Afalta de cuidado com a qualidade da educação pública se estabeleceu no Brasil e, ao que se percebe, dá sinais de evolução, nada obstante o esforço envidado em contrário por muita gente e associações, através de projetos de lei, de orientações, de alerta em artigos e livros, de reuniões e assembléias, mas o mal não cede. São denúncias seguidas, vindas de todos os Estados. Escolas degradadas, aonde o alunado vai menos pelo ensino, mais pela merenda, a qual, ao que se noticia, está sendo oferecida em condições impróprias ao consumo humano. Falam até do entorno da escola como ponto de negócios para drogas. Hoje, ao se perguntar pelo professor a um de seus familiares, a resposta é de que ele “foi dar aula”. Sim, “dar aula”, tão baixa é a remuneração, ao que se juntam adicionais como o desestímulo ao desenvolvimento da vocação para o magistério e o desrespeito aos que abraçam o sacerdócio da formação das gerações.

O jornal O Globo, em edição de 9 de abril deste ano, publicou artigo do senador Cristóvão Buarque sobre “as vergonhas que temos”, em que ele trata do mundo econômico brasileiro que alardeiam ser um paraíso e do nosso mundo social, a respeito de que não falam, porque, no estado precário em que se encontra, fere as nossas vergonhas.

Conta ele que Vitor Hugo se negara a apertar a mão do imperador Pedro II, porque sua majestade convivia com a escravidão. Então que faria hoje o romancista francês perante a mão estendida do brasileiro? Certamente, entende o professor Buarque, Vitor Hugo não lhe apertaria a mão, pelo mesmo motivo – convivência com a escravidão, sendo que a de nossos dias é muito pior que a do passado, a que provém da inferioridade educacional.

E não são poucos os que se encontram nesse estado, infelizmente com predomínio no Brasil. Pois “a maioria dos adultos analfabetos (do mundo) vive em apenas dez países, sendo o Brasil um deles, com 14 milhões, com o agravamento de que, em nosso País, eles nem ao menos reconhecem a própria bandeira. De 1889 até hoje, chegamos à sétima posição mundial na economia, mas temos quase três vezes mais brasileiros adultos iletrados do que tínhamos naquele ano; além de 30 a 40 milhões de analfabetos funcionais”.

Então como se pensar num Brasil, soberano e próspero, se a educação não for para todos e de qualidade ? Aliás, há quem já esteja ensinando que “falar errado” é remédio para “uma vida melhor”. Pior é que o MEC tem apoiado essa posição. Os jornais noticiam que 484.195 alunos receberam, neste ano, livros que ensinam expressões como “os livro”, “nós pega o peixe” e isto já vem acontecendo há 10 anos, com “pelo menos 2 milhões de livros distribuídos a jovens e adultos pelo Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação”. Também tenho para mim que se o objetivo é a inclusão social, esse ensinamento não resultará proveitoso. Rápido e ao inverso, chegar-se-á à exclusão social. E mande-se dinheiro pelo ralo.

É preciso combater a ignorância, porque “ela é a mãe de todos os vícios”, conforme ensina a maçonaria. E “saber mal o que se deve saber certo” é um dos seus aspectos. Desejo lembrar que a instituição maçônica tem estado vigilante à tramitação do PNE (Plano Nacional de Educação) na Câmara dos Deputados e já expôs a sua posição sobre a melhoria da qualidade da educação em todas as suas Assembléias Gerais (COMAB) desde fevereiro de 2010, culminando com a Carta de São Paulo (9 de abril de 2011) cujo original foi entregue ao Senador Sarney, na qualidade de presidente do Congresso Nacional. Ressaltam, de suas decisões, bandeiras como: erradicação do analfabetismo até 2017; valorização dos profissionais da educação; melhoria na educação básica; construção de uma nova vertente para a universidade e para o ensino técnico profissionalizante; comprometimento de valor correspondente a 10% do PIB com a educação; definição como crime a irresponsabilidade educacional, penalizando-se severamente o infrator.

Melhor seria, porém, que estas notícias fossem apenas um pesadelo, porque para nos livrarmos de sua presença, bastaria um simples despertar. (Informabim 286 B).