Capítulo XXVIII: Persuasão e Credibilidade

Vamos a mais uma pequena história:
Era uma vez um vendedor de seguros, dos bons, daqueles que conseguem impingir uma geladeira a um esquimó e sardinhas enlatadas a pescadores. Morava em uma cidade grande, daquelas onde somos todos anônimos e desconhecidos. Trajava-se bem, possuía o dom da palavra, era insinuante e persuasivo, todavia, era também beberrão, mulherengo e mau caráter.
Um dia, ao retornar à casa, recebeu a notícia da morte de um tio que residia em uma pequena cidade do interior; este lhe deixara de herança, nessa cidade, uma bela propriedade.
Vivendo de aluguel na cidade grande, resolveu mudar-se para o interior e transferir para lá suas atividades comerciais.
E assim fez.
Instalou-se na pequena cidade, onde todos os habitantes se conhecem e se cumprimentam, e logo passou a frequentar um “boteco” mal-afamado, na porta do qual fumava, bebia, proferia palavrões, mexia com as mulheres que passavam etc e tal.
Suas vendas caíram. Por mais e melhor que ele argumentasse, os “clientes” mostravam-se cada vez mais relutantes e refratários às suas argumentações. E ele se perguntava onde estaria a sua falha, o seu erro…
Você, querido leitor, já deve ter adivinhado: na credibilidade.
De nada adianta ser persuasivo, eloquente, simpático e elegante…se lhe faltar credibilidade.
Conclusão: as pessoas te analisam pelo que és, não pelo que falas; um bom orador deve, portanto, falar daquilo que entende, que sabe, que conhece. Se pregar a moral, deve ser moralista; se pregar a virtude, virtuoso; se pregar a honestidade, honesto.
Mahatma Gandhi, uma das mais carismáticas e proeminentes figuras do século XX, 
costumava dizer:
“- Quando falo a verdade, sou invencível”.

Capítulo XXIX: O uso do microfone

Desde o princípio do mundo até meados do século XX, o ato de discursar em público era privilégio de quem possuísse uma voz forte e estrondosa, capaz de alcançar grande distância e se estender à multidão; hoje, com o milagre da eletrônica e da mídia, tudo mudou: microfones ampliam a voz e mesas de som as modelam, engrossando as mais agudas e afinando as graves. Abandonou-se o ato de falar às grandes multidões, exceto em comícios políticos e, mesmo nesses, sempre com o auxílio de megafones, microfones e caixas de som.
Ao orador moderno torna-se imprescindível o conhecimento, a familiarização e o uso dessas modernas tecnologias, principalmente dos microfones; destes, há; basicamente, cinco modalidades: de pedestal, de mesa, de mão, de lapela e de cabeça (headset), cada qual apresentando vantagens, ou desvantagens, conforme a ocasião, o tipo de discurso ou palestra, a performance do orador etc.
Os templos maçônicos são relativamente pequenos e dispensam a instalação de aparelhagem de som, exceto na coluna do sul, onde está o mestre de harmonia; o fato de serem isolados do mundo exterior propicia uma boa acústica, que favorece a propagação da voz humana; contudo, muitos deles possuem microfones no trono do V∴M∴ e nos altares das dignidades; a decisão de usá-los, ou não, fica a critério de cada um, de acordo com a sua potência vocal.
Como regra geral, aconselha-se o uso de microfones somente nos casos estritamente necessários, pois, embora eles ampliem a voz humana, normalmente também a distorcem, produzindo ruídos, chiados, interferências e microfonias. Esta regra é válida inclusive para discursos e palestras.
A experiência tem mostrado que, para grupos de até 40 pessoas, o orador pode dispensar o uso do microfone; acima deste número, convém utilizá-lo. Vejamos, então, as características dos vários modelos disponíveis:

De pedestal:
É o mais formal e, consequentemente, indicado para grandes discursos e ocasiões solenes; contudo, não é aconselhável para palestras pois “imobiliza” o orador, inibindo sua movimentação e expressividade. Deve ser posicionado à altura do queixo e a uma distância de oito centímetros da boca. A maioria destes aparelhos permite a remoção do microfone de seu pedestal, dando mais liberdade de movimentação ao orador.

De mesa:
É muito encontrado em templos maçônicos, para uso das luzes, dignidades e oficiais da loja, sendo considerado ideal para a leitura de rituais, atas, pranchas etc.; obriga, porém, o usuário a permanecer sentado e imóvel, pois, ao menor movimento da cabeça o som desaparece; vemos com frequência o V∴M∴ utilizar-se (mal) deste tipo de microfone e sua voz “sumir” quando vira o rosto para a esquerda ou direita, dirigindo-se aos demais componentes do trono.
Tal como o anterior, alguns modelos deste aparelho permitem que ele seja deslocado de seu pedestal de mesa e usado, então, livremente.

De mão:
Também denominado microfone sem fio, contém em seu interior um pequeno radiotransmissor que envia o som ao sistema difusor. Facilita a movimentação do orador, porém, dificulta a gesticulação e a leitura; ideal para oradores experientes que falam sem o auxílio de apontamentos, papeis-texto ou fichas mnemônicas. Cuidado para não trocá-lo constantemente de mão, provocando risos na platéia ou “distraindo-a”.
O braço que segura este tipo de microfone deve manter-se rigidamente na mesma posição, próximo à boca, acompanhando os movimentos corporais.

De lapela:
É preso à roupa do orador por meio de uma presilha que deve estar o mais próximo possível da boca. Embora apresente uma qualidade de som inferior aos microfones tradicionais, seu uso permite que o orador tenha as mãos livres, possa andar, gesticular, segurar papéis, canetas-laser e até mesmo manipular sistemas de projeção de imagem tipo retroprojetor ou data show.

De cabeça:
Também conhecido como headset, é preso à cabeça do orador por intermédio de uma alça e permanece junto à boca, garantindo a captação e transmissão da voz de um modo uniforme, durante toda a apresentação. É o tipo ideal para palestras.

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