A Constituição do Grande Oriente do Brasil, em seu artigo 2º, inciso VII, pugna pela proibição de discussão ou controvérsia sobre matéria político-partidária, religiosa e racial, dentro dos templos ou fora deles, em seu nome.

Entretanto, é sabido que, desde seus primórdios, a maçonaria sempre influenciou e atuou na política mundial, em prol da humanidade. Nunca se furtando ou omitindo quando necessária a sua intervenção.

Ocorre que, a maçonaria universal tem duas grandes variantes, ou vertentes:
Uma delas é a Maçonaria Regular, por alguns, também, designada “de inspiração anglo-saxônica”. Considera-se a verdadeira Maçonaria. Reclama-se de ser a seguidora direta das quatro Lojas que, em 1717, fundaram a Grande Loja de Londres, que declara a Grande Loja fundadora da moderna Maçonaria especulativa, erigida sobre as fundações da antiga Maçonaria operativa. Não abdica de dois princípios essenciais: a crença num Criador, qualquer que seja a designação que cada um lhe dê ou a religião que cada um professe, que designa por Grande Arquiteto do Universo, e a sua vocação exclusiva de se destinar ao aperfeiçoamento individual, moral e espiritual, dos seus membros. Como corolários destes dois grandes princípios, resultam a proclamação do eminente valor da Tolerância, no sentido de que se deve reconhecer ao Outro o direito às suas ideias e à expressão delas, ainda que delas profundamente se discorde, pois as ideias rebatem-se com argumentos, não com proibições ou ostracismos; a consideração de que as mudanças a que o maçom deve aspirar são as que reconhece dever haver em si próprio, não havendo lugar, enquanto maçom e enquanto Maçonaria, a intervenção na Sociedade, muito menos de caráter revolucionário, limitando-se a única intervenção do maçom na sociedade ao exemplo que der pela sua conduta, atuando o maçom e a Maçonaria sempre no estrito respeito da Legalidade vigente em cada lugar; a recusa de intervenção política, enquanto maçom ou enquanto Maçonaria, pois a luta política deve ser estranha à Fraternidade entre maçons e o respeito pelas idéias do Outro implica que cada maçom é livre de, individualmente, ter as posições que entender e, enquanto cidadão, intervir politicamente como quiser, não havendo lugar a qualquer “indicação” política ou “congregação” de vontades políticas.

Desde seus primórdios, a maçonaria sempre influenciou e atuou na política mundial, em prol da humanidade.Nunca se furtando ou omitindo quando necessária a sua intervenção.

Outra variante é a que costumam designar de Maçonaria Liberal, ancorada na evolução sofrida pelo Grande Oriente da França, na sequencia de vários fatores: rivalidade franco-britânica, evolução das condições sociais na França (Revolução Francesa), inserção dos atores políticos na Maçonaria. Esta outra variante é em quase tudo consentânea com a primeira, com duas importantes exceções: por um lado, aceita a presença de agnósticos e ateus nas suas fileiras, fundamentando tal opção no princípio da Liberdade de Consciência e na não ingerência na convicção alheia (elevando o corolário da Tolerância ao primado de princípio, gerador, por sua vez, de um outro corolário, o laicismo); o entendimento de que a missão principal da Maçonaria é a melhoria da Sociedade (e não apenas dos seus membros, individualmente considerados), cabendo à Maçonaria pugnar pela realização da trindade essencial dos princípios políticos (Liberdade-Igualdade-Fraternidade) e trabalhar pela sua aplicação na Sociedade, mesmo por meios revolucionários, se tal se justificar, designadamente por inexistência de regime político democrático.

Ocorre que, nos dias de hoje, quando se fala em maçonaria e política o tema é muitas vezes mal compreendido, visto que não se consegue distinguir politicagem de cidadania. Confundindo, assim, o exercício da cidadania que todos devemos exercer, e muitas vezes, dando lugar as politicagens nas indicações e nas posições tomadas pela loja.

Não discutir temas políticos não quer dizer que devamos nos abster de participar dos assuntos relevantes de nosso Município, de nosso Estado, de Nosso País. Pois a Maçonaria, escola de Líderes que é, e por ter em suas colunas formadas por cabeças pensantes, tem o dever de se empenhar, tanto como IIr∴ quanto como Instituição, em defesa dos interesses maiores da Comunidade. Isto significa fazermos política comunitária, e não partidária, discutir e avaliar internamente os problemas estruturais da sociedade em que vivemos, ajudar a encontrar soluções e colaborar em suas implantações. E olha que neste Brasil afora muitas lojas vêm fazendo exatamente isto, seja nas áreas educacional, de assistência social, de saúde pública, de ecologia e tantas outras. E nestas ações sociais nunca devemos esquecer de aplicar duas importantes regras:
1ª – Jamais divulgar essas ações ao mundo profano, pois “o que a mão direita der a esquerda não deve saber”; e, 2ª – Sempre que possível, realizar ações sanadoras e não paliativas, pois “o ensinar a pescar é muito mais duradouro do que simplesmente dar o peixe”

Outrossim, respeitando integralmente os Landmarks, os princípios e as Leis Maçônicas, devemos sim nos abster da política partidária, e de tentarmos muitas vezes, transformar nossas lojas em trampolins políticos, como infelizmente, muitas vezes observamos

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