Iniciamos então dissertando sobre os instrumentos do Apr∴Maç∴, no caso, o Malho e o Cinzel.

Segundo Jules Boucher na sua obra
‘A Simbólica Maçônica’, Malho significa massa ou martelo e Cinzel significa cortar.
Sabe-se que o Malho e o Cinzel representam, do mesmo modo como o compasso e o esquadro em uma de suas definições, o Ativo e o Passivo.
Por isso pode-se depreender que o Malho é o emblema do trabalho e da força material, auxiliando em derrubar seus obstáculos e superar suas dificuldades, enquanto que o Cinzel representa a escultura, a arquitetura das belas artes, seria um instrumento praticamente nulo sem a utilização do Malho, significando que ambos instrumentos devem ser sempre empregados em conjunto e de forma inseparável, para produzir seus melhores e mais importantes efeitos. Assim sendo o Malho representa a vontade do Apr∴Maç∴. Não deve ser entendido somente como uma simples massa metálica pesada e bruta, pois essa vontade não deve ser de obstinação nem teimosia, mas sim de firmeza e perseverança.

Porém, como não é possível agir diretamente com as próprias mãos na transformação da matéria, então o Cinzel será útil como intermediário.
Da mesma forma como o Cinzel deve ser amolado frequentemente, também o homem deverá rever continuamente seus conhecimentos já adquiridos.
Caso tais conhecimentos não tenham sido bem empregados, com o Cinzel simbolicamente empunhado pela mão direita, a intelectualidade se torna passiva e estará fora de uso (Maçonaria 100 instruções de aprendiz).

‘O malho age de forma descontinua, o que mostra que o esforço só pode ser perseguido sem interrupção, mas sempre com a pressão devida, pois caso contrário, se utilizado com pressão desmedida e continua, tiraria do Cinzel toda sua precisão necessária, que verdadeiramente é o que todos buscam’.
Trazendo ao mundo profano uma interpretação desses instrumentos, para mim fica claro que o malho representa a força, o esforço que devemos ter para enfrentar nossas dificuldades do dia a dia e continuar em busca dos nossos objetivos e da melhoria pessoal, porém não podemos somente ter o uso da força e esforço, sem ter inteligência e diretriz nas nossas atitudes, representada no caso pelo Cinzel. Tanto na vida profana, quanto na aplicação do simbolismo maçônico, um depende do outro e perde sua eficácia quando utilizados isoladamente.

A corda é composta por múltiplos fios que isolados são frágeis, mas quando agrupados na corda se tornam fortes

A corda de oitenta e um nós é um ornamento que aparece instalado no topo das paredes dos templos, sempre acima das colunas que encontram-se nas mesmas paredes dos ritos que a possuem, sendo que deve ser instalada de modo que o seu nó central fique sempre acima do trono do Ven∴Mestr∴, e distribuindo igualmente os demais nós (oitenta) nas duas laterais, sendo quarenta nós equidistantes de cada lado, terminando caídas junto aos batentes da porta do templo em duas borlas, representando cada uma, temperança e coragem, justiça e prudência.

O nó central no trono do Ven∴Mestr∴ representa o número um, a unidade indivisível que representa o símbolo de Deus, que é o princípio e fundamento do universo.
Segundo alguns autores especializados a abertura da corda na porta do templo com a formação das borlas, significa que a maçonaria está sempre predisposta ao acolhimento de novos integrantes.

Em verdade, essa abertura significa que a ordem é dinâmica e progressista estando, portanto, sempre aberta a novas ideias que possam contribuir para:
– O progresso do homem.
– A evolução racional da humanidade.
De vez que é vedada a participação da Maçonaria dos que rejeitam pensamentos novos em benefício de um conservadorismo retrógrado e rançoso, muitas vezes dogmático, e consequentemente altamente deletério.

Existem muitos relatos sobre a numerologia da corda de oitenta e um nós, um deles diz que o quadrado de três é nove e o quadrado de nove é oitenta e um, estando aí provavelmente a explicação lógica e racional para o número de nós na corda.

Mas o que significariam os nós em si? Os nós representam todos os maçons unidos, mas que nem por isso perdem sua individualidade ou personalidade, que são perfeitamente identificáveis como Laços de Amor, e em contrapartida, inversamente os nós poderiam ser entendidos como os símbolos das dificuldades que a vida apresenta.
A corda é composta por múltiplos fios que isolados são frágeis, mas quando agrupados na corda se tornam fortes, confirmado que ‘A União faz a Força’.

Como representação no mundo profano a corda nos faz remeter a importância da união, seja no nosso lar enquanto família, no nosso convívio pessoal com os amigos e até mesmo no cunho profissional com nossos colegas e equipe de trabalho. O laço ao invés do nó nos representa o quão importante que essa união seja harmônica (sem ser forçada, pois para se ter o nó necessita de força, já o laço é unido harmonicamente sem pressão), só assim poderemos nos manter fortes em busca dos nossos objetivos, caminhando em harmonia com os que nos rodeiam.

Bibliografia:
– Revista Universo Maçônico (março de 2016)
– Maçonaria 100 instruções de aprendiz (Raimundo D’ellia Jumior)
– Ritual de Aprendiz Grande Oriente do Brasil (2009)

Sobre o Autor

ARLS Mount Moriah, no 3327 Oriente de São Paulo • GOSP/GOB

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