O Altar dos Juramentos era o único utensílio que não existia no Templo de Salomão.

Existem autores que entendem que esse altar é essencialmente maçônico, criado muito tempo depois da fundação da Grande Loja de Londres em 1717 e que esse utensílio não encontra nenhuma relação daquele Templo religioso. Outros autores defendem de que existe a corelação entre esse Altar maçônico e o Altar dos Holocaustos do Templo de Salomão, claro guardado as finalidades iniciáticas de uma e as religiosas de outro. Adotamos então a tese de mais provável significado explanada pelo Sereníssimo Grão-Mestre, comparando-o com o Templo de Jerusalém do Velho Testamento, assim como outros utensílios de nosso uso esotérico.

Altar dos Holocaustos

Também conhecido como Altar dos Sacrifícios, onde eram imolados animais que se diversificavam de acordo com o tipo de pecado, pedido ou oferta que se pretendia fazer a Deus.

Esse Altar era quadrado, feito de madeira de acácia e todo revestido de bronze. Tinha dois metros e meio de comprimento, outro tanto de largura e um metro e vinte e cinco de altura ( cinco côvados de cumprimento, outro tanto de largura e três côvados de altura). Fazendo corpo com o Altar, existiam quatro chifres, um em cada canto superior de sua superfície, os quais também foram recobertos de bronze. Abaixo desses chifres, nas laterais do Altar, existiam argolas de bronze por onde eram transpassados dois varais recobertos de bronze e que serviam para o transporte mesmo.

A ritualística que envolvia o cerimonial religioso no Altar dos Holocaustos exigia, ainda, vários outros utensílios que o complementavam como: cinzeiros para remover os restos das imolações, pás, bacias, garfos, inclusive taças de bronze para colher o sangue do animal sacrificado.

É interessante ressaltar que as palavras ALTAR e SACRIFÍCIO são termos mais ou menos correlatos. A menção de um imediatamente sugere o outro. Em hebraico, a palavra ALTAR inclui, em sua conotação, a ideia de SACRIFÍCIO, pois é derivado de um verbo que significa MATAR – ABATER. Embora posteriormente tenha sido usada para o ato de OFERECER.

Consequentemente, a palavra Altar assumiu um significado comum de um lugar onde o Sacrifício era oferecido. O Caudas Aulete, “Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa”, define a palavra Altar como sendo “mesa destinada aos sacrifícios em qualquer religião”. A Grande Enciclopédia Delta Larousse define Altar como “mesa de pedra destinada aos holocaustos do Templo de Jerusalém”.

O mais solene sacrifício dos israelitas era o Holocausto, no qual a vítima era queimada parcial ou totalmente. Esse – aliás era o significado da própria palavra, pois HOLOCAUSTO no hebraico deriva de OLÁH. A raiz verbal desse termo significa SUBIR. Portanto, o Holocausto, na sua forma original, era um sacrifício cuja fumaça SUBIA até Deus.

Os animais oferecidos para os sacrifícios variavam de acordo com o tipo de pecado ou falta de cada um. Assim, as ofertas eram feitas com gado maior (boi, novilho etc.) ou gado menor (cordeiro, bode, cabra, passarinho etc.) e as vítimas deveriam ser sempre animais macho e sem defeito.
A pessoa que fosse fazer a oferta colocava a mão na cabeça da vítima para demonstrar que o sacrifício ia ser oferecido em seu nome e, portanto, em seu benefício.

Este gesto de colocar a mão na cabeça do animal antes do sacrifício, significa o mesmo que transferir a alma do sacrificador ao animal através da mão. Desta maneira, o sangue derramado do animal substituía a alma do dono do sacrifício, considerando-se como se ele próprio fosse o sacrificado. O ofertante cortava o pescoço da vítima e o sacerdote colhia seu sangue nas taças que existiam como acessórios do Altar dos Holocaustos e jogava o sangue em volta do próprio Altar, porque o sangue era considerado o sítio da vida e a vida pertencia a Deus. Depois o animal era esquartejado, suas partes lavadas em água limpa e colocadas na grelha do Altar para serem consumidas pelo fogo.

O ritual de sacrifícios de animais foi minuciosamente transmitido a Moisés e tinha um significado altamente moral e ético, uma maneira de agradecer a Deus “era o holocausto um sacrifício consumado pelo fogo e de odor agradável ao Senhor”. Vários eram os sacrifícios oferecidos no Altar e vários também os motivos pelos quais os sacrifícios eram realizados. Entretanto, basicamente eram três os tipos mais comuns:

a) Oferta da Comunhão: era o simples agradecimento a Deus

b) Oferta do pecado: chamava-se HATTAT e oferecia-se por faltas involuntárias de algum mandamento da Lei.

c) Oferta de Reparação: tinha a conotação de arrependimento, de não mais cometer o mesmo erro.

Todas essas ofertas foram chamadas pelo próprio Deus de LEI DO SACRIFÍCIO que existia para a redenção do homem com a divindade.

Nos sacrifícios, é o sentimento moral que vale antes de mais nada. O fim, por mais nobre que seja, não justifica a iniquidade dos meios. Não se pode cumprir o mandamento da caridade com dinheiro roubado, somente a intenção determina o valor do ato e não o ato em si. A esse propósito a Torah diz: “para o rico e para o pobre, a respeito do boi ou do humilde punhado de farinha, oferta queimada para ser aceita com vontade para o Eterno, pois o mérito não se mede com a quantidade, mas, com a vontade e com a intenção. (Levítico I-9).

Correlação entre altar dos holocaustos e altar dos juramentos Maçônico

Buscando, portanto, as origens do Altar dos Juramentos na Maçonaria, observa-se que não é difícil separá-lo das tradições bíblicas e religiosas pois ele tem no Templo Maçônico exatamente as mesmas finalidades e objetivos.

O recipiendário se torna neófito no período de tempo compreendido entre seu juramento e sua proclamação. A partir daí torna-se um Aprendiz Maçom. O juramento é a mais solene cerimônia pela qual passa o iniciado, porque impõe obrigações por toda a sua vida. A fórmula do juramento deve compreender deveres para com a Ordem maçônica e todos os seus membros, para com a Potência maçônica e todas as suas autoridades, para com a Loja e todos os seus Dignitários, seus Oficiais e seus membros.

Em todos os ritos praticados no Brasil, o Aprendiz jura duas a três vezes no dia de sua iniciação, tal a importância que a Maçonaria dá a esse ato no seu cerimonial.

Em nome desse mesmo simbolismo, podemos ver, no Altar dos Juramentos do Templo Maçônico, a simbolização do Altar dos Holocaustos do Templo de Salomão, bem como as correspondências físicas de forma e localização. Como vimos na denominação da palavra ALTAR que inclui em seu significado a ideia de sacrifício, era portanto, um local onde se oferecia um sacrifício. Tanto no Tabernáculo quanto no Templo de Salomão, os sacrifícios eram feitos através de animais que eram oferecidos para agradecimentos e expiação de pecados. Enquanto no Holocausto era oferecida uma vítima para louvar a Deus, no juramento maçônico o iniciado se oferece em sacrifício para vencer suas paixões, subjugar sua vontade e renascer para uma vida limpa e sem mácula. O neófito, ao proferir a fórmula do seu juramento, declara taxativamente nunca revelar qualquer dos mistérios da Maçonaria, nunca escrever, gravar, traçar ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los, além de se comprometer a ajudar e defender seus Irmãos em tudo o que puder e for necessário.

Não será isso um SACRIFÍCIO pois ele se propõe a ajudar pessoas que não escolheu para serem seus Irmãos? Não será um sacrifício se propor a modificar seus valores e, de repente, transformar o homem profano em homem maçom? Não será esse o momento de falar de SÍMBOLO E ALEGORIA? A Maçonaria não pretende, logicamente, trazer para seus templos a ideia de um Altar cruento.

Ao contrário do Mar de Bronze, das Colunas e do Altar dos Perfumes, o Altar dos Juramentos reproduz o Altar dos Holocaustos do Templo judeu apenas extraindo seu conteúdo intrínseco, místico ou filosófico. “Não obstante, por meio do Simbolismo Maçônico, O Templo de Salomão tornou-se o arquétipo da Loja, não se entendendo, entretanto, que ela deva ser a fiel reprodução do Templo de Jerusalém. Trata- -se de uma ALEGORIA”. (professor Palmeira – estudioso maçom)

O próprio Nicola Aslan nos ensina que a palavra ALEGORIA é um vocábulo grego composto por duas outras palavras que são: FALAR e OUTRA, isto é, “falar de outra maneira”. Fazer uma alegoria significa, portanto, falar de alguma coisa empregando termos diferentes dos verdadeiros, isto é, EXPOR UM PENSAMENTO SOB A FORMA FIGURADA. O Altar dos Juramentos da Maçonaria é uma alegoria do Altar dos Holocaustos do Templo de Jerusalém, não pelos meios, mas através dos fins que os dois se propõem.

O simbolismo e a alegoria que envolvem o Altar dos Juramentos da Maçonaria é uma alegoria do Altar dos Holocaustos, embora aquele seja parente muito próximo desse, uma vez que o Altar maçônico traz em seu bojo sempre uma ideia de sacrifício (não cruento), pois quem assume um compromisso terá que se sacrificar para cumpri- -lo.

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