolos, alegorias e ensinamentos que devem nortear cada irmão maçom no seu respectivo grau. Representa o caminho que o Aprendiz deve trilhar, para atingir, através do trabalho e observação, o próprio domínio, pois o único desejo que se deve ter é o de Progredir na Grande Obra, que iniciou quando adentrou o Templo.

“No painel da loja condensam-se todos os símbolos que deveis conhecer e, se bem os interpretardes, fáceis e muito claros ser-vos-ão as instruções subsequentes”. Esta peça, em particular, tratará apenas do painel atinente ao grau de aprendiz maçom.

A FORMA DA LOJA é de um quadrilongo, com comprimento do Oriente ao Ocidente, largura do Norte ao Sul, profundidade da superfície ao centro da Terra e com altura da Terra ao Céu. Estas medidas e extensões imensas simbolizam a universalidade da maçonaria, bem como da grandiosidade dos serviços que cada irmão maçom deve desempenhar, sempre regidos pela prudência. A Loja orienta-se da mesma forma como o “caminhar solar”, ou seja, do oriente (nascente) até o ocidente (poente).

 


O DELTA LUMINOSO está no Oriente, de onde se emana toda a luz. Representa a tríade divina: no campo físico, a criação; no campo astral, o Princípio Criador; e, no plano espiritual, o Deus, o Grande Arquiteto do Universo. Interpretado também como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A presença, a permanência e a vigilância divina sobre todos.

O DELTA LUMINOSO é o Olho do Coração Islâmico, a projeção do coração e da eternidade, a qual assegura a visão do presente, que transcende as polarizações temporais do passado e do futuro, de maneira que é o Eterno Presente que o Olho do coração faz conhecer; é polo do coração central e profundo, que o homem deve descer para realizar sua identidade suprema.

 


O OLHO é o símbolo da transcendência. O OLHO ESQUERDO está voltado para o passado; O OLHO DIREITO para o futuro. Ao se tomar o OLHO ESQUERDO como símbolo, isso significa que, embora procurando o futuro, não se pode esquecer-se de voltar à atenção para o passado, pois dele vem os ensinamentos que evitarão a repetição de erros e que pavimentarão a estrada para o futuro.

 


O SOL é o símbolo do elemento vital ativo. Detentor de luz própria e que está diretamente ligado com a fecundidade. Simbolicamente, o Sol ensina a Prática do Bem, através do espargir de Luz, Calor e Conforto, até onde atingem seus raios vivificantes.

 


A W é o reflexo do Sol, é o símbolo passivo da fecundidade. No grau de aprendiz, simbolizam que os trabalhos se iniciam ao meio-dia e findam-se à meia-noite.

 


As ESTRELAS nos remetem ao infinito, a doutrina mística e a divindade do universo.

 


E o caminho para atingi-la é simbolizado pela ESCADA DE JACÓ, denominação que a Maçonaria conserva como Guardiã das Antigas Tradições e, que no painel, é representado pelos três degraus, os quais podem significar os três graus simbólicos (aprendiz, companheiro e mestre maçons), ou também a trilogia virtuosa que deve sempre estar presente no coração de cada maçom (fé, esperança e caridade), e/ou, podendo significar ainda, os três planos existenciais do homem (físico mental e espiritual).

 


DUAS GRANDES COLUNAS no pórtico, elas são de origem egípcia com motivos de flores de lótus e folhas de papiro, com romãs nos capitéis.
A COLUNA B, ou COLUNA DO NORTE, que acomoda os Aprendizes, os quais por estarem ainda na forma de uma verdadeira pedra bruta, necessitam receber ensinamentos do segundo vigilante e adquirir conhecimentos para aprimorar sua personalidade (“desbaste”).
A COLUNA J, ou COLUNA DO SUL, que é aquela onde se encontram os Companheiros,que recebem instruções do primeiro vigilante, que já desbastaram a pedra bruta e encontram-se no estágio de aperfeiçoar-se e de auxiliar os Aprendizes”.

 


As TRÊS ROMÃS maduras e entreabertas postas no cume de cada uma das colunas representam a união e a fraternidade que une todos os irmãos. Todas as sementes estão justapostas intrinsecamente a formar um todo (a própria romã), ou seja, são os laços fraternais de cada um dos irmãos que constituem a maçonaria.

 


As TRÊS JANELAS simbolizam as três posições do Sol [Oriente (nascimento), Meio-Dia e Ocidente (significa o acaso)]. Nenhuma janela se abre para o Norte e as três são trançadas por uma rede de arame, a fim de demonstrar que se deixa passar a luz para iluminar o Templo, mas o que está dentro não deve sair e o que se está fora não deve entrar. Pois os augustos mistérios e a verdadeira simbologia só devem ser de conhecimento dos irmãos maçons.

No interior de um Templo existem, também, ORNAMENTOS, PARAMENTOS e JOIAS.

Os ORNAMENTOS são o PAVIMENTO MOSAICO, a CORDA DE OITENTA E UM (81) NÓS e a ORLA DENTADA (ORLA DENTEADA).

 


O PAVIMENTO MOSAICO simboliza a dualidade existente no mundo, o branco e o preto, o Yin e o Yang, o bom e o mau, a materialidade e a espiritualidade, verdadeiras dicotomias que devem ser toleradas por todos nós maçons. Significa, outrossim (igualmente), que tais adversidades são unidas pela mesma argamassa, demonstrando que, apesar das divergências, devemos viver na mais perfeita harmonia e fraternidade. Sua origem é baseada na lenda de que Moisés (MOSHE), o líder do povo hebreu durante o êxodo, teria assentado no chão do Tabernáculo Hebreu (MISHKAN) peles de cabras de várias cores onde guardavam a “ARCA DA ALIANÇA“.
O PAVIMENTO MOSAICO é de origem mesopotâmica, mais precisamente sumeriana. Esse pavimento representa o Terreno Sagrado, através do qual se tinha acesso no Santuário mais íntimo da religião.
NÃO CONFUNDIR “PAVIMENTO DE MOSAICO“, que é um embutido de pequenas pedras ou de cacos de cerâmicas de várias cores, que pela sua disposição representam desenhos variados. Essa arte foi muito utilizada na década de 50, onde assentavam essas pedras nas varandas das casas. O que não tem nada a ver com a simbologia maçônica.

 


A CORDA DE OITENTA E UM NÓS representa a plena união e o amor fraternal existente entre os irmãos maçons de todo o mundo. 81 é o quadrado de 9, que, por sua vez, é o quadrado de 3, que é número perfeito e cheio de mística. Remonta também à Cadeia de União.
O nó central dessa corda, ou seja, o quadragésimo primeiro (41), deve estar sobre o trono do venerável, acima do dossel – se ele for baixo ou, abaixo dele e acima do Delta – se o dossel for alto, tendo de cada lado, quarenta (40) nós, que se estende pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam em ambos os lados da porta ocidental de entrada, em duas borlas, representando a Justiça (ou equidade) e a Prudência (ou Moderação).
O nó central representa o número “um” que é a unidade indivisível, o SÍMBOLO DE DEUS, princípio e fundamento do Universo; é um número sagrado.

 


A ORLA DENTADA (ORLA DENTEADA) deve ser interpretada como Princípio de Atração Universal do Amor, com seus múltiplos dentes representando os Planetas Gravitando em torno do Sol e, também, significando, por seus Ensinamentos e Conceitos de Moral: a reunião de todos os maçons em Loja e a propagação do amor, da igualdade, da fraternidade e da solidariedade para o meio social em que cada um vive a fim de se atingir, uma sociedade justa e perfeita.

Os Paramentos da Loja são constituídos pelo LIVRO DA LEI, COMPASSO e ESQUADRO.

O LIVRO DA LEI é a Lei Suprema e Divina, o Código Ético-Moral, a Filosofia que cada um segue, o sinônimo da Fé que está presente em cada um de nós.

 


O COMPASSO e o ESQUADRO simbolizam juntos a justiça e a retidão que todos os maçons devem levar em consideração nas suas ações e decisões. As pontas do Compasso ocultas sob o Esquadro, no grau de aprendiz, determina que não lhe é permitido o seu uso, antes que tenha concluído o desbaste total da pedra bruta.

As Jóias da Loja dividem-se em três móveis (Esquadro, Nível e Prumo) e em três fixas (Prancheta da Loja, Pedra Bruta e Pedra Polida
ou CÚBICA).

 


As três primeiras representam as “grandes colunas” que sustentam a Loja, onde:

O Esquadro, símbolo maior da Fraternidade, simboliza a retidão a que o homem deve sujeitar suas ações e a Virtude que deve retificar os corações. É representado, pelo Venerável Mestre (COLUNA JÔNICA – sabedoria), que é aquele que ilumina e orienta todos os demais irmãos, fonte da criação.

 


O Nível, símbolo da Igualdade e base do Direito Natural, não pode implicar no nivelamento dos valores, mas sim lembrando o dever de serem consideradas as coisas com a mesma e igualitária serenidade, é representado pelo 1º Vigilante (COLUNA DÓRICA – Força), responsável pela coluna do Norte, pela manutenção e sustentação do que foi criado e pela perfeita igualdade entre todos que deve reinar na loja, pelos Princípios de Equidade e da Justiça.

O Prumo, simbolizando a Retidão, deve presidir a conduta de todos os integrantes fora da loja, pois essa postura permite a vida plena de Graça e Beleza. O prumo, que por tradição também é denominado Perpendicular, ainda representa a Irrestrita e Total Liberdade do homem, é representado pelo 2º Vigilante (COLUNA CORÍNTIA – Beleza), que dirige os irmãos da coluna do Sul, adornando todas as suas ações e primando pela justiça social.

 


Quanto às três joias fixas:

A PRANCHETA DA LOJA significa o local onde o Mestre faz suas anotações das tarefas e obras a serem realizadas. Simbolicamente, traduz que o Aprendiz deve sempre pautar-se pelos ensinamentos contidos na Prancheta que foram perpassados pelos Mestres.

 


A PEDRA BRUTA é o estado inicial em que se encontra o Aprendiz, ainda com pouca luz, com poucos conhecimentos e providos de inúmeras imperfeições. Este irmão deve observar e colocar em prática a doutrina passada pelos Mestres Maçons, a fim de que se atinja o pleno aprimoramento intelectual, moral e espiritual.

 


Finalmente, a PEDRA POLIDA ou CÚBICA é o resultado do esquadrejamento da Pedra Bruta, por meio do malho (ativo, força, perseverança) e do cinzel (passivo, inteligência, prudência), representando o aperfeiçoamento da personalidade e do espírito do maçom.

Finalmente, as características de um Maçom devem ser a Virtude, a Honra e a Bondade, que embora banidas de outras sociedades, devem sempre compor seus corações.

Referências Bibliográficas
– http://hiranmelo.blogspot.com.br/2013/08/o-painel-da-loja-de-aprendiz-macom.html
– D’Elia Junior Raymundo; Maçonaria: 100 Instruções de Aprendiz /
Raymundo D’Elia Junior – São Paulo: Madras, 2012. – Páginas: 82 à 86.
– Ritual: Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) / Grande Oriente do Brasil (GOB); São Paulo, 2009; Ritual de 1º Grau: Aprendiz-Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito.
– Castellani, José – Consultório Maçônico VII e VIII – 1ª Edição / José Castellani. Londrina: Editora Maçônica – “A TROLHA”, 2002.
– Castellani, José – Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom – 2ª Edição / José Castellani. São Paulo: “A GAZETA MAÇÔNICA”, 1998.
– Aslan, Nicola – Comentários ao Ritual de Aprendiz – 2ª Edição / Nicola Aslan. Londrina: Editora Maçônica – “A TROLHA”, 2003.

Colaborador
– Ir∴ José Francisco G. de Aquino – ARLS União Ipuanense nº 3580

Sobre o Autor

ARLS União Ipuanense n° 3580 GOB/GOSP Oriente de Ipuã

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