O vocábulo “calendário” emana do latim – calendas, calendarum, f., e significava para os romanos o primeiro dia de cada mês.

Calendário, portanto, é a contagem da passagem dos tempos com o registro de fatos que cada um pode emprestar importância ou a comunidade local, nacional ou universal, confere valor, mérito ou interesse para comemorar, homenagear ou observar outras atividades.

Este é o sentido do sistema de marcação, em sequência, dos dias e noites desde que o homem aqui chegou.

Com a expansão do Império Romano, inclusive na Grécia, sua cultura levou àquela região seu calendário, e, como os helênicos não tinham “calendas”, criou-se a ideia de que esses tempos nunca viriam, pois, tudo que era enviado às “calendas gregas”, estava fadado à perpetuidade. Como inexistia “calendas” na Grécia, nada aconteceria: ad calendas graecas! Para o dia de S. Nunca!
Daí a origem da expressão – enviar ou remeter algo para as “calendas gregas”, sugerindo o entendimento de que se destina ao sem-fim, ao nada.
Foi no governo do Imperador Júlio César (ano 46 a.C.), entretanto, que se adotou o calendário atualmente usado no mundo ocidental, inspirado no similar egípcio e que em 04 de outubro de 1582, o então Papa, Gregório XIII, efetuou sua atualização.

Verificou-se a necessidade de ser ajustado ao sistema solar e o astrônomo Luigi Lilio orientou o pontífice sua correção e, assim, foi editada a Bula Gravíssima, de 24 de fevereiro daquele ano. Ocorreu que o dia seguinte a 04 de outubro de 1582 passou a ser o 15 daquele mesmo mês e ano, operando-se o ajuste naquela época até que outro seja feito, eis que já passou período superior a quatro séculos.

O calendário romano de Júlio César passou, então, a ser conhecido como gregoriano, como lembrança do Papa Gregório XIII que o corrigiu. O Concílio de Trento de 1563 já havia acolhido essa exigência de correção de conformidade com os movimentos de rotação e translação da Terra.

Todavia, o calendário gregoriano contém uma falha em sua contagem, considerando-se seu início o nascimento de Jesus de Nazareno, o Cristo.

“Como ponto de partida, no uso da era vulgar ou cristã, enquanto o ano 1 deveria ser o do nascimento de Jesus, cumpre dizer, de fato que, por causa de um erro inicial de cálculo cometido pelo primeiro que introduziu essa era no cômputo das datas (o monge Dionísio, o Pequeno, no ano 525; conf. Migne, Patrologia Latina – 67, 497-502), deve-se transportar aquele memorável e fundamental acontecimento para alguns anos atrás. Com efeito, consta, com certeza do Evangelho (Mt. 2, 1-15; Lc. 1, 5), que Jesus nasceu antes da morte de Herodes, o Grande, que caiu (como devemos deduzir por vários fios de História profana) no início de abril do ano 750 de Roma, que corresponde ao 4º antes da Era Vulgar. No ano precedente, colocamos o nascimento de Jesus Cristo, embora permanecendo incerto quantos meses se passaram, desde o seu nascimento até a morte do tirano. Outro caso grave de incerteza é a duração da vida pública de Jesus. A opinião que mais respeita os dados do texto evangélico é a que fixa em dois anos e alguns meses.” (Novo Testamento – 9ª Edição – Edições Paulinas – págs. 8/9)
Vê-se, pois, que o apontado erro do monge Dionísio, o Pequeno, teria desconsiderado quatro ou cinco anos, implicando na crença, se verdadeiro o erro, que quando os Reis Magos foram visitar Jesus, este já poderia contar com quatro ou cinco anos de idade, e, portanto, não seria mais o bebê que aprendemos nos catecismos de infância.

E dentro dessa linha histórica, é admissível até estarmos vivendos nos anos 2.011 ou 2.012 do calendário gregoriano, conforme esse referencial, se aceito.

Surgimento da 
Franco-Maçonaria

As dificuldades vividas pela maçonaria operativa no começo do Século XVII, em especial na Inglaterra, trouxeram amargas consequências para as guildas, chegando ao declínio ou quase extinção.
Novos tempos surgiram e foi preciso oxigenar a Sublime Ordem com a intelectualidade da época, subsistindo o artesanato, símbolo da operatividade de grandes construções de monumentos em toda a Europa. Cérebros que não faziam parte da Ordem, mas que desejassem ingressar e tivessem os requisitos morais eram aceitos pelos irmãos operativos que simbolizavam o passado maçônico.
Nasceu, assim, a Franco-Maçonaria no começo do Século XVIII (1717-1724), anunciando uma nova Era para a Instituição se expandir no cenário universal. Figuras importantes da sociedade da Europa iniciaram-se na Ordem; nobres, poderosos econômicos e amantes do saber, com destaque para filósofos e ciências políticas.

Implantou-se, assim, a Maçonaria Especulativa, subsistindo a Operativa, com departamentos próprios, mas com unidade de essência, como sendo frente e verso de uma mesma moeda.
Com o advento da especulação maçônica no Século XVIII, as correntes da Inglaterra (Reino Unido da Grã-Bretanha, atual), e da França, sentiram a necessidade de traçar rumos, direção e atualização sem perder, porém, o elo com o passado histórico da Instituição.

Várias assembleias efetuaram-se com esse objetivo, sempre precedidas de egrégoras, versando sobre temas variados como ritos, regras de condutas para os obreiros, oficinas, hierarquia etc., culminando, em 1724, com a Constituição do Bispo Anglicano James Anderson, que marcou a História Maçônica até nossos dias.

Dentre os assuntos tratados, o calendário maçônico foi analisado e ficou decidido que também seria adaptado à modernidade, pois datava de pretérito muito distante.
Indagou-se, inicialmente, qual modelo deveria ser eleito, ou seja, o gregoriano, o hebraico, o muçulmano ou critérios de outras culturas para essa alteração.
Ficou decidido, após lúcidos debates, um modelo misto: gregoriano e hebraico.

Adotou-se o calendário gregoriano com predominância, porém, a contagem inicial seria o Gênesis do Antigo Testamento, cujo autor foi Moisés, com acréscimo de 4.000 anos. Assim, o ano maçônico passou a ser contado semelhante ao calendário gregoriano somado a 4.000 anos, significando que o ano 2.007 da marcação gregoriana, verbi gratia, corresponde a 6.007 – E M . Não se considerou o erro de quatro ou cinco anos que teria cometido Dionísio, o Pequeno, como noticiado linhas acima, por conveniência.

Estabelecido esses ajustes e critérios ao antigo calendário maçônico, surgiu um problema no sentido de que aceito o referencial gregoriano predominante, deveria também o ano maçônico iniciar-se no primeiro dia de janeiro de cada ano?

Muitas propostas foram apresentadas, porém, a vitoriosa foi a de que não seria o início do ano maçônico no primeiro dia do mês de janeiro, pois isso prestigiaria mais ainda o calendário gregoriano.

Poderia ser interpretado como sinal de religiosidade com a cristandade, ferindo o princípio absoluto maçônico de não ser religião ou seita, mas método, em última análise, de crença no GADU e admitir vida post-mortem, no OR ET.

Mais uma vez a Ordem, com o costumeiro acerto, fugiu dessa possibilidade de interpretação errônea e escolheu como paradigma a época do equinócio de verão na Europa, que ocorre no mês de março.

O ano maçônico, então, se inicia no mês de março e vai até fevereiro do ano seguinte.
Traçadas essas diretrizes, a assembleia maçônica daquele momento fixou a nomenclatura dos meses maçônicos que têm, como fonte, raízes persas (época de Zoroastro), passando pelas civilizações da Índia, do Egito e a Hebraica.

Mencionamos os nomes dos meses maçônicos:
Março – Niçan
Setembro – Etramon
Abril – Içar
Outubro – Maskevan
Maio – Sivan
Novembro – Crisleu
Junho – Tamuz
Dezembro – Thebet
Julho – AB
Janeiro – Sabet
Agosto – Elul
Fevereiro – Adar.

BIBLIOGRAFIA:

– História e Doutrina da Franco-Maçonaria
Marius Lepage – Ed. Pensamento.
– A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática
Jean Palou – Ed. Pensamento.
– Pequena História de Maçonaria
C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento.
– A Vida Oculta da Maçonaria
C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento.
– Novo Testamento – 9ª Edição – Edições Paulinas.
– Dicionário da Maçonaria
Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento.

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