A medida que iniciei os estudos em relação ao assunto citado, percebi que seria um trabalho magnífico e complexo, extrapolando as minhas fronteiras de conhecimentos e, digamos, subindo degraus onde ainda não posso subir. Com isso, irei realizar uma breve explanação, dentro de minhas fronteiras, referente ao tema.

Quando verificarmos em uma ilustração qualquer, referente à arquitetura do templo no rito de York, iremos perceber que existem três velas ao centro do templo, as quais representam as três grandes luzes onde é a partir deste ponto que entramos em nosso assunto.

Propositalmente, estas velas formam um triângulo retângulo. Este, não só representando uma simples figura geométrica, mas também toda uma equação matemática (teorema de Pitágoras) e todo um simbolismo envolvidos nesta magnífica figura, onde tentarei explanar a seguir.

O triângulo retângulo possui uma especial importância no simbolismo maçônico representado pelo esquadro, instrumento de medida e retificação do mundo concreto. O esquadro indica a inteligência racional que se limita ao estudo dos fenômenos e do mundo dos efeitos, representando a regra que deve guiar-nos para proceder retamente no estudo e na ação.

A importância do triângulo retângulo evidencia-se no famoso teorema de Pitágoras, cujo valor não se limita à geometria ordinária, sendo assim encontrado entre os símbolos maçônicos.

O estudo da trigonometria faz-nos ver a importância excepcional do triângulo em geral, em relação às demais figuras geométricas (todas podem reduzir-se ou decompor-se em triângulos), e a aplicação universal de suas propriedades. O próprio quadrilongo que constitui a Loja resolve-se diagonalmente em dois triângulos retângulos, outro triângulo retângulo deveria resultar na união dos três lugares que correspondem às três luzes em sua justa e exata posição.

Não deve, igualmente, ser esquecida a propriedade característica dos triângulos retângulos, cujos catetos formam sempre um ângulo oposto reto, isto é, os dois lados se expandem em linha reta, sendo aquela figura geométrica, a expressão ternária circunstanciada das infinitas possibilidades representadas no infinito.

Se adentrarmos um pouco na história, iremos nos deparar com Euclides, um professor, matemático platônico e escritor possivelmente grego, muitas vezes referido como o “Pai da Geometria”. Ele era ativo em Alexandria, durante o reinado de Ptolomeu I (323-283 a.C.). Sua obra, “Os Elementos”, é uma das mais influentes na história da matemática, servindo como o principal livro para o ensino do assunto (especialmente geometria) desde a data da sua publicação até o fim do século XIX ou início do século XX.

Dentre seus elementos ou proposição está o 47o problema de Euclides, ferramenta imprescindível de um Maçom, onde, dentro de minhas fronteiras, irei explanar resumidamente esta magnífica obra.

O 47o Problema de Euclides, também chamado de 47a Proposição de Euclides, assim como o Teorema de Pitágoras, é representado por três quadrados.

Para o maçom especulativo, o 47o Problema de Euclides pode ser um pouco misterioso. Muitos livros maçônicos simplesmente o descrevem como “Um amor geral pelas Artes e das Ciências”. No entanto, deixar sua explicação como isso seria a omissão de um tema que é muito importante, não só da luz da teoria de Pitágoras, mas do Esquadro Maçônico.

Definição: “Em qualquer triângulo, a soma dos quadrados dos dois lados menores (catetos) é igual ao quadrado da hipotenusa” (a hipotenusa de um triângulo reto, o que é a “perna” mais longa ou o lado 5 do 3:4:5).

A essência do Teorema de Pitágoras (também chamado de 47o Problema de Euclides) é sobre a importância de se estabelecer um alicerce arquiteturalmente verdadeiro (correto) com base na utilização do esquadro.<./p>

O conhecimento de como formar um esquadro perfeito, sem a menor possibilidade de erro, tinha a maior importância na arte de construir desde o tempo dos Harpedonaptae. Harpedonaptae, literalmente traduzido, significa “esticadores de corda” ou “amarradores de corda” do Egito antigo (muito antes do Templo de Salomão ser construído). Os Harpedonaptae eram especialistas em arquitetura e chamados para lançar os alicerces dos edifícios. Eles eram altamente qualificados e utilizavam a astronomia (as estrelas), assim como cálculos matemáticos, a fim de traçar ângulos retos perfeitos para cada edifício. No museu de Berlim há uma escritura pública, escrita em couro, que remonta a 2.000 A.C. (muito antes do tempo de Salomão), que fala sobre o trabalho destes esticadores de cordas. Os antigos construtores, primeiro definiam as linhas do Norte e do Sul através da observação das estrelas e do sol, especialmente da Estrela do Norte (Polar), que eles acreditavam naquele tempo ser fixa no céu. Só depois que estabelecessem uma linha do Norte – Sul perfeita, eles poderiam utilizar o esquadro para estabelecer linhas Leste e Oeste perfeitas para suas fundações. O 47o Problema de Euclides estabelecia essas verdadeiras linhas Leste e Oeste, de modo que os esticadores de corda pudessem determinar um ângulo de 90 graus perfeito em relação à linha Norte – Sul, que eles tinham estabelecido usando as estrelas.

Pois bem, agora devemos estar nos perguntando por que isto é tão importante para os Maçons especulativos, que só têm um esquadro simbólico e não o esquadro real (a ferramenta) de um profano, profissional da construção?

O 47o Problema de Euclides é a equação matemática (o conhecimento) que permite a um Mestre Maçom “esquadrejar seu esquadro quando ele fica fora de esquadro”, onde a frase em Inglês “square the square” (esquadrejar o esquadro), tem o mesmo sentido que desbastar a pedra bruta em português.

O 47o Problema de Euclides, também conhecido como a 47a Proposição de Euclides ou Teorema de Pitágoras ensina, a cada um de nós, a não ser apenas amante geral das artes e das ciências, mas a se maravilhar com o conhecimento de uma equação geométrica na qual poderá encontrar o SEU CAMINHO, a partir de qualquer local na Terra, no mar ou nos céus.

E tudo começa por simplesmente aprender a esquadrejar o esquadro.

Agora, dê uma olhada acima no símbolo maçônico do 47o Problema de Euclides. Você verá que o quadrado no canto superior direito mede três unidades em cada um dos seus lados; o quadrado no canto superior esquerdo mede quatro unidades em cada um dos seus lados e o quadrado de baixo mede cinco unidades em cada um dos seus lados. Você pode ver agora o triângulo retângulo (espaço branco no meio), que é cercado pelas três “caixas”. Deste dia em diante, quando você ver esta imagem gráfica denotando o 47o Problema de Euclides, este símbolo maçônico não parecerá apenas três caixas pretas com aparência estranha para você. Você verá a equação 3:4:5 e o esquadro (ângulo reto) dentro deles, e saberá que você tem o poder de esquadrejar seu esquadro.

Saindo um pouco da explanação exata, simbólica e geométrica e adentrando no simbolismo da figura geométrica “triângulo”, esta por sua vez está diretamente ligada com o número Três. Três é universalmente um número fundamental que exprime uma ordem intelectual e espiritual, em Deus, no Cosmos e no Homem. Na generalidade das culturas e das civilizações, a apreensão e a compreensão do homem sobre o mundo, sobre o real e o espiritual, sempre repousou num sistema triádico.

Deste dia em diante, quando você vEr esta imagem gráfica denotando o 47o Problema de Euclides, este símbolo maçônico não parecerá apenas três caixas pretas com aparência estranha para você.

Três é, por excelência, um número maçônico (juntamente com cinco e sete):
• O volume da Lei Sagrada, o Esquadro e o Compasso constituem as Três Grandes Luzes;
• São Três as colunas do Templo: jônica, dórica e coríntia, simbolizando a Sabedoria, a Força e a Beleza;
• Três são os graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre;
• São Três os segredos do Primeiro Grau: o Sinal, o Toque e a Palavra;
• São Três os Sinais dos Maçons: o Esquadro, o Nível e o Fio de Prumo;
• São Três as pancadas maçônicas à Porta do Templo, significando as Três palavras da Escritura: Bate e ela se abrirá (a Porta do Templo); Procura e acharás (a Verdade); Pede e receberás (a Luz).
• São Três as Viagens Simbólicas que correspondem as Três Provas a que um Candidato é submetido: Prova do Ar, Prova da Água e Prova do Fogo;
• São Três os passos na marcha dos Aprendizes e significam o zelo e a confiança que se deve mostrar ao caminhar para Aquele que nos ilumina;
• Ao receber a Luz, são Três os elementos que se vêem: o Sol, a Lua e o mestre do Templo;
• São Três os deveres do Maçom;
• São Três os que dirigem uma Loja Maçônica;
• São Três as luzes que se acendem após a entrada do Mestre até sua saída;
• É tríplice a bateria maçônica;
• É tríplice a aclamação escocesa: Huzza! Huzza! Huzza!
• Enfim, Três é o número pelo meio do qual o binário é devolvido à unidade.

Conclusão: Diante do exposto, tanto no que se refere ao simbolismo do triângulo retângulo, quanto à simples figura geométrica triângulo, acredito ter explanado apenas uma “poeira” dentro de um universo imenso de definições e simbolismos, na procura da resposta em relação à posição das três velas formarem um triângulo retângulo. Não tenho palavras para agradecer a oportunidade dada pelo V∴M∴ em me aprofundar em um assunto tão rico e tão infinito de informações, as quais, às vezes, passavam despercebidas em meu cotidiano profano.

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