Caríssimos Irmãos

Somos pedreiros, a tradução do termo “maçom” é “pedreiro”, e por esse motivo em outros países a palavra “mason” é acompanhada do prefixo “free”, para diferenciar da profissão de entalhador de pedras. Freemason, em inglês, franc-maçon, em francês designam os praticantes da Arte Real, que se resume na construção do edifício social ideal.

Somos especulativos e por conta dessa missão temos a obrigação, o dever moral, de sermos exemplos na sociedade. Decerto que ultimamente alguns exemplos não são tão bons assim, e isso se dá por conta da ausência de critério maçônico para indicar um candidato. Deixemos essa história de lado, não é o foco deste texto.

O edifício social ideal deve ser construído com nosso trabalho, com nossa dedicação e zelo. Nas nossas Lojas praticamos um determinado RITO, e é por conta deste detalhe que este texto foi escrito. Não é de hoje que ouço que nossos rituais estão confusos, mal escritos, desestruturados. Refiro-me especificamente aos Rituais do GOB do Rito Escocês Antigo e Aceito, praticado por mais de 70% dos maçons desta Potência. As instruções são parcas – existem DUAS no Ritual de Aprendiz e uma delas é uma mera repetição da cerimônia de Iniciação.

Some-se isso o “silêncio iniciático” defendido por alguns – que copiaram essa sentença do Rito Adonhiramita sem atentar para as instruções maçônicas e o método de Instrução contidos naquele Rito – e teremos logo após a iniciação a frustração de muitos Irmãos que ingressaram na Maçonaria por conta de uma história que não se vê na prática. A pobreza de instruções aliada com a ausência de uniformidade litúrgica provoca discussões refratárias. Na ocasião da fundação da Grande Loja Unida da Inglaterra existiam dois procedimentos litúrgicos distintos e a união dessa Potência se deu por conta da uniformidade do ritual. Maçons de conhecimento notável de ambos os lados se uniram e depois de sete anos chegaram a um consenso para daí demonstrar como se pratica esse Ritual.

A despeito das dimensões territoriais distintas – falamos de 8,5 milhões de quilômetros quadrados no Brasil contra 130 mil quilômetros quadrados do solo inglês, ou pouco menos que a área do estado do Paraná, nossos Irmãos ingleses despenderam um esforço grandioso para dar uniformidade litúrgica num único Rito, sem engessá-lo. Existem vários procedimentos litúrgicos num único ritual, como sejam o Bristol, Cambridge, Oxford, West End, além do conhecido Emulation.

Sabendo desses detalhes é possível concluir o motivo de tanto imbróglio litúrgico que se transformou o Rito Escocês Antigo e Aceito. Nos últimos 12 anos foram realizadas quantas alterações? É de se espantar que existam tantos costumes diferentes? Pelo contrário, a única conclusão que qualquer pessoa medianamente formada pode ter é que existam milhares de interpretações, exatamente por conta das alterações introduzidas nos Rituais. Mal aparece uma alteração e surge outra, com interpretação distinta e muitas vezes conflitante com o próprio ritual. Atentem que não falo da mais recente alteração do Ritual, o que ocorreu recentemente foi uma ADAPTAÇÃO do Ritual segundo as determinações da Assembleia Federal Legislativa, o Ritual é exatamente o mesmo do anterior, exceto pelas adaptações exigidas pelo Poder Legislativo.

Enquanto isso, a construção do edifício social ideal que deveria ser a tônica do maçom está emperrada nas suas Lojas, e se discute “como” se deva realizar a ritualística “correta”. Algo como discutir eternamente a cor do uniforme dos pedreiros com o material parado e os pedreiros imóveis à nossa frente. Enquanto isso não desenrola tomamos chuva.

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