Capítulo XV: Como administrar o tempo de sua fala

Os grandes oradores sabem dar às suas palestras e discursos um ritmo surpreendentemente harmonioso, administrando corretamente o tempo que lhes é dado. Se você dispõe de TV a cabo, sintonize o canal do Congresso Nacional ou do Ministério da Justiça e veja como políticos e juristas conseguem habilmente administrar o tempo que
lhes é concedido, pouco importando se este for de dois minutos ou de duas horas.

Um bom orador aprende a dividir o precioso tempo de que dispõe, reduzindo ou ampliando o seu discurso, conforme o caso, mantendo, porém, a coerência do mesmo, isto é, fazendo com que ele tenha princípio, meio e fim.

Para utilizarmos adequadamente o tempo que nos é concedido, devemos nos ater ao tema, sem perder o fio da meada nem desviar-nos do eixo principal de nossa apresentação, finalizando-a no tempo previsto, antes que sobrevenha o tédio e o cansaço naqueles que nos ouvem.

Uma boa palestra não pode ultrapassar noventa minutos; este é o tempo máximo que a média dos ouvintes conseguem acompanhar com atenção. Caso a palestra necessite de um tempo maior, deverá obrigatoriamente ser dividida em duas partes, com intervalo de quinze a vinte minutos, nos quais será servido um lanche (nunca servir bebidas alcoólicas; estas, poderão ser oferecidas mais tarde, no encerramento do evento). Discursos de seis ou oito horas de duração, como eram os de Fidel Castro, somente são plausíveis em governos ditatoriais, nos quais a frequência e os aplausos estão previamente assegurados pela Espada e pelo Canhão.

Para aqueles que estejam se iniciando na arte oratória, o método mais eficiente para aprender a administrar corretamente o tempo consiste no emprego da ampulheta ou clépsidra; elas existem em vários tamanhos e quanto maiores mais demoram para se esgotar. É conveniente termos em casa tres ou quatro tipos desses aparelhos, com diferentes tempos de esgotamento.

O treino consiste em:
a) Primeiramente, elaborar uma lista de vinte temas, tais como os exemplificados abaixo:
Agradecendo à loja pela concessão de um diploma ou uma medalha.
Cumprimentando um irmão pelo seu casamento ou aniversário.
Proferindo uma reflexão, tal como se faz em muitas lojas, antes de adentrar ao templo.
Propondo ao irmãos uma sessão magna de confraternização pelo aniversário de fundação da loja.
Relatando a visita à uma loja de outra cidade ou de outro país.
b) A seguir, sorteie um desses temas.
c) Escolha, então, duas ampulhetas que tenham diferentes tempos de esgotamento.
d) Acione a primeira e tente, durante o seu tempo de esvaziamento, transmitir a sua mensagem, cuidando para que ela seja objetiva, concisa
e coerente.
e) Depois, acione a segunda e procure sintetizar a mesma mensagem caso o tempo seja menor, ou amplia-la caso o tempo for maior.

Treine até conseguir adequar suas mensagens ao tempo exato que a ampulheta lhe dá, sem que estas percam suas principais características, isto é, princípio, meio e fim.

Quando c/onseguir realizar esta façanha, e somente então, voce poderá então se considerar um
grande orador.

Outro exercício interessante e útil consiste em observar como os políticos experientes, nos debates que antecedem às eleições, conseguem, nos dois ou três minutos que lhe são concedidos, sintetizar um determinado tema (segurança pública, por exemplo); tema que poderiam desenvolver durante horas, se estas lhes fossem concedidas.

Capítulo XVI – Planejamento de um discurso

Certa vez um Grão-Mestre da maçonaria, cujo nome não estou autorizado a revelar, foi convidado por um Venerável-Mestre a comparecer à sua loja, que realizaria uma sessão magna comemorativa de meio século de existência. Como o convite foi feito pessoalmente, no momento em que o Grão-Mestre concordou em comparecer, o Venerável-Mestre acrescentou:

-Poderíamos também pedir-lhe que, na ocasião, fizesse um discurso de improviso?
-Mas claro que sim -respondeu o Grão-Mestre- desde que você me avise com duas semanas de antecedência…e me dê o tema…eu o farei com todo o prazer.

O discurso de improviso, tal como todas as coisas improvisadas, pode até dar certo, mas nunca terá o brilho daquele que foi planejado. Lembrem-se sempre do show do mágico que “tira um coelho do interior de uma cartola” e jamais esqueçam que, para retirar o coelho, ele teve que previamente coloca-lo: isto é o que chamamos de planejamento.

Quando vemos um orador pronunciar um discurso lido, temos a certeza de que foi planejado; quando o discurso é falado, sem o auxílio de ficha ou folha de papel, imaginamos que seja de improviso. Puro engano…pois este é muito mais planejado que o outro; nele, o orador se deu anteriormente ao trabalho de escrever, decorar e…na hora, deixou a bela impressão de que improvisava.

Como se planeja um discurso?

Depende do tema, da ocasião, do motivo, do tempo que nos será concedido e de inúmeros outros fatores. Exemplos:

Certa ocasião compareci a uma sessão de pompas fúnebres em uma loja maçônica.

Para quem ainda não conhece esse belíssimo e significativo cerimonial, acrescento que, ao final, o orador da loja tem o dever de ofício de discursar a respeito da vida e obra do homenageado, ou seja, do irmão que partiu para o Oriente Eterno.

Normalmente, um orador de loja medíocre se limitaria a dizer o óbvio: que o falecido foi um grande homem, uma pessoa de sentimentos puros e caráter nobre, honesto, íntegro, bom pai, bom esposo…e assim
por diante.

Mas, neste dia isso não sucedeu; o orador da loja, excedendo à todas as expectativas, esboçou um relato minucioso e preciso da vida do homenageado, citando o seu local de nascimento, a escola onde estudou, os cursos que fez, o baile onde encontrou pela primeira vez aquela que seria a sua futura esposa, a maternidade onde nasceram seus filhos. Discorreu a respeito de seus gostos e hobbys, de sua carreira profissional, dos locais onde gostava de passar suas férias…

Comoveu até as lágrimas a viúva e os filhos, ali presentes.

Comoveu a todos.

– Mas… – estará o leitor se perguntando – como ele conseguiu saber tudo isso?
– Com muito planejamento e trabalho – responderemos.

Após a cerimônia, fui cumprimentar o irmão orador e, conversando, ele me confidenciou que teve o trabalho de pesquisar dados a partir da ficha maçônica do falecido (modelo 9, no Grande Oriente), depois foi entrevistar vizinhos, colegas de trabalho, amigos de clube…e assim por diante.

Trabalho exaustivo e belo, digno de uma recompensa ou medalha.

2. Faz parte do bom planejamento incluir em palestras, ou até mesmo em discursos, a narrativa de uma experiência pessoal; ao falar de algo que realmente nos sucedeu, ganhamos interesse e credibilidade perante o público. Mas que seja um fato real, não uma mentira ou invencionice; um fato do qual possa-se extrair uma lição de vida, um exemplo a ser seguido.

3. Nunca inicie uma palestra ou um discurso com uma piada, pois corre-se o risco de todos, ou quase todos a conhecerem e ninguém rir, deixando o orador em uma situação desagradável e constrangedora. Os casos curiosos e hilariantes devem ser estrategicamente colocados no meio da palestra, quando os ouvintes estiverem começando a dar sinais de cansaço; além disso, nesta altura estarão mais familiarizados com você e terão mais propensão a perdoar uma eventual piada sem graça.

Adote como regra:
Quanto mais sério e complexo for o tema abordado, maior é a necessidade de se intercalar em seu desenvolvimento uma pequena brincadeira, uma pitada de humor ou um pequeno caso pessoal; mas, não exagere.
Charles Chaplin, o genial criador de Carlitos, que intercalava magistralmente em seus filmes cenas de grande hilaridade e de intensa dramaticidade, costumava dizer que “- é mais difícil dosar o humor do que os venenos e perfumes”.

Pod∴Ir∴ Carlos Brasílio Conte – Gr∴Secret∴
Assist∴de Cultura e Educação Maçonicas do GOSP/GOB.
Autor de “O Livro do Orador”
editado pela Madras Editora

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