A Maçonaria, esta ordem milenar pretende, por alegorias, apresentar ao homem, grau por grau, doses de ensinamentos no sentido de motivá-lo a aprender a analisar fatos, retirar deles os ensinamentos, incorporar esses ensinamentos à sua bagagem pessoal.
O Candidato ao ingresso na Ordem já foi escolhido dentre muitos e considerado limpo e puro. O material humano que acessa a Maçonaria foi selecionado para receber ensinamentos, incorporá-los à sua razão, aplicando-os na busca da sabedoria. Sabedoria é o resultado da aplicação do conhecimento.

De que adianta acumular conhecimento sem aplicá-lo? Nunca ingressaria o homem no universo da sabedoria. Nunca iria o médico praticar cura, nem o engenheiro construir prédios, nem o comerciante negociar.

Da pedra bruta à polida, ainda hoje utilizamos alegorias que remontam à Maçonaria Operativa.
Os dicionários, até agora, definem a maçonaria como sociedade filantrópica secreta, que usa como símbolos os instrumentos de pedreiro e do arquiteto.

Na definição, o dicionarista acrescenta o termo filantrópica, até porque, nas alegorias apresentadas ao Candidato à Iniciação na Ordem, uma das primeiras lhe é segredada e incitando-o à filantropia, que nada mais é em sua concepção mais ampla, do que altruísmo, amor à humanidade.

Ritualisticamente ao chegar ao grau de Mestre, o Maçom possui a Iniciação integral. Se os Ritos Iniciáticos poduziram no Maçom o seu efeito pleno e inteiro, é sinal de que o Mestre soube libertar-se das contingências escravizantes para evoluir livremente no plano espiritual. Transformou-se, literalmente; tornou-se um homem novo.

O mestrado implica transformação radical no comportamento geral do individuo. Por uma espécie de orgulho lícito, o Maçom deve ignorar a vaidade. O verdadeiro Maçom anseia conhecer o absoluto e dirige todos os esforços neste sentido. Perto dele, esfumam-se, para desaparecer pouco a pouco, todas as coisas relativas da vida material e mesmo do pensamento. O verdadeiro Maçom trabalha incansavelmente em plano que deixa de ser meramente físico. É somente por uma espécie de reverberação que se pode alcançar esse plano.

Ser ou Estar Maçom
Atualmente podemos afirmar que “Ser ou Estar alguma coisa” acabou se tornando uma expressão bastante difundida, que é utilizada para identificar se uma pessoa assumiu ou não seu posicionamento correto com respeito a qualquer organização da qual participa, como por exemplo – quando se desempenha um cargo público ou legislativo, tal qual o de “Estar Ministro”, entre outros exemplos, sendo inclusive utilizado como personagens em programas humorísticos.

Absorvendo este conceito e aplicando-se no seio de nossa Fraternidade percebemos que todos nós “Estamos Maçons” ao procedermos nossa Iniciação. Estamos Maçons ao frequentarmos a Loja e pagarmos as suas mensalidades e taxas. Estamos Maçons quando participamos de uma atividade pela loja, uma atividade filantrópica, uma palestra, uma visita à outra Loja. Ou até mesmo Estamos Maçons quando meditamos sobre o nosso papel e partimos em busca da meditação interior em busca da verdade. É certo que existe uma enorme diferença entre as expressões “ser” ou “estar” Maçom, posto que, como já disse, muitos estão, ao passo que poucos são realmente Maçons.

Mas o que é Ser Maçom? O verbo SER não poderia ser considerado sinônimo do verbo ESTAR. A caracterização mais expressiva é de que estar é um verbo que indica um certo estado, portanto, há como que embutido em seu conteúdo uma certa passividade, enquanto que o verbo ser é ativo, representa ativação. Na língua portuguesa o verbo “estar” dá ideia de algo provisório, relativo a um momento específico e transitório ligado à passividade, porém o verbo “ser” nos remete a uma sensação de permanência ativa, ou seja, estar é algo momentâneo, ocupar um cargo ou desempenhar uma determinada função, mas ser algo é carregar consigo uma determinada característica, onde todos os que o conhecerem conseguirão facilmente identifica-lo quando verificarem aquela característica.

Ser Maçom é um estado de espírito, que deve caracterizar o membro presente a toda situação em que pode ajudar e cooperar para que o mundo torne-se de alguma forma melhor. Ser Maçom é compreender que, por mais poderosas que sejam as forças externas, elas devem ser dominadas pela energia que tem sede em sua própria personalidade.

Durante sua vida na maçonaria, o maçom verdadeiro será sempre um eterno aprendiz

Durante sua vida na maçonaria, o maçom verdadeiro será sempre um eterno aprendiz

Estar Maçom é simplesmente ter passado pela inesquecível transformação que é a nossa iniciação, enquanto ser Maçom é praticar a Maçonaria diariamente, dentro e fora dos Templos e Lojas, usando em todos os momentos de suas vidas tudo aquilo que aprendemos nas reuniões e instruções.

Apenas está Maçom é aquele que paga corretamente as taxas e mensalidades da Loja e não falta a uma sessão, porém, ao sair do Templo e retornar as suas atividades diárias se esquece de praticar o que recebeu da Filosofia Maçônica.
O Maçom deve ser também moderado, sincero e cooperativo, buscando sempre acrescentar onde quer que esteja, pois é através de nossos atos, sejam eles em Loja ou na vida profana, que nos reconhecemos como verdadeiros Maçons, pois falamos não só em nosso nome, mas de uma Instituição com séculos de tradição e respeito.

Ser Maçom é ter consciência que sua presença discreta pode dar apoio a novos projetos úteis à comunidade e constituir-se num valoroso pilar de sustentação de valores mais nobres do indivíduo.

Ser Maçom é ser o eterno estudante que busca o ensinamento diário, tirando de cada situação uma lição, e aplica com êxito os princípios estudados. Desenvolve em toda oportunidade de sua intuição, sua força de vontade, sua capacidade de ouvir e entender os outros.

Ser Maçom é um estado de espírito que faz com que aquela pessoa tenha a consciência de que sempre que puder ser útil a alguém, deverá sê-lo, sem espaços para vaidade ou sentimentos mesquinhos, tendo a noção de que a verdadeira recompensa é o simples contentamento por ter feito o “bem”.

Neste sentido, outra característica muitíssimo importante se apresenta, que á a discrição, pois todo verdadeiro Maçom sabe que devemos sempre “fazer o bem sem olhar a quem”, cientes de que sua satisfação esta em ajudar de forma desinteressada, sem que necessite que outras pessoas fiquem sabendo para sentirem-se realizadas.

Para ser um verdadeiro “Pedreiro Livre” devemos nos livrar de todas as características nocivas ao nosso espírito, chamadas de vícios, ou seja. “levantar Templos a Virtude e cavar masmorras ao Vício”. Deve lutar para que a verdade e a Justiça sempre imperem, fazendo o possível para zelar por sua Pátria e para melhorar a Humanidade, buscando sempre a virtude, afastando de si os vícios.

Tais características não se conseguem apenas estudando Maçonaria, mas também a aplicando em todos os momentos de sua vida, pois que todos somos imperfeitos, e a missão de todo Maçom é sempre buscar o máximo possível a perfeição, tendo como espelho sempre o Princípio Universal de tudo, o nosso Criador.

Temos que considerar que Ser Maçom deve, como livre pensador, questionar o porquê de determinados acontecimentos, entendendo e vivenciando nos nossos aprendizados, que palmilhamos lentamente, com passos firmes para não tropeçar nos erros e vícios do passado, mesmo que em determinados momentos saíamos da trajetória para poder compreender o mundo com uma visão holística de suas nuances.

O Maçom que se limita a ler ou estudar as instruções dos graus ou a literatura disponível e não procura aplicar em sua vida diária os conceitos que lhe são transmitidos, na busca do desbaste da Pedra Bruta, e em erigir o Templo Interno, perde excelentes oportunidades de ampliar seus conhecimentos e de verificar como o saber do aprendizado da Arte Real pode ser útil para o seu bem-estar na busca de seu retorno Cósmico.

O Ser Maçom é aquele estado em que, sem abandonar os hábitos de disciplina, a mente busca uma abrangência do universo, o conhecimento intrínseco dos fenômenos que estão ocorrendo, procurando desenvolver a sensibilidade e a compreensão das razões de estudo. O Maçom que desenvolveu sua mente para estar atenta e acompanhar a evolução dos fatos e saber como conhecer as sutilezas que envolvem suas origens é como um oleiro que dá formas sutis ao barro bruto, enquanto que o Maçom modela sua própria consciência num confronto com sua própria personalidade.

Vivemos juntos e cruzamos com diferentes seres humanos que pensam e agem de maneira diversa da nossa. Isto nos propícia excelentes oportunidades de nos adaptarmos a estas personalidades e, sobretudo, de aprimorarmos as formas de inter-relacionamento. A sabedoria do bem viver é despertada quando nos conscientizamos dessas diferenças e procuramos compreender o indivíduo através de suas particularidades. Ser Maçom é despertar este sentido de compreensão do individuo e estar preparado para assisti-lo nos momentos de dificuldades.

O exemplo de uma atitude mental moderada, sincera e cooperativa caracteriza muito o Ser Maçom. E todos notam que sob muitos aspectos, o Ser Maçom diferencia-se como individuo entre todos os outros. No aprendizado inicial aprendemos que além dos SS∴TTv e PP∴ o Maçom deve ser reconhecido pelos atos e posturas dentro da sociedade e no meio onde vive, traduzindo de maneira diuturna o nosso aprendizado e a filosofia dos postulados da Arte Real. Sentimos que temos que desempenhar um papel mais complexo na sociedade e dar uma contribuição positiva para que ela se torne superior.

Ser Maçom implica ainda em algumas renúncias, mas a compensação que advém deste estado de espírito especial é muito agradável. Sentimo-nos como se fôssemos os autores da novela e não apenas os personagens passivos, criados pelos mesmos. Temos uma participação presente e atuante, embora que, aparentemente o Maçom apresente-se um tanto reservado. Nos colocamos muito mais em evidência, quando nos mantemos como observadores e damos a colaboração somente quando é solicitada pelos outros, do que aqueles que procuram apresentar-se como os donos da festa.

Terá então o Mestre, a humildade de prostrar-se perante os grandes mistérios da vida e os insondáveis escaninhos da Natureza, despojando-se de todas as vaidades, incluindo-se, entre elas, a busca da ascensão, a qualquer custo, numa escala, que, quase nunca reflete um conhecimento apreciável e um desejável mérito pessoal. Deverá, o Mestre, lembrar-se, sempre, que a verdadeira beleza é a interior, mesmo que o exterior não seja coruscante e não brilhe em faíscas de ouro e prata, pois o Maçom, o verdadeiro Maçom, o Maçom integral, é um Mestre pelas suas qualidades mentais e espirituais e não por sua posição na escala, ou por seus brilhantes parâmetros e condecorações. O hábito não faz o monge, diz a velha sabedoria popular, e se pode, até, acrescentar que um muar ajaezado de ouro e prata nunca poderá ser confundido com um cavalo de alta linhagem. Do Oriente para o Ocidente e deste para aquele, do Aprendiz para o Supremo Conselho e deste para aquele. Não há donos da verdade. Há busca da verdade.

O Maçom verdadeiro deve trabalhar incessantemente pela realização dos fins maçônicos, ele deve estudar, sem descanso, e com cuidado, todas as questões que agitam as sociedades humanas, procurar sua solução pela via pacífica, e propagar em redor de si os conhecimentos que tiver adquirido, ou seja, conclui-se que durante sua vida na Maçonaria será sempre um eterno aprendiz, independentemente dos graus que alcance.

Lembrando sempre que a busca da verdade lhe impõe, sobretudo a humildade em reconhecer que sempre será um eterno aprendiz na busca da verdade e perfeição, porém, tendo adquirido ensinamentos mais adiantados que deverá passar isento de vícios e emoções. O grau de Mestre exalta, também, a necessidade do cumprimento do dever, ainda que com sacrifício da própria vida, como ocorreu com vários da História do Homem.

Nós estamos Maçons ao entrarmos na Ordem e Somos Maçons quando o espírito da Maçonaria entrar em nós. A diferença é muito grande, mas facilmente perceptível.

REFERÊNCIAS
Revista Trolha;
Nascimento filho, Luiz Washington – Ser ou Estar Maçom;
Rizzardo da Camino – Simbologia do 3º Grau;
José Castellani – Os Graus Simbólicos;
Robson R. da Silva – Reflexos da Senda Maçônica;
René Joseph Charlier – Pequeno ensaio da Simbólica Maçonaria
João Ferreira Durão – A Maçonaria e a evolução da sociedade;
Carlos Adriano dos Santos – Ser ou Estar Maçom.

Sobre o Autor

ARBLS Portal de Minas n° 3911 GOB/MG Oriente de Extrema

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