Capítulo XI: Respeito ao Público

Público é um termo genérico que tanto pode ser atribuido ao conjunto de pessoas presentes em um teatro quanto ao de membros presentes em uma loja maçônica; e ambos, indistintamente, devem merecer do orador, do palestrante e do conferencista a mesma deferência e o mesmo respeito.

Se a sua palestra foi agendada para começar às 14:00 horas, comece as 14:00.

Chegue, porém, ao local meia hora antes, confira os microfones e o sistema de som, veja se o retroprojetor está convenientemente instalado, faça uma pequena introspecção para rememorar tudo aquilo que pretende transmitir; ao soar o horário previsto, não espere mais “dez minutinhos” para aguardar os retardatários porque essa sua “gentileza” para com eles é, na verdade, um insulto e uma ofensa para aqueles que chegaram pontualmente.

Se a sua palestra foi agendada para terminar as 16.00 horas, termine às 16:00.

Termine às 16:00 horas mesmo que voce entenda que ainda falte algo para dizer; se realmente faltar algo o público pedirá para que voce continue.

Se voce perceber, meia hora antes do término previsto, que o público demonstra sinais de cansaço, abrevie o que tem a dizer e rapidamente conclua; aqueles que o assistem certamente agradecerão e o aplaudirão em pé.

E o que são sinais de cansaço do público?

O orador experiente percebe-os em um lance de olhos:

Bocejos, palpebras semi-cerradas, cochilos, olhares distraidos dirigidos para o teto ou às paredes, conversas paralelas em surdina, pés impacientes que batem repetidamente no chão, mãos que tamborilam nas poltronas.

E quanto aos aplausos, também não se iluda com eles…

O público aplaude, na maior parte das vezes, simplesmente por uma questão de hábito, de etiqueta social, de obediência aos usos e costumes.

Aplausos verdadeiros, sinceros e expontâneos são aqueles que ocorrem não ao final, mas no decorrer da palestra, quando o orador consegue ir ao encontro do pensamento de seus ouvintes, quando com eles interage, traduzindo em palavras explícitas os seus sentimentos implícitos, as suas aspirações mais íntimas.

Muitas vezes também aplaude-se para interromper alguém que está exagerando, falando demais, falando além do tempo que lhe foi concedido pelo apresentador ou mediador.

Se voce estiver proferindo uma palestra, ou respondendo à uma entrevista, e alguém formular uma pergunta que não saibas responder…não “enrole”; diga simplesmente:

– Não sei. E acrescente:

– Posso tentar me informar a respeito e, se voce me deixar o seu telefone ou e-mail, eu lhe enviarei a resposta, assim que a tenha; obrigado.

Educação e caldo de galinha não fazem mal a ninguém…

Contudo, se voce não quiser passar por esse constrangimento, siga o conselho dos grandes oradores: colecione o dobro do material necessário para a palestra e saiba o dobro do que pretende expôr; assim, voce terá um “reservatório” de informações que, provavelmente, coincidirá com as perguntas que forem surgindo.

Outra questão importante é decidir se as perguntas deverão ficar para o final da palestra ou se o orador permitirá que elas sejam feitas no decorrer da mesma. A prática indica que, para um público reduzido (até 20 pessoas), o orador poderá anunciar que aceitará perguntas no transcurso da palestra; acima desse número, convém deixa-las para o final.

Em algumas ocasiões o orador poderá se defrontar, não com perguntas mas, com interrupções e questionamentos atrevidos; nesses casos, convém responder com educação e firmeza. Exemplo:

Durante uma palestra a respeito de OVNIs (objetos voadores não identificados), certo palestrante foi bruscamente interrompido por um dos presentes, com a seguinte afirmação:

“- Queira me desculpar, mas eu não acredito nem siquer em uma palavra de sua explicação.”

O palestrante, sem se abalar, rapidamente respondeu:

“- Eu fui convidado para expôr a minha opinião… e não para ouvir a sua.”

Nas lojas maçônicas, além desses cuidados fundamentais acima expostos, aquele que fala, nas “Palavras ao Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular”, deve atentar ao seguinte:

Quando o Venerável Mestre anuncia que a palavra, sôbre o ato, será concedida…respeite a ordem. Se no momento nada lhe ocorrer para falar sôbre o ato, cale-se.

Quando o Venerável Mestre concede a palavra aos obreiros e pede que, devido ao adiantado da hora, sejam breves… seja breve, e todos lhe agradecerão.

Se voce estiver inscrito no Tempo de Estudos e for ler um trabalho escrito, não ultrapasse os 7 ou 8 minutos.

Se for falar sem ler, não ultrapasse os 15 minutos.

Pesquisas provam que os ouvintes se cansam ( e não conseguem acompanhar o raciocínio) muito mais rapidamente quando alguém lê do que quando alguém fala sem ler.

O mesmo raciocínio vale para as palestras:

A palestra lida não deve ultrapassar 25 minutos.

A palestra falada não deve ultrapassar 1 hora.

A palestra ilustrada (lousa, retroprojetor ou data show) não deve ultrapassar duas horas.

Capítulo XII – Como evitar obviedades, mesmices e lugares-comuns.

A arte da oratória consiste, principalmente, em saber falar, saber o quê falar e saber à quem falar.

Para isto se conseguir, deve o orador estar familiarizado com o assunto, dominar o tema e estar preparado para responder eventuais perguntas que surgirão ao final ou mesmo durante o período de apresentação; deve também saber prever, na medida do possível, as perguntas e contestações que eventualmente surgirem, assim como os argumentos e contra-argumentos com que terá que se defrontar. Ler muito, conhecer profundamente o assunto a ser abordado, ser coerente e objetivo, planejar tudo o que vai ser dito…eis o trabalho do orador.

Um cuidado especial e muito importante é saber evitar os “lugares-comuns”, as “mesmices”e, principalmente, aquilo que o saudoso escritor Nelson Rodrigues chamava de “o óbvio ululante”, isto é, pretender ensinar ou explicar coisas que todos já sabem ou conhecem.

Um bom exemplo de “obviedade”, na maçonaria, é o daquele irmão que, após acompanhar uma sessão de iniciação, resolve cumprimentar o neófito, dando-lhe conselhos do tipo:

-“ Agora que voce já ingressou na maçonaria, quero te dizer que, aqui, voce encontrará verdadeiros amigos… eu, e todos os demais irmãos desta loja, estaremos sempre à sua disposição para esclarecer as suas dúvidas…voce pode contar conosco sempre que precisar…”

Há também aquele que, em todas as iniciações que comparece, pede a palavra para declarar, solene e invariavelmente, a mesma ladainha, que é mais ou menos assim:

– A Iniciação pela qual acabas de passar pode te parecer confusa mas, com o tempo, voce entenderá tudo o que aqui se passou. Leia atentamente o Ritual que lhe foi dado e, caso persistir alguma dúvida, estaremos à sua disposição. Voce terá também que ser persistente, comparecer a todas as nossas reuniões, se esforçar muito, porque a maçonaria oferece muito, mas também exige muito de seus membros, etc., etc., etc.”

Percebam que tudo isso já foi anunciado, e de um modo muito mais elegante e culto, nos próprios diálogos do Ritual; repeti-los, falar por falar, declarar algo simplesmente “para aparecer” é o que denominamos “o óbvio ululante”.

A “mesmice” consiste em repetir o que já foi dito muitas vezes e que a maioria das pessoas presentes já conhece e já ouviu; encontramos inúmeros exemplos dela, na maçonaria, quando o Venerável Mestre concede a Palavra ao Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular. Querem um exemplo?…

Qual o maçom que ainda não ouviu, após uma iniciação, alguém pedir a palavra para cumprimentar o “novo Aprendiz” e, dirigindo-se à ele, declarar, com ares de grande sabedoria, as seguintes palavras:

-“Meu Irmão, agora que voce já entrou para a maçonaria, deve deixar que a maçonaria entre em voce” (sic).

Ou então aquele outro que exclama solenemente:

– “ Não pergunte, meu Irmão, o que a maçonaria pode fazer por voce, mas sim o que voce pode fazer pela maçonaria”.

Mesmices, obviedades, lugares-comuns… recursos parcos daqueles que se imaginam grandes oradores… e nem ao menos oradores são.

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