A origem dos “TRÊS PONTOS”, enquanto abreviatura, é polêmica entre os estudiosos, pois:

1º. Alguns remontam aos tempos egípcios, com influência ateatada nos hieróglifos;
2º. Outros a remetem à Roma e a Grécia Antiga;
3º. Há, ainda, àqueles que afirmam que se originou como resultado do estreito contato entre a Maçonaria e as Seitas da Europa, após a Idade Média.
De certo, tem-se que, oficialmente, essa “abreviatura” nas comunicações maçônicas teve início em 1774, quando o Grande Oriente da França, comunicou a mudança de endereço de sua sede, através de uma prancha encaminhada às Lojas da Obediência, bem como a todos os obreiros filiados àquela Potência.
Existem também informações de que o “Triponto” foi deixado em forma de “grafite”, nas paredes onde estiveram presos De Molay e seus companheiros, porque quiseram deixar marcado que o “Triponto” significaria a presença reverenciada da Trindade Divina, para torná-los consolados, esperançosos e tolerantes com a situação vivida.

Um ponto isolado significa a “unidade fundamental” ou o “princípio de tudo”, sendo também entendido como o “absoluto” ou “o que existe sem começo” e, por isso, quando se considera o ponto isoladamente, tem-se sua correspondência com o Oriente representando o “Mundo Absoluto da Realidade”.

Para ser bem entendido o “um”, é necessário conhecer o “zero”, que de modo esotérico na Maçonaria, representa a “Fonte Originária da Escala Numérica”, é o símbolo representativo de DEUS, o Criador Incriado, A Causa sem causa, de onde tudo se origina, e que é “Imanifestado” e paira no “Espaço Absoluto”.
Simbolicamente, o “Espaço Absoluto, o Absoluto Imanifestado”, é representado por “Um Círculo Branco Sobre Um Fundo Inteiramente Negro”.

O “Zero”, antecessor do “Um”, mas tanto um quanto outro, representam Deus. Este “Zero” significa o “Criador Incriado”, a “Divindade sem Manifestação”, enquanto o “Um” é a “Unidade em Manifestação Criadora”, “Deus manifestado”. O “Dois” em relação ao “Um” representa a “Divisão, o Símbolo dos contrários”, e principalmente, “A personificação da Dúvida, do Desequilíbrio e da Contrariedade”.

Ao aprendiz não é recomendado se aprofundar muito no estudo do número “Dois”, pois não sendo ainda Sólidos os conceitos maçônicos sobre as tradições, pode, eventualmente, enveredar por caminho oposto ao que deve seguir, assim, esta seria uma das razões pela qual o “aprendiz é conduzido e guiado nos Trabalhos da Iniciação”. Tanto que a “passagem pelo número Dois, que é traiçoeiro, duvidoso e fatídico”, pode levá-lo à dúvida, da qual somente poderá sair se for conduzido ou guiado.

Já o subsequente número “Três” para a Maçonaria, é considerado o número perfeito.
A Bíblia contém diversas referências ao número “Três”:
• Três é o número da Santíssima Trindade;
• Três foram os Anjos que visitaram Abraão;
• Três foram os dias que Jonas passou no ventre da baleia;
• Três foram os dias que Jesus e Lázaro ficaram sepultados;
• Três foram as vezes que Pedro renegou o Mestre;
• Três vezes o Mestre se manifestou aos seus discípulos após a ressurreição;
• Três são as Virtudes Teológicas: “Fé – Esperança – Caridade”;
• Três são as Línguas Sacras;
• Três são as partes da Alma;
• Três são as Classes das criaturas intelectuais: “Anjos – Homens – Demônios”;
• Três foram as Épocas da História: “Antes – Durante e Depois da Lei”;

O número “Três” para a Sublime Instituição, possui alguns significados:
• Três são os princípios da Grande Obra: Sal – Mercúrio – Enxofre;
• Três são os tempos vividos pelo ser humano: Passado – Presente – Futuro;
• Três são as etapa do ciclo de vida: Nascimento – Vida – Morte;
• Três são os fins supremos da Ordem: Liberdade – Igualdade – Fraternidade;
• Três são os passos do Aprendiz;
• Três é a idade do Aprendiz;
• Três são as partes do Sinal de Ordem;
• Três são os Dirigentes da Loja: Venerável Mestre – 1º e 2º Vigilantes;
• Três são as Colunas que sustentam a Loja: Sabedoria – Força – Beleza;
• Três são as viagens realizadas durante a iniciação.
Os três pontos também detêm a significância de ser constituído pelo: Amor (Sabedoria) – Vontade – Inteligência; pois esta tríade representa o ápice da perfeição.
O mais elevado grau a ser alcançado na Maçonaria Simbólica é o Grau Três, ou ser conseguida a importante condição de Mestre Maçom, o que significa que:
• O Iniciado alcançou a Plenitude da Sabedoria nos seus Conhecimentos Maçônicos relativos à Maçonaria Simbólica.
O progresso nos Conhecimentos também é representado pelos “Três Pontos”, pois cada um destes mostram sinteticamente os “Três Degraus do Conhecimento dos Grandes Iniciados”, pois:
• O primeiro degrau significa os Conhecimentos da Inteligência;
• O segundo, os integrantes que os prendem nos sentidos;
• O terceiro, aqueles componentes que os aquartelam no “Âmago da Alma”.
A posição gráfica dos “Três Pontos” seria a perfeitamente triangular – ∴, sendo que:
• O ponto superior representa a Sabedoria e o Amor;
• Os pontos inferiores significam a Vontade e a Inteligência

O Maçom só é Perfeito quando une com Harmonia as Três qualidades. Por isso é que os Maçons – “Tidos Como Homens Perfeitos” – expõem suas assinaturas os “Três Pontos”, a dizer que são, sem dúvida alguma, possuidores dessas “Três Virtudes”.
Caso sejam entendidas separadamente as Três Qualidades, poder-se-ia constatar o “desequilíbrio” resultante por essa individualidade.

• Supondo-se um homem dotado só de Vontade, sem sentimento de afetividade e desprovido de inteligência, ter-se-á um “verdadeiro bruto não lapidado”.
• Se for dotado apenas de Inteligência, mas suprimido de vontade e de sabedoria (expressão do amor), ter-se-á o pior dos egoístas e inúteis.
• Caso possua unicamente o Amor = Sabedoria, sem vontade e inteligência, ver-se-á que a bondade é inútil, que as melhores aspirações serão estéreis, pois, não serão acionadas por qualquer “forte vontade”, agindo apenas pela razão.
Finalmente, seria por este motivo que os “Três Pontos” correspondem:
• Aos três vértices do “Delta – ao – Ternário Completo”, através dos quais o Maçom deve dirigir todos os seus atos que são: Sabedoria – Vontade – Inteligência

BIBLIOGRAFIA

– D’elia Junior Raymundo; Maçonaria: 100 Instruções De Aprendiz / Raymundo D’elia Junior – São Paulo: Madras, 2012. – Páginas: 331 À 333.
– http://www.lojasaopaulo43.com.br/simbolismo.php.
– http://www.obreirosdeiraja.com.br/os-tres-pontinhos/

Sobre o Autor

ARLS União Ipuanense n° 3580 GOB/GOSP Oriente de Ipuã

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