Abaixo, inesquecível discurso proferido por
José Menezes Júnior, Grão-Mestre Estadual do Grande Oriente de São Paulo, em 1968, na posse de
Moacyr Arbex Dinamarco como Grão-Mestre Geral
do Grande Oriente do Brasil

“Já dizia Rochefaucauld que um exemplo vale mais que um preceito. 
Em nossa breve vida maçônica, no instante em que somos aquinhoados com o carinho ou a alegria, ou naqueles em que o amargor nos assalta, vimos acompanhando, com os olhos da alma, os exemplos que, ao seu correr, vamos encontrando.
E, felizmente para nós, as alegrias e as demonstrações salutares estão sempre predominando. Podemos seguir assim, na certeza de que somos o que somos, de que não perdemos a substância do que éramos. Alhures, ouvimos que insigne maçom deixara escrito: amamos a sublime Ordem Maçônica e firmes no caminho da honra, saberemos cumprir o nosso dever. São palavras de Saldanha Marinho.

Por natureza, somos observadores e a observação nos tem demonstrado que, para bem cumprir o dever, há que se ter bravura, tantos são os obstáculos que se erguem à nossa frente. E vós, caríssimo Irmão Moacyr Arbex Dinamarco, que neste instante recebeis o instrumento que vos concede o poder durante os próximos cinco anos, no desempenho de vossa missão, deveis ter, além de muita compreensão de vosso espírito fraternal, muita bravura. 

Uma bravura que exige limpidez em vossa atitude…e dessa limpidez, uma transparência própria do cultor e praticante da Arte Real. Aquela mesma de Caxias que, vitorioso, permitiu que seus Irmãos pudessem oferecer a Diogo Antonio Feijó a rendição honrosa a que um bravo e um maçom têm direito; aquela mesma de San Martim, maçom extraordinário, libertador das Américas que, podendo empalmar o poder, desistiu da glória e expatriou-se, indo para o exílio, para não se transformar no tirano de sua pátria; bravo, foi Danton que, condenado pelo tribunal da Revolução Francesa, com possibilidades de fuga, com a fuga sendo-lhe oferecida, declarou que não trazia a pátria na sola dos sapatos; bravo e heróico foi Tiradentes que, sozinho, pagou com a vida o sonho de milhares de brasileiros, sonho que mais tarde tornou-se realidade; bravo foi Washington Luiz, que soube portar-se no exílio com a dignidade de um homem de bons costumes, mesmo quando as necessidades rondavam sua morada…

E tantos, e muitos outros foram bravos…
Cada um numa época, mais remota ou mais próxima.
Todos esses vultos citados, no fastígio de suas individualidades, nos legaram exemplos sadios, a estes não mais que um preceito.

Vamos, em nossa pátria, nos aproximando do dealbar de uma nova etapa, em que muito teremos que oferecer, desinteressadamente, visando preparar o dia de amanhã, para nossos filhos e netos.
Preocupações inúmeras e de toda sorte nos rondam: o conformismo, irmão gêmeo da cobiça e da vaidade, apossa-se das camadas responsáveis, fingindo ignorar o conteúdo da atoarda que se ergue em todos os quadrantes da pátria; a mediocridade campeia, dir-se-ia organizada, afugentando os valores intelectuais e científicos; misturam-se os demônios – em número maior – com os anjos; e tudo isso por quê?

Pela falta de líderes, pela escassez de timoneiros, pela ausência de guias…
A este país falta alguém capaz de exercer a autoridade com sabedoria, sem olvidar o povo e, principalmente, a parte ponderável e maior do povo, sua mocidade e juventude.

Esta, em suas manifestações de energia, estuando força e vigor, gritam pedindo o que entende ser justo, e seus brados não encontram eco nos responsáveis pelo Estado.
Não temos líderes, infelizmente.

Os que surgem vez em quando, cedo desaparecem, tragados pelas forças resultantes de conluios malcheirosos e despudorados. E as instituições vão se abalando.

A um líder não se delega autoridade; a autoridade que ele exerce vem de si mesmo, de uma força interior, pessoal, do valor intrínseco de seus  serviços prestados à pátria, de seu prestígio pessoal resultante de sua supremacia incontestada e de sua capacidade diretora.

O ideal democrático é uma força em ação e pede expressão, a expressão social, exigindo a cada um ter fé na vida, aceitando os cargos e as responsabilidades de maneira positiva e prática, pelo trabalho e pela moral – único exemplo proveitoso e eficaz no gênero humano.

O seu verbo e a sua mensagem, como se tem dito, são que as classes que se intitulam dirigentes, dirijam; as que se afirmam instruídas, instruam; as que se acreditam grandes, possam engrandecer; e as que se entendem como trabalhadoras, possam trabalhar!”.

Sobre o Autor

Gr∴Secret∴ Assist∴ de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP/GOB. Autor de: “O Livro do Orador”, editado pela Madras Editora.

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